
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
CÍRCULO MONÁRQUICO IMPERATRIZ D. LEOPOLDINA
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A IMPRENSA NACIONAL
JB
Em 1856, um modesto rapaz finalmente conseguia seu primeiro emprego, de auxiliar de tipógrafo, em uma instituição que, apesar existir há poucas décadas, tinha destacada importância.
O recém-empregado era ninguém menos que Machado de Assis, iniciando a vida profissional nas oficinas da Impressão Régia, antecessora da atual Imprensa Nacional.
A história deste órgão inicia com a fuga de D. João e a côrte portuguesa para o Brasil, em 1808, que fez uma encomenda de material tipográfico na Inglaterra ter o endereço de entrega mudado de Lisboa para o Rio de Janeiro.
Antes desses acontecimentos, a Coroa portuguesa impediu qualquer tentativa de estabelecimento de uma imprensa em terras brasileiras, como quando o governador Gomes Freire instalou uma tipografia, destruída a seguir por ordens reais.
O belo prédio no Largo da Carioca, destruído durante o Estado NovoA primeira sede da Impressão Régia localizou-se no pavimento térreo da casa do Conde da Barca, na rua do Passeio 44, transferindo-se a seguir para rua dos Barbonos (Evaristo da Veiga).
Em 1831 estava na Academia de Artes, na av. Passos (demolida), depois na câmara dos deputados, na Misericórdia, para finalmente chegar em 1860 à rua da Guarda Velha (Treze de Maio), no atual Largo da Carioca.
Depois da peregrinação por vários endereços alheios, uma sede própria, enfim.O prédio, contudo, era bastante precário, e, em 1874, o Visconde do Rio Branco, Ministro da Fazenda, ordenou a construção de novas instalações no mesmo local.
Em 1877 era inaugurado o edifício em estilo gótico, projeto de Paula Freitas, tornando-se o mais recente adorno do antigo Largo da Carioca. Situado próximo ao Chafariz (Largo da Carioca nº1), e antes do Teatro Lírico, mais próximo à atual Almirante Barroso, e em frente ao Liceu de Artes e Ofícios, do outro lado da rua, o majestoso prédio foi durante muitas décadas uma referência no Largo.
Um violento incêndio em 1911 fez com que parte do equipamento se dispersasse em outras repartições, mas a sede continuou no mesmo local até os anos 1940, quando foi demolida pelos geniais reformadores urbanos de então, que transformaram o Largo da Carioca em um grande terreno baldio, usado como estacionamento por décadas.
A Imprensa Nacional continuou suas atividades na av. Rodrigues Alves, transferindo-se a seguir para Brasília, em 1960. Mas o belo prédio no Largo da Carioca, que ainda poderia existir, deixou uma marca indelével na história visual do Rio antigo.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
RUA DA IMPERATRIZ
30/10/2009 - 08:12
Enviado por: Paulo Pacini
JB
A expansão da cidade do Rio de Janeiro teve, como uma de suas maiores limitações, as condições do terreno, em sua maior parte alagado, com obstáculos a impedir o escoamento das águas rumo ao mar. Séculos de drenagem acabaram por conferir à trama urbana as características que conhecemos, com seus espaços e ruas.
No final do século XVII, uma pequena área fora do Centro começava a ser ocupada, junto à beira-mar. Recebeu o nome de Valongo, provavelmente crismado por portugueses oriundos do Porto, aos quais aquelas paragens lembravam trechos de sua terra natal. A enseada, uma continuação da linha costeira a partir da Prainha (Praça Mauá), não era de fácil acesso, com sómente duas opções, descendo a partir do Morro da Conceição ou então por uma via que costeava o mesmo morro em meio aos pântanos, que recebeu o nome de Caminho do Valongo. A transformação em rua só viria em 1760, quando parte de sua extensão tornou-se mais praticável.
Durante o vice-reinado do Marquês de Lavradio (1769-79) o local teve grande crescimento, com a transferência do mercado de escravos do Centro da cidade para os armazéns do Valongo, recebendo os desembarcados oriundos da África. Comandado principalmente por ciganos, esta atividade prosperou por muitas décadas, até que o fim do tráfico negreiro, em meados do século XIX, cedeu lugar aos armazéns de exportação e importação.
Mulas e carretas na reformada Rua da Imperatriz de 1906
Em 1843, um acontecimento marcante iria mudar pela primeira vez o nome do antigo caminho, quando, em 3 de setembro, chegava a Imperatriz D. Teresa Cristina, casada por procuração em 30 de maio com D. Pedro II. Para receber condignamente a esposa do monarca, foi feita por Grandjean de Montigny uma reforma completa no cais e no largo, que doravante passaram a ser chamados de Cais e Largo da Imperatriz. A antiga rua do Valongo virou a Rua da Imperatriz, trajeto do cortejo real, lembrando o inesquecível dia de festa na cidade. Em 1890, nova mudança, sendo rebatizada como Rua Camerino, em homenagem a Francisco Camerino, voluntário da pátria morto na guerra do Paraguai em 1866.
Com belos sobrados e a Praça dos Estivadