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domingo, 13 de setembro de 2009

AINDA VIVENDO NO PASSADO

Texto retirado do blog do Capitão Luiz Alexandre

"Isso podemos comprovar verdadeiramente analisando a história do Rio de Janeiro. Modernização? Oxigenação? Só se for na polícia da França !!!



Analisando a história da criação da Polícia Militar, podemos perceber quão cíclicos os acontecimentos são. Isto é, tudo o que acontece nos dias de hoje é uma repetição que nos acompanha há dois séculos. Praticamente todas as ações são as mesmas, sejam as utilizadas pelo Comando da Corporação ao longo dos anos (que por muito tempo foi de oficiais do Exército), sejam as utilizadas pelos Governantes, civis ou militares (dependendo da época sempre iguais). As tradições policiais no Brasil se reportam aos quadrilheiros, resumidamente falando, eles eram grupos armados que patrulhavam as ruas, os quais não tinham salário e que, para a sua subsistência, se apropriavam dos bens dos marginais os quais prendiam. Era a legalização, já no século XIX. do conhecido hoje em dia como espólio de guerra. Pulando alguns anos e já analisando a criação da Polícia no Brasil, temos a criação da Intendência de Polícia, que era basicamente, podemos dizer, um Ministério da Justiça, onde o Intendente tinham poderes de prender, julgar e estipular a pena que lhe convinha (não havia leis regulando prazos de pena). Essa Intendência é o que a Polícia Civil do Rio se utiliza para dizer que é a primeira instituição policial brasileira. Porém, esse Intendente civil, não possuía uma força policial (homens) para comandar, sendo então criada a Guarda Real de Polícia, uma força militar como a existente em Portugal, onde havia um Comandante e era subordinada diretamente ao Intendente (repita-se, mais um Ministro ou Secretário de Segurança que um policial).



Juntamente com os Capitães do Mato, a principal atribuição da Guarda Real era coibir escravos ou negros libertos de cometerem pequenos delitos, fugirem, formarem quilombos ou até mesmo portarem um pedaço de pau (pois poderia vir a ferir alguém). Dados bastante precisos arrecadados na época demonstram a quantidade desproporcional de presos negros e/ou escravos para a de brancos (do total 80% dos condenados eram escravos e 95% haviam nascido na África, sendo que somente 1% dos condenados nunca haviam sido escravos). A gratificação também já se fazia presente naquela época. Com a proibição, em 1820, da existência dos Capitães do Mato no Rio de Janeiro (além medo do Governo em ter um grande grupo de homens armados e organizados, eles próprios ajudavam escravos a fugir para depois capturá-los), a Guarda Real teve a exclusividade na atribuição de repressão. O militar da Guarda Real, que ganhava à época um salário de 2 mil e quatrocentos réis, recebia como gratificação 4 mil réis ao prender (ou matar) um ladrão (furto) e até 20 mil réis por um ladrão que usasse métodos violentos contra suas vítimas (roubo). Considerando o câmbio dos réis, à época, para o dólar, um membro da Guarda Real recebia o equivalente de salário a pouco mais de 1 dólar e 15 cents (0,45 $ por cada mil réis). Ou seja, os salários já eram miseráveis no século XIX, somente havendo a subsistência do policial pela refeição e estadia dada nos quartéis. E as gratificações chegavam a ser 8 vezes o salário, tudo para que o Estado obtivesse a ordem pública que desejava, que era, na verdade, o combate às classes mais pobres, principalmente os negros e escravos. Outra repetição dos dias de hoje, já que devido, obviamente, aos salários ridículos, se contratava para serem membros da Guarda as classes mais baixas da sociedade, para agirem como representantes da lei. Afinal, mesmo havendo baixos salários, a "importância" de ser uma autoridade da lei compensaria, até porque o combate seria contra os menos abastados, não havendo a ameaça nunca dessas "autoridades" contra as elites. Esses membros atuavam basicamente contra os grupos que eles mesmos haviam saído. Além disso, claro, existia a possibilidade da corrupção. Após uma revolta dos membros da Guarda Real, insuflados por militares de uma unidade do Exército que haviam se amotinado, a Instituição foi brevemente extinta, sendo substituída por Guardas Municipais e posteriormente uma Guarda Nacional. Tanto os membros de uma como da outra nova Corporação eram pessoas de nível bem superior aos militares da Guarda Real, que deviam possuir renda própria (teriam que receber anualmente 200 mil réis nas grandes cidades). Ou seja, começam a formar uma polícia eminentemente civil, mas (já naquela época) o perfil do policial seria outro, porém um grande problema, o Guarda não receberia salários. Obviamente essa polícia não conseguiu se manter por muito tempo...



