FALE COM OS MONARQUISTAS !

FAÇA PARTE DO NOSSO GRUPO NO YAHOO

Inscreva-se em DMB1890
Powered by br.groups.yahoo.com

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Proclamação da Independência do Brasil - D. Pedro (1822).

07 Set - Dia da Pátria
- Proclamação da Independência do Brasil -
D. Pedro I (1822).







7 de setembro, dia da Independência do Brasil, é a mais conhecida e celebrada data nacional.
Está associada à proclamação feita, em 1822, pelo príncipe D. Pedro, às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, acontecimento que teria assinalado o rompimento definitivo dos laços coloniais e políticos com Portugal.



Entretanto, o episódio do Ipiranga não teve repercussão no momento em que ocorreu, pois a separação do Reino europeu não era uma decisão consensualmente aceita pelos diferentes segmentos da sociedade na época.

Tanto o delineamento do Império e da monarquia constitucional quanto o reconhecimento da data de 7 de setembro como marco da história da nação brasileira foram resultado de complexo processo de lutas políticas que tiveram lugar no Rio de Janeiro e nas demais províncias do Brasil durante a primeira metade do século XIX.



Após 1860, a data começou a ganhar importância no calendário de comemorações oficiais do Império, período em que também foram erguidos monumentos em homenagem à fundação da nacionalidade.
Em 1862, foi inaugurada a estátua equestre de D. Pedro I na atual Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro, em honra aos quarenta anos da Independência e à Carta Constitucional de 1824.


Entre 1885 e 1890, realizaram-se, na cidade de São Paulo, as obras de construção do Monumento do Ipiranga, palácio de feições renascentistas, edificado no suposto local do famoso “grito”, e que após a proclamação da República passou a abrigar o Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga. Especialmente para ornamentar esse edifício, Pedro Américo confeccionou, entre 1886 e 1888, o painel Independência ou Morte, imagem emblemática do 7 de setembro.



Com a organização do regime republicano, esse dia passou a figurar como a mais significativa data da história brasileira, sendo festejada anualmente com desfiles militares e outras manifestações.
Essas tradições celebrativas se consolidaram em 1922, por ocasião do Centenário da Independência, momento em que foi oficialmente instituído o Hino Nacional cantado até hoje.


(Trecho do texto de Cecília Salles Oliveira, extraído da obra Dicionário de datas da História do Brasil, organizado por Circe Bittencourt e publicado pela editora Contexto – acervo C Doc Ex)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Coração do Brasil

28/08/2009 - 20:26
Enviado por: Paulo Pacini
JB
Algumas vezes, na história das nações, certos locais têm a capacidade de concentrar a atenção de todo país, tornando-se uma espécie de modelo em escala reduzida, símbolo ou pelo menos um ponto focal para a nacionalidade, servindo como uma baliza para o que se costuma chamar de identidade cultural.
Na história brasileira, houve um logradouro deste tipo, principalmente durante o século XIX. Os pouco mais de duzentos metros tão célebres pertenceram à rua do Ouvidor, no trecho que vai do Largo de São Francisco até a antiga rua dos Ourives (Miguel Couto), antes da abertura da Av. Central.







A elegante e sofisticada Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro de 1900





De nascimento modesto, a conhecida rua nasceu anônimamente ainda no século XVI, nos primeiros tempos da colônia, chamada apenas de "desvio do mar", um caminho que saía da praia que havia onde é a rua Primeiro de Março e se dirigia para o interior. O primeiro nome verdadeiro, ainda nesta época, foi o do então dono das terras, Aleixo Manuel. Mas a partir de 1746 seria rebatizada pela forma pela qual é conhecida até hoje, quando nela passou a residir o Dr. Manuel Amaro Pena de Mesquita Pinto, recém nomeado ouvidor.




Mais uma rua colonial, sofreria sua transformação mais radical após a chegada da côrte, em 1808, e subseqüente abertura dos portos. Um grande número de comerciantes estrangeiros lá se instalou, oferecendo ítens cuja sofisticação era até então desconhecida pelo público local, como tecidos caros, livros, perfumes, lojas de modistas, doces e outros. Para uma colônia sempre isolada do mundo, com mercadorias de péssima qualidade, o início da importação foi um verdadeiro sopro de vida para nossos antepassados, que puderam equiparar seu consumo material e cultural com os de qualquer cidade do mundo.