Com o término da Guarda Real de Polícia (a Polícia Militar da época do Império), após haverem se amotinado no Rio de Janeiro sob a influência de militares de uma unidade do Exército Brasileiro, a Guarda Nacional (foto acima da unidade de Santos), como visto antes, foi realmente implantada. Essa Guarda, apesar de civil, composta por pessoas que tivessem renda relativamente alta (mais de 200 mil réis por ano), era modelada em formas militares de hierarquia e comando. O Exército, que já havia sido diminuído em sua estrutura com a saída de D. Pedro I, após esse episódio, continuou sendo "castigado", como vemos no seguinte texto: “À escória da sociedade cabia fornecer os conscritos necessários para preencher as fileiras minguadas do Exército regular” (Hollowat, Thomas. Polícia no Rio de Janeiro).



Os membros da Guarda Nacional, todos os homens aptos entre 18 e 60 anos, que deviam serví-la em caráter obrigatório, não recebiam qualquer remuneração. Sendo assim, além de suas obrigações do dia a dia em seus trabalhos e em suas casas, ainda tinham que trabalhar em suas folgas como se policiais fossem. Como é de se supor, por várias vezes, os Guardas Nacionais não queriam proceder ao serviço de policiamento. E essa recusa em tirar o serviço obrigava aos juízes à época, seus comandantes diretos, em procederem criminalmente contra os indóceis. Então, em 10 de outubro de 1831, percebendo-se que era impossível confiar a segurança pública na mão de cidadãos comuns e não profissionais no assunto, tampouco remunerados, a Polícia Militar foi recriada. Inicialmente recebera o nome de Corpo de Guardas Municipais Permanentes, depois assumindo o nome de Corpo Militar de Polícia da Corte.



A ideia do então Ministro da Justiça, que havia proposto seu ressurgimento, era ter uma tropa que não fosse de conscritos, mas de voluntários que se tornariam profissionalizados, com um rendimento superior aos militares do Exército e muito maior que os membros da extinta Guarda Real de Polícia. Enquanto um Soldado da antiga Guarda Real ganhava ao mês 2 mil e 400 réis, o da nova Polícia Militar (Guardas Municipais Permanentes) ganharia 18 mil réis. Somava-se ao salário a moradia e a comida oferecida nos quartéis da Corporação, o que agregava valor ao salário.



Obviamente, como sempre, o salário não era realmente grande como se pode imaginar. O salário somente deixava de ser miserável, se igualando ao de um trabalhador assalariado à época. O Ministro da Justiça queria que o salário fosse bom, porém sabia que somente as classes mais baixas da sociedade achariam o valor de 18 mil réis por mês uma renda aceitável.



Novamente, como nos dias de hoje, se tirava da classe que quer se combater, seus futuros algozes. O Ministro garantiu (ou tentou), através de normas decretadas, que a polícia deveria agir em conformidade com o que podemos considerar hoje em dia, direitos humanos, além de garantias individuais que pudessem evitar injustiças, como, por exemplo, a entrada em residências somente de dia, excetuando-se por requisição do morador, sendo “com todos prudente”, “guardando pela civilidade e respeito devido aos direitos do cidadão”.



Para organizar a nova Polícia Militar, inicialmente foi chamado o Coronel do Exército Teobaldo Sanches. Sendo então designado definitivamente Comandante, de 1832 até 1839, um senhor (Major do Exército) chamado Luís Alves de Lima e Silva (foto abaixo)."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Desde 1808, a Escola da Santa Casa do Rio forma grandes nomes

Nara Boechat, Jornal do Brasil





RIO - A Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro completa 201 anos em 2009 e continua com grande importância na formação profissional da área médica, apesar de todas as dificuldades enfrentadas. Fundada em 1808, com a vinda da Família Real para o Rio, é considerada a instituição de assistência filantrópica mais antiga da cidade e, para muitos, o berço da medicina brasileira. Nomes como o atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e os secretários, estadual e municipal, Sérgio Côrtes e Hans Dohmann, se formaram passando pelo hospital, que por muito tempo foi vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e hoje está ligado às faculdades Souza Marques e Gama Filho.



Segundo o diretor de Ensino e Pesquisa da Santa Casa, o médico José Galvão Alves, que trabalha há 33 anos na instituição, a Escola é credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica, órgão do Ministério da Educação, desde 1982, e tem atualmente 300 docentes vinculados às duas faculdades, ministrando aulas profissionalizantes para estudantes do 3º ao 6º anos.



– Mas também oferecemos cursos de pós-graduação e residência médica de alta qualidade, com visão social e humanista extremamente apurada – acrescenta o médico.



A boa medicina



Com dificuldades em adquirir equipamentos modernos e de alta tecnologia, o Hospital se caracteriza por investir no profissional, integrando-o ao cenário nacional. De acordo com Galvão, no ensino valoriza-se a história clínica, exame físico adequado e as condições humanas e sociais de cada paciente.



– O melhor da medicina é o bom médico. Com conhecimento, pode-se resolver de 80 a 90% das doenças. Enquanto um mau médico pode tornar-se um risco, mesmo com toda a tecnologia.



Na Santa Casa, os alunos de graduação aprendem todas as etapas de tratamento do paciente. Começam no conhecimento da sua história, depois seguem para a análise, solicitação de exames, interpretação dos mesmos, diagnóstico e receita.



– A Santa Casa paga uma bolsa de estudos para cada aluno. Temos um gasto mensal de R$150 mil – acrescenta Galvão.



Ainda segundo o médico, a escola bicentenária já especializou cerca de 900 médicos em clínica médica, cirurgia geral, ortopedia e traumatologia, patologia, oftalmologia, cardiologia, ginecologia e obstetrícia, radiologia e diagnóstico por imagem e neurologia.



Depoimentos



A aluna do 4º ano da Escola de Medicina Souza Marques, Moema Dias de Alencar, diz que se depara com muitas dificuldades na graduação, mas que tudo o que vive é essencial para a sua formação profissional e pessoal.



– Na primeira vez que entrei na Santa Casa fiquei impressionada pela grandiosidade que ela representa – conta. – Aqui é uma experiência única. Inúmeros médicos passaram pelos mesmos corredores e escreveram suas histórias, por isso me sinto orgulhosa em fazer parte desta instituição.



Rubens Braile, secretário-geral da Sociedade de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, foi aluno da Universidade Gama Filho e da Santa Casa de Misericórdia do Rio na década de 1980. Hoje em dia, ele dá aulas na escola e afirma que o hospital se mantém crítico desde sua fundação.



– Lá, aprendi a colher as minhas primeiras histórias, entender o sofrimento daquele que está enfermo e de seus familiares. As riquezas de informações médicas e humanísticas que ali tive ratificaram minha vontade de ser médico – diz Rubens.



O médico ainda acrescenta que na Santa Casa há a oportunidade de conviver com professores importantes, como Magalhães Gomes, Cruz Lima e Castelo Branco.



– Foi o meu berço acadêmico e muito me orgulha ter em meu currículo a grife Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.