Com o passar dos anos, a importância da rua do Ouvidor cresceu ainda mais como local da moda, onde se via e onde se era visto. Todas principais figuras do poder a freqüentavam, e não poucas vezes os destinos do país e carreiras foram decididas em conversas nesta passarela do luxo e sofisticação, na qual a elite podia respirar um pouco dos ares parisienses, apesar do calor tropical.




As transformações da paisagem urbana, ocorridas durante o século XX, fizeram com que perdesse seu antigo status, e hoje não existe nenhum logradouro que expresse de forma tão veemente o que a antiga rua do Ouvidor representou, enquanto centro das atenções e talvez até mesmo símbolo de todo um país.



sábado, 29 de agosto de 2009

29 Ago - Nascimento de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o maior escultor brasileiro (1730).

FONTE: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://br.geocities.com/irapuanbarbariz/os_notaveis/o_aleijadinho1.jpg&imgrefurl=http://br.geocities.com/irapuanbarbariz/os_notaveis/o_aleijadinho.htm&usg=__gt0DTuqRP8DSsxkO1p23ouaNwkw=&h=516&w=369&sz=51&hl=pt-BR&start=3&tbnid=lR9LHHzsW8T4KM:&tbnh=131&tbnw=94&prev=/images%3Fq%3DALEIJADINHO%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

O Aleijadinho


O Mestre Aleijadinho é um dos mais destacados artistas: escultor e arquiteto colonial brasileiro e o mais importante intérprete do barroco.


Antônio Francisco Lisboa nasceu em 29 de agosto de 1730 em Vila Rica, Minas Gerais. Filho de Manuel Francisco da Costa Lisboa, arquiteto português e de Isabel, uma africana, crioula e escrava do próprio Lisboa, que foi libertada por ocasião do batizado de Francisco, que era pardo-escuro, baixo, com cabelos encaracolados, orelhas grandes e beiços grossos.


Sabia ler e escrever e tinha conhecimento de desenho, arquitetura e escultura que obteve na escola prática do pai e também com o desenhista e pintor João Gomes Batista.

Depois de muitos anos de trabalho sob a vista do pai, que era tido como o primeiro arquiteto da província, fez sua carreira de mestre de arquitetura e escultura e, nesta qualidade, excedeu a todos os artistas deste gênero.


Em 1766, recebeu a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto.


Em 1767 seu pai morreu. Com 47 anos de idade teve um filho ao qual deu o mesmo nome do seu pai.


Em 1774 construiu a Igreja de São João Del Rei, em Tiradentes.


Passou a vida no exercício de sua arte, cuidando sempre de ter boa mesa, mulheres e de dançar, até que lhe aparecessem as moléstias que o atacaram fortemente em 1777.


Sofreu com uma série de males que lhe causaram deformidades, paralisias e muitas dores. Antônio Francisco perdeu todos os dedos dos pés, tendo que andar de joelhos, as mãos atrofiaram-se e curvaram, chegando a perder parte delas, as pálpebras inflamaram-se, atrapalhando a visão, perdeu quase todos os dentes, a boca entortou, causando um aspecto asqueroso e medonho. Devido a estas deformidades recebeu o apelido de O Aleijadinho, pelo qual veio a ser conhecido.


Teve 2 fiéis escravos e entalhadores, Maurício e Agostinho, que muito o ajudaram.


Em 1780 recebeu diversas encomendas em Sabará, dentre elas a da ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.


O artista, já com a doença em estado avançado, trabalhou em Ouro Preto, Sabará, Mariana, Congonhas do Campo, Barão de Cocais, Tiradentes, Nova Lima, Caetés e em vários outros lugares de Minas Gerais.


O Aleijadinho começou esculpindo a madeira, daí os púlpitos, portas, pias batismais, altares e pequenas esculturas, geralmente de santos e anjos gorduchos e sorridentes, ao todo sessenta e seis imagens de madeira esculpidas entre os anos de 1796 a 1799.


Trocou a madeira pela pedra-sabão e esculpiu Os Doze Profetas, uma verdadeira obra-prima, que repartem entre si o espaço externo do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo. Essas esculturas tomaram um aspecto diferente de toda a obra do Grande Mestre e isto se nota nas atitudes, nas mãos e nos traços do rosto dos Profetas, que aparecem como criaturas humanas, homens sofredores, martirizados e mergulhados em oração. Fez também as figuras que compõem Os Passos da Via Crucis que mostram a piedade cristã, sendo ao mesmo tempo obras de arte e de devoção.