O hospital



A Santa Casa da Misericórdia foi fundada em 24 de março de 1582 pelo sacerdote espanhol José de Anchieta. Desde a sua criação, a missão do Hospital Geral é de acolher e cuidar dos mais carentes.



Hoje em dia, a instituição oferece educandários para receber e cuidar de crianças, repousos para idosos e serviços funerários. No hospital, são feitos cerca de 10 mil atendimentos ambulatoriais por mês pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde mil médicos-residentes concursados cuidam da saúde básica dos pacientes. Além disso, a Casa oferece 600 leitos para internação e dez no Centro de Tratamento Intensivo (CTI).







22:07 - 06/09/2009


terça-feira, 8 de setembro de 2009

ORATÓRIO TENTADOR

07/09/2009 - 20:50
Enviado por: Paulo Pacini


JB


É provável que a passagem mais conhecida na Bíblia seja aquela em que, no Gênese, Deus cria a luz, iluminando as trevas do abismo. A centelha original se esparge pelo universo, de modo bastante análogo à atual teoria cosmogênica do Big Bang. Para gerar a luz na escuridão, foi necessária apenas Sua vontade (Deus é Deus), mas, entre os pobres mortais, o mesmo só era obtido com muito esforço, e, durante eras, a penumbra foi companheira dos homens em suas longas noites.




Não foi diferente no Rio de Janeiro colonial. Por séculos, a única iluminação presente nas ruas era composta por alguns poucos lampadários suspensos em edifícios religiosos e nos nichos e oratórios em algumas esquinas. O combustível era o azeite de peixe, que fornecia uma luz baça e fraca. O número de oratórios era limitado, não mais que 73 em 1790, e, ainda por cima, não eram acesos em noites de lua, mesmo com o céu encoberto, ficando-se em total escuridão.


Oratório na rua da Alfândega,
ainda de pé no começo do século XX



Mas, além de sua pouca utilidade, os oratórios também foram causa de acontecimentos curiosos, que nos falam dos costumes desses tempos.
Em "Memórias de um Sargento de Milícias", Manuel Antônio de Almeida conta que, até uma certa época, as famílias moradoras próximas a um oratório compareciam regularmente para se ajoelhar e rezar em frente à imagem iluminada do santo, e repetidas vezes, no meio do lusco-fusco, a filha de alguém que estava mais atrás acabava desaparecendo.
Não era obra do sobrenatural, mas de algum sedutor que havia combinado dias antes a fuga com a moça, conversando discretamente através das rótulas da casa.
Além disso, a escuridão favoreceu alguns assassinatos, transformando os oratórios em caso de polícia e afastando os fiéis. Eles continuaram a iluminar, mas sem as imagens de santos, perdendo sua função religiosa.



A chegada da côrte em 1808 trouxe melhorias, com a ampliação do número de pontos de luz, apesar de ainda se utilizar o velho azeite de peixe. Após o sucesso da iluminação a gás em Londres, em 1807, pensou-se em modernizar a iluminação carioca através desse sistema.
A primeira tentativa foi em 1828, fracassando a seguir.
Finalmente, em 1854, por obra do Barão de Mauá, o Rio ganhava uma iluminação moderna, a qual transformou a vida e o aspecto da cidade. Deve-se ao pioneirismo de Mauá o fato do Rio de Janeiro ser a primeira cidade com rede generalizada de gás encanado, obra iniciada há mais de 150 anos.


O MERCADO DO PEIXE

07/09/2009 - 20:46
Enviado por: Paulo Pacini

JB

Por muitos séculos, a proximidade com o mar conferiu um caráter metropolitano a muitas cidades do mundo, pelo menos até o século XIX.
Muito antes do transporte aéreo, a navegação era a porta de contato com o exterior, através da qual trocavam-se bens materiais e culturais, favorecendo uma transformação dos costumes pela contribuição de diversas influências.
Mas, além de via de intercâmbio, o mar sempre forneceu diversos alimentos, e, nos antigos tempos da cidade, foi mesmo uma de suas principais fontes.



Originalmente, o trecho de litoral entre a Misericórdia e o Morro de São Bento era uma praia, chamada de Praia de Manuel de Brito ou Marinha da Cidade, correndo paralelamente à rua 1º de Março, não muito distante de seu traçado atual.
Ao ocuparem o local, os primeiros habitantes paulatinamente o aterraram, inclusive a área que é hoje a Praça XV.
Nesta época, e até o governo do vice-rei D. Luís Vasconcellos (1779-90), não havia cais.
As canoas encostavam na praia para descarregarem ou para o transporte de passageiros.

O antigo mercado do peixe da Praça XV, onde é a Bolsa atualmente




No trecho da praça oposto ao Paço dos Governadores, junto ao mar, se formou, ainda na colônia, um mercado cujo produto principal eram os peixes. Além destes, eram trazidas verduras e legumes provenientes de plantações ao redor da baía. O comércio da época, contudo, já sofria com os atravessadores, chamados então de "pombeiros". Como se vê, nem tudo muda.




O velho mercado supria grande parte do consumo local, mas era um local lamentável e imundo, só freqüentado por quem realmente lá necessitava ir. Com a chegada da côrte, a presença incômoda do sujo porém necessário mercado tornou-se cada vez mas insustentável. Entretanto, só em 1834, na Regência, é que se iniciaria a transformação desta praça. Sob o comando de Gradjean de Montigny, da missão artística francesa, é construído um novo mercado, com quatro portões de acesso e muitas lojas, que vendiam todo tipo de mercadoria, desde o esperado peixe até ervas, animais vivos e ferragens. Tornou-se o principal do Rio no século XIX, citado em algumas obras literárias.



O mercado de Montigny foi demolido durante as reformas de Pereira Passos, em favor do Mercado Municipal, inaugurado em 1907 no antigo Largo do Moura. Este último também desapareceu, vítima do elevado da perimetral, a obra que mais agrediu a Praça XV, e que agora também se pensa em demolir, fechando um círculo, de certo modo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Proclamação da Independência do Brasil - D. Pedro (1822).

07 Set - Dia da Pátria
- Proclamação da Independência do Brasil -
D. Pedro I (1822).







7 de setembro, dia da Independência do Brasil, é a mais conhecida e celebrada data nacional.
Está associada à proclamação feita, em 1822, pelo príncipe D. Pedro, às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, acontecimento que teria assinalado o rompimento definitivo dos laços coloniais e políticos com Portugal.



Entretanto, o episódio do Ipiranga não teve repercussão no momento em que ocorreu, pois a separação do Reino europeu não era uma decisão consensualmente aceita pelos diferentes segmentos da sociedade na época.

Tanto o delineamento do Império e da monarquia constitucional quanto o reconhecimento da data de 7 de setembro como marco da história da nação brasileira foram resultado de complexo processo de lutas políticas que tiveram lugar no Rio de Janeiro e nas demais províncias do Brasil durante a primeira metade do século XIX.



Após 1860, a data começou a ganhar importância no calendário de comemorações oficiais do Império, período em que também foram erguidos monumentos em homenagem à fundação da nacionalidade.
Em 1862, foi inaugurada a estátua equestre de D. Pedro I na atual Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro, em honra aos quarenta anos da Independência e à Carta Constitucional de 1824.


Entre 1885 e 1890, realizaram-se, na cidade de São Paulo, as obras de construção do Monumento do Ipiranga, palácio de feições renascentistas, edificado no suposto local do famoso “grito”, e que após a proclamação da República passou a abrigar o Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga. Especialmente para ornamentar esse edifício, Pedro Américo confeccionou, entre 1886 e 1888, o painel Independência ou Morte, imagem emblemática do 7 de setembro.