São também dele várias esculturas em pedra-sabão de imagens de santos espalhadas por várias igrejas de Minas Gerais.


A perícia do Aleijadinho era indescritível, mesmo sem os dedos das mãos e ajoelhado, trabalhando escondido sob uma tenda ou com um manto que lhe encobria as deformidades, trabalhando a noite e com pouca luminosidade.


A doença que lhe consumia o corpo não apagava o gênio que semeava obras de arte.
Nos seus 2 últimos anos de vida, passou em uma casa miserável, sem sair do leito que era um estrado de 3 tábuas sobre toras de madeira, sempre a ler a Bíblia e a alternar momentos de lucidez com as dores e as chagas que lhe consumiam o corpo.


Em 18 de novembro de 1814, Antônio Francisco Lisboa faleceu em Vila Rica e seu corpo está na Matriz de Antônio Dias em uma sepultura junto ao altar da Nossa Senhora da Boa Morte.

29 Ago - Tratado de Paz em que Portugal reconheceu a Independência do Brasil (1825).




Reconhecimento da independência do Brasil


Dom Pedro 1º negociou com as nações estrangeiras o reconhecimento da independência do Brasil. Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecê-la oficialmente. Não obstante, a adoção da forma de governo monárquico e as tendências absolutistas do imperador brasileiro geraram resistência ao reconhecimento da independência do Brasil por outros países americanos recém libertos do jugo colonial.


Na Europa, por outro lado, as nações conservadoras se opunham ao reconhecimento da independência de qualquer ex-colônia. A Inglaterra, porém, desempenhou um papel de mediadora, nas negociações para o reconhecimento internacional da independência do Brasil. Obteve deste modo, inúmeras vantagens comerciais. Foi por intermédio da Inglaterra que, em 1825, Portugal reconheceu a independência brasileira em troca de uma indenização de dois milhões de libras.


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Largo do Moura

21/08/2009 - 08:40 Enviado por: Paulo Pacini

No ano de 1767, o sistema defensivo do Rio de Janeiro recebia um novo regimento de soldados vindos de Portugal, mais específicamente da cidade de Moura.
Nesta época, era comum as famílias hospedarem os soldados em suas casas, mas o comportamento arruaceiro e desrespeitoso destes militares acabou com o costume.
Foram então alojados na Praia D. Manoel, na Misericórdia, construindo-se um quartel para abrigá-los.
Sua presença na região acabou dando nome a outros becos, como o da Música, pois lá havia uma casa onde as bandas dos regimentos ensaiavam.
Bem ou mal, a soldadesca trouxe mais movimento a um bairro de caráter popular, formado por pessoas de pouca renda e ocupações modestas, como marinheiros e trabalhadores manuais.
Durante o século XIX, o local também foi abrigo de muitos estudantes, que vinham à capital com pouca disponibilidade financeira, adequando dessa forma seu orçamento a uma moradia que, apesar de pobre, situava-se na região central, perto das escolas.

Largo do Moura há 100 anos. Ao fundo, a igreja de N.S. de Bonsucesso


Em 1794, o vice-rei Conde de Resende constrói um chafariz no local, o qual foi reformado em 1851, ganhando mais duas bicas, além das duas originais.


Foi feita uma mudança no fornecimento de água, pois o chafariz passou a ser abastecido pelas águas do rio Maracanã, em vez daquelas do Carioca.


A razão foi o temor de que uma nova invasão à cidade colocasse em risco o abastecimento, caso o fluxo das águas do aqueduto da Carioca fosse interrompido pelos agressores. Nestes novos temores, ainda repercutia o trauma das invasões francesas de 150 anos antes. O chafariz era uma bela e simples obra, e desapareceu há mais de 100 anos.


A presença do regimento, em frente ao Largo do Moura, também fez com que o local se tornasse bastante adequado para execuções capitais, nessa época através da fôrca.


A proximidade dos militares inibia qualquer manifestação mais veemente de indignação ou revolta, especialmente depois dos acontecimentos da Inconfidência Mineira.


A rotina das execuções acabou dando nome a um dos becos, que passou a ser chamado de beco da Boa Morte, em uma tirada de humor negro versão século XVIII.
Como legítimo representante do bairro da Misericórdia, o Largo do Moura foi parte integrante de um dos mais antigos cenários urbanos da cidade do Rio, testemunhando inúmeras transformações ocorridas tanto no traçado urbano quanto nos hábitos, costumes, corações e mentes de várias gerações de cariocas.

domingo, 16 de agosto de 2009

Igreja de Bom Jesus da Coluna







Um pedaço da história do Exército na Ilha




O pouco conhecido Asilo dos Inválidos tem visitas guiadas




Miguel Caballero



O GLOBO




Um sítio histórico, que abrigou remanescentes de algumas das principais guerras em que se envolveu o Exército brasileiro, permanece quase incógnito. Construído em 1868, por decisão do imperador Dom Pedro II para abrigar soldados que retornavam doentes ou mutilados da Guerra do Paraguai (1864-1870), o Asilo dos Inválidos da Pátria, que também serviu para militares que serviram na Guerra de Canudos, teve suas atividades encerradas em 1976. Hoje, os dois prédios à beira da Baía de Guanabara, na Ilha de Bom Jesus (integrada à Ilha do Fundão), abrigam a administração da Vila Militar no Fundão.




Pouco conhecido, o asilo, ao lado da Igreja de Bom Jesus da Coluna, construída por franciscanos no início do século 18, está aberto à visitação pública guiada, de terça a domingo. Quem vai ao local se depara com placas de homenagem aos que combateram no Paraguai, em Canudos e no Contestado. O asilo é uma espécie de versão brasileira do francês Hôtel des Invalides, em Paris, criado para receber os combatentes franceses e onde hoje está a tumba de Napoleão Bonaparte.




- Antes do asilo, os primeiros inválidos que chegaram da Guerra do Paraguai eram instalados na Ponta da Armação, em Niterói. O imperador escolheu o local e fiscalizava pessoalmente as obras. Consta que ele interveio em detalhes como a obrigatoriedade de as mesas serem de mármore, e não de madeira, para evitar acúmulo de poeira e, consequentemente, a propagação mais fácil de doenças - conta o historiador paulista Marcelo Augusto Moraes Gomes, que defendeu uma tese de doutorado sobre o asilo na USP.





Escolha do local foi feita por motivos sanitários




A opção pela Ilha do Bom Jesus - que nos anos 1950 foi ligada, por aterro, à Ilha do Fundão - não foi à toa. Numa época em que havia grande preocupação em prevenir epidemias - e em que se acreditava que ferimentos como os dos mutilados de guerra pudessem ajudar a espalhar doenças - era preciso isolar os inválidos da cidade.




Inicialmente, eles ficaram instalados nos conventos ao lado da igreja, mas, como muitos tinham dificuldade de locomoção, foram levados para os prédios ao nível da baía.




--- Havia essa preocupação sanitária, sim - conta Marcelo Gomes, que pesquisou no Arquivo Nacional, no Museu de Petrópolis e no único livro publicado sobre o asilo, escrito pelo primeiro capelão do lugar, Manoel da Costa Honorato, e publicado em 1869.





Dom Pedro II tratou detalhes pessoalmente




O CANHÃO, no cais, apontado para a baía

Guardadas as proporções, o Asilo dos Inválidos da Pátria é a versão brasileira do francês Hôtel des Invalides, em Paris, criado para receber os combatentes franceses e onde hoje está a tumba de Napoleão. Foi mais um exemplo da influência francesa na época do Segundo Império, e contou com dedicação pessoal de Dom Pedro II na sua construção, desde a escolha da localização até detalhes mínimos da obra.




- Antes do asilo, os primeiros inválidos que chegaram da Guerra do Paraguai eram instalados na Ponta da Armação, em Niterói. O imperador escolheu o local e fiscalizava pessoalmente as obras. Consta que ele interveio em detalhes como a obrigatoriedade de as mesas serem de mármore, e não de madeira, para evitar acúmulo de poeira e, consequentemente, a propagação mais fácil de doenças - conta o historiador paulista Marcelo Augusto Moraes Gomes, que defendeu uma tese de doutorado sobre o Asilo na USP.




A opção pela Ilha do Bom Jesus - que nos anos 1950 foi ligada, por aterro, à Ilha do Fundão - não foi à toa. Numa época em que havia grande preocupação em prevenir epidemias - e em que se acreditava que ferimentos como os dos mutilados de guerra pudessem ajudar a espalhar doenças - era preciso isolar os inválidos da cidade.