Com a organização do regime republicano, esse dia passou a figurar como a mais significativa data da história brasileira, sendo festejada anualmente com desfiles militares e outras manifestações.
Essas tradições celebrativas se consolidaram em 1922, por ocasião do Centenário da Independência, momento em que foi oficialmente instituído o Hino Nacional cantado até hoje.


(Trecho do texto de Cecília Salles Oliveira, extraído da obra Dicionário de datas da História do Brasil, organizado por Circe Bittencourt e publicado pela editora Contexto – acervo C Doc Ex)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Coração do Brasil

28/08/2009 - 20:26
Enviado por: Paulo Pacini
JB
Algumas vezes, na história das nações, certos locais têm a capacidade de concentrar a atenção de todo país, tornando-se uma espécie de modelo em escala reduzida, símbolo ou pelo menos um ponto focal para a nacionalidade, servindo como uma baliza para o que se costuma chamar de identidade cultural.
Na história brasileira, houve um logradouro deste tipo, principalmente durante o século XIX. Os pouco mais de duzentos metros tão célebres pertenceram à rua do Ouvidor, no trecho que vai do Largo de São Francisco até a antiga rua dos Ourives (Miguel Couto), antes da abertura da Av. Central.







A elegante e sofisticada Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro de 1900





De nascimento modesto, a conhecida rua nasceu anônimamente ainda no século XVI, nos primeiros tempos da colônia, chamada apenas de "desvio do mar", um caminho que saía da praia que havia onde é a rua Primeiro de Março e se dirigia para o interior. O primeiro nome verdadeiro, ainda nesta época, foi o do então dono das terras, Aleixo Manuel. Mas a partir de 1746 seria rebatizada pela forma pela qual é conhecida até hoje, quando nela passou a residir o Dr. Manuel Amaro Pena de Mesquita Pinto, recém nomeado ouvidor.




Mais uma rua colonial, sofreria sua transformação mais radical após a chegada da côrte, em 1808, e subseqüente abertura dos portos. Um grande número de comerciantes estrangeiros lá se instalou, oferecendo ítens cuja sofisticação era até então desconhecida pelo público local, como tecidos caros, livros, perfumes, lojas de modistas, doces e outros. Para uma colônia sempre isolada do mundo, com mercadorias de péssima qualidade, o início da importação foi um verdadeiro sopro de vida para nossos antepassados, que puderam equiparar seu consumo material e cultural com os de qualquer cidade do mundo.




Com o passar dos anos, a importância da rua do Ouvidor cresceu ainda mais como local da moda, onde se via e onde se era visto. Todas principais figuras do poder a freqüentavam, e não poucas vezes os destinos do país e carreiras foram decididas em conversas nesta passarela do luxo e sofisticação, na qual a elite podia respirar um pouco dos ares parisienses, apesar do calor tropical.




As transformações da paisagem urbana, ocorridas durante o século XX, fizeram com que perdesse seu antigo status, e hoje não existe nenhum logradouro que expresse de forma tão veemente o que a antiga rua do Ouvidor representou, enquanto centro das atenções e talvez até mesmo símbolo de todo um país.



sábado, 29 de agosto de 2009

29 Ago - Nascimento de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o maior escultor brasileiro (1730).

FONTE: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://br.geocities.com/irapuanbarbariz/os_notaveis/o_aleijadinho1.jpg&imgrefurl=http://br.geocities.com/irapuanbarbariz/os_notaveis/o_aleijadinho.htm&usg=__gt0DTuqRP8DSsxkO1p23ouaNwkw=&h=516&w=369&sz=51&hl=pt-BR&start=3&tbnid=lR9LHHzsW8T4KM:&tbnh=131&tbnw=94&prev=/images%3Fq%3DALEIJADINHO%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR

O Aleijadinho


O Mestre Aleijadinho é um dos mais destacados artistas: escultor e arquiteto colonial brasileiro e o mais importante intérprete do barroco.