Inicialmente, eles ficaram instalados nos conventos ao lado da igreja, mas, como muitos tinham dificuldade de locomoção, foram logo levados para os prédios construídos ao nível da baía.




--- Havia essa preocupação sanitária, sim. Acredito, inclusive, que a ideia do imperador era que os inválidos ficassem ali não por muito tempo, até porque começou a chegar grande quantidade de combatentes. O pensamento de Dom Pedro era transferi-los para outras províncias - conta Marcelo Gomes, que pesquisou no Arquivo Nacional, no Museu de Petrópolis e no único livro publicado sobre o asilo, escrito pelo primeiro capelão do lugar, Manoel da Costa Honorato, e publicado em 1869.




As primeiras embarcações que chegaram à ilha levaram muitos inválidos para o asilo. E, já naquela época, as autoridades cultivavam o hábito de inaugurar obras inacabadas. Embora os festejos de inauguração tenham sido realizados, com a presença da corte e no dia do aniversário da princesa Isabel, em julho, ele começou a funcionar de fato em 15 de outubro. O livro de Honorato registra que, nesse dia, estava asilado um contingente de 1.010 soldados, 29 oficiais, dois sargentos ajudantes, dois cornetas mores, um coronheiro, sete músicos, 191 sargentos, 17 furriéis, 136 cabos de esquadra e 86 anspeçadas, além de seis irmãs de caridade. Foram trazidos, ainda, 42 paraguaios, prisioneiros de guerra, para trabalhar na manutenção.




Morador da Ilha do Governador, o engenheiro Márcio Freitas frequenta há pelo menos 30 anos a região da Ilha de Bom Jesus e se dedicou a pesquisar sobre o assunto.




--- A Guerra do Paraguai termina em 1870, 1871 e, nos anos seguintes, o número de asilados vai caindo, muitos morrem, chegando a ficar cerca de 200. No finalzinho do século, o número cresce de novo, pois chegam asilados de Canudos - diz Márcio.




Também durante a Primeira Guerra Mundial, o Exército passou a receber muitos pedidos de asilo de veteranos combatentes que, por diferentes motivos, não conseguiam mais se manter.




Muito antes de receber militares, a Ilha de Bom Jesus já tinha um histórico ligado ao tratamento de doenças. De 1830 a 1860, funcionou, em diferentes etapas, como leprosário, asilo para doentes de febre amarela e local para onde eram destinados, a fim de cumprir quarentena, os suspeitos de terem cólera, durante a epidemia de 1855.
Nem só de passagens ligadas à enfermidade de oficiais é feita a história da Ilha de Bom Jesus. Por ser o pedaço de terra, no centro da Baía de Guanabara, mais próximo à Ponte Rio-Niterói, serviu de ponto de apoio para as equipes de construção.




E é do cais Princesa Isabel, à beira da baía, na Ilha do Bom Jesus, que se tem um dos mais belos e desconhecidos ângulos da ponte mais famosa do Brasil.




--- Todo mundo deveria visitar a ilha, o asilo. As pessoas não conhecem a História do país, e a Guerra do Paraguai é dos trechos mais importantes. Além de ser um local lindíssimo, ótimo para um passeio, é uma porta de entrada para nossa História - completa Marcelo Gomes.





Antes do asilo, Dom João VI ia a festas da igreja




O INTERIOR da Igreja de Bom Jesus da Coluna, totalmente restaurada há um ano

O passeio guiado ao sítio histórico da Ilha do Bom Jesus não deixa de incluir a visita à Igreja de Bom Jesus da Coluna. Ontem, completou-se um ano de sua restauração, após obra que durou quatro. Erguida por franciscanos entre os anos de 1705 e 1710, a construção mais antiga da ilha foi elevada, também no dia 15 de agosto de 2008, a santuário militar.




No século XIX, mais precisamente em 1852, a igreja e os dois conventos - prédios que já não existem - foram cedidos, por ordem da princesa Isabel, a irmãs da congregação do Sagrado Coração de Maria. No curto período em que estiveram lá, as religiosas fundaram um estabelecimento de ensino. Mas, logo em 1853, nove morreram de febre amarela, durante um surto da doença na corte. Seus corpos foram enterrados numa área em frente à igreja, em torno de um cruzeiro de pedra que ali existia.