Antônio Francisco Lisboa nasceu em 29 de agosto de 1730 em Vila Rica, Minas Gerais. Filho de Manuel Francisco da Costa Lisboa, arquiteto português e de Isabel, uma africana, crioula e escrava do próprio Lisboa, que foi libertada por ocasião do batizado de Francisco, que era pardo-escuro, baixo, com cabelos encaracolados, orelhas grandes e beiços grossos.


Sabia ler e escrever e tinha conhecimento de desenho, arquitetura e escultura que obteve na escola prática do pai e também com o desenhista e pintor João Gomes Batista.

Depois de muitos anos de trabalho sob a vista do pai, que era tido como o primeiro arquiteto da província, fez sua carreira de mestre de arquitetura e escultura e, nesta qualidade, excedeu a todos os artistas deste gênero.


Em 1766, recebeu a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto.


Em 1767 seu pai morreu. Com 47 anos de idade teve um filho ao qual deu o mesmo nome do seu pai.


Em 1774 construiu a Igreja de São João Del Rei, em Tiradentes.


Passou a vida no exercício de sua arte, cuidando sempre de ter boa mesa, mulheres e de dançar, até que lhe aparecessem as moléstias que o atacaram fortemente em 1777.


Sofreu com uma série de males que lhe causaram deformidades, paralisias e muitas dores. Antônio Francisco perdeu todos os dedos dos pés, tendo que andar de joelhos, as mãos atrofiaram-se e curvaram, chegando a perder parte delas, as pálpebras inflamaram-se, atrapalhando a visão, perdeu quase todos os dentes, a boca entortou, causando um aspecto asqueroso e medonho. Devido a estas deformidades recebeu o apelido de O Aleijadinho, pelo qual veio a ser conhecido.


Teve 2 fiéis escravos e entalhadores, Maurício e Agostinho, que muito o ajudaram.


Em 1780 recebeu diversas encomendas em Sabará, dentre elas a da ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo.


O artista, já com a doença em estado avançado, trabalhou em Ouro Preto, Sabará, Mariana, Congonhas do Campo, Barão de Cocais, Tiradentes, Nova Lima, Caetés e em vários outros lugares de Minas Gerais.


O Aleijadinho começou esculpindo a madeira, daí os púlpitos, portas, pias batismais, altares e pequenas esculturas, geralmente de santos e anjos gorduchos e sorridentes, ao todo sessenta e seis imagens de madeira esculpidas entre os anos de 1796 a 1799.


Trocou a madeira pela pedra-sabão e esculpiu Os Doze Profetas, uma verdadeira obra-prima, que repartem entre si o espaço externo do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo. Essas esculturas tomaram um aspecto diferente de toda a obra do Grande Mestre e isto se nota nas atitudes, nas mãos e nos traços do rosto dos Profetas, que aparecem como criaturas humanas, homens sofredores, martirizados e mergulhados em oração. Fez também as figuras que compõem Os Passos da Via Crucis que mostram a piedade cristã, sendo ao mesmo tempo obras de arte e de devoção.


São também dele várias esculturas em pedra-sabão de imagens de santos espalhadas por várias igrejas de Minas Gerais.


A perícia do Aleijadinho era indescritível, mesmo sem os dedos das mãos e ajoelhado, trabalhando escondido sob uma tenda ou com um manto que lhe encobria as deformidades, trabalhando a noite e com pouca luminosidade.


A doença que lhe consumia o corpo não apagava o gênio que semeava obras de arte.
Nos seus 2 últimos anos de vida, passou em uma casa miserável, sem sair do leito que era um estrado de 3 tábuas sobre toras de madeira, sempre a ler a Bíblia e a alternar momentos de lucidez com as dores e as chagas que lhe consumiam o corpo.


Em 18 de novembro de 1814, Antônio Francisco Lisboa faleceu em Vila Rica e seu corpo está na Matriz de Antônio Dias em uma sepultura junto ao altar da Nossa Senhora da Boa Morte.