A história do templo, quando ainda pertencia à Ordem dos Franciscanos, registra ainda várias visitas de Dom João VI, no período entre a sua chegada ao Brasil (1808) e a volta para Portugal (1821). Religioso, o nobre frequentava os eventos, especialmente a Festa de São Francisco de Assis, realizada em outubro.




- Mas a história da ilha remonta a tempos ainda mais antigos. Ela pertencia à família Telles de Meneses, que a doou aos franciscanos, responsáveis pela construção da igreja e dos conventos. Mais tarde, foi comprada pelo Império - conta o coronel Lindemberg, chefe da seção de assistência religiosa do Comando Militar do Leste e capelão local há 20 anos.




Restaurada, a igreja está aberta a visitas, tem missa todos os domingos, às 10h, e realiza também batizados (o telefone para marcar a cerimônia é 3836-8199).




Com quase cinco séculos de História, frequentada pelos mais nobres integrantes da família real e palco de passagens mais sombrias, tendo recebido doentes e asilados, a Ilha de Bom Jesus é um raro espaço de segurança no Rio, com sua belíssima paisagem natural preservada e considerada um paraíso por quem mora lá - privilégio disputado por servidores do Exército, já que o número de casas na área é limitado.




Já desde a época dos franciscanos, a ilha tinha esse caráter de assistência. Era para cá que vinham muitos frades que chegavam doentes das missões pelas províncias"




Coronel Lindemberg, capelão da Igreja de Bom Jesus da Coluna

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A RODA DOS EXCLUÍDOS


12/08/2009 - 09:55
Enviado por: Paulo Pacini

Durante o ano passado, foi notícia em todos jornais do mundo que, no estado americano de Nebraska, graças a uma brecha na legislação sobre abandono de crianças, vários pais estavam largando os filhos em hospitais, a maioria já adolescentes, pois não corriam o risco de serem processados.
A safe haven law, como é conhecida, foi posteriormente modificada, e hoje só são admitidos recém-nascidos com até 30 dias de vida.

A roda na rua de Santa Teresa, em desenho de Thomas Ewbank (1845)


Por mais triste que seja a situação, a exposição de crianças sempre acompanhou a evolução da humanidade, fazendo mesmo parte da história de diversas religiões, como foi o caso de Moisés, assim como de vários personagens da mitologia grega.


Contudo, isso não serve de consolo para este grave problema social, e, para tentar mitigá-lo, foi criado na Idade Média, em Marselha, um dispositivo que permitia o abandono anônimo de crianças em instituições religiosas, as quais acolheriam e criariam os enjeitados.


A mãe colocava o bebê no berço de um cilindro vertical, que se abria ora para o interior, ora para fora, tocava uma sineta e ia embora para sempre. Todos países da Europa adotaram esta solução, dentre eles Portugal.


No Rio de Janeiro colonial, o mesmo drama se repetia, às vezes com cenas terríveis, pois muitas vezes os recém-nascidos eram atacados por cães e ratos.


A solução surgiu em 1738 por iniciativa de Romão Duarte, que criou a Casa dos Expostos, passando a funcionar no antigo hospital da Santa Casa, e, junto com ela, a roda para receber os indesejados.


A Casa esteve nesse local até 1821, quando foi transferida para a rua da Misericórdia nº17, e, em 1840, mudaria para a rua de Santa Teresa, atual Joaquim Silva, na Lapa.


De lá para o Cais da Glória, em 1850, e em 1860 à rua dos Barbonos (Evaristo da Veiga), onde ficou até 1906.



A roda também funcionou na antiga rua da Misericórdia, até 1840





A roda do Rio de Janeiro, porta de admissão à Casa dos Expostos, só viria a acabar em 1948, salvando milhares de crianças em mais de 200 anos de atividade.


O dispositivo não mais existe no Brasil, mas, infelizmente, o problema do abandono, que é uma questão mundial, continua presente.


A mesma necessidade que levou Romão Duarte, no distante século XVIII, a criar sua instituição protetora e conseqüente roda, fez com que a Alemanha a reintroduzisse seu uso em 2000, sendo hoje mais de 80 em atividade, o que mostra que o socorro aos totalmente indefesos deve estar sempre presente, seja de que maneira for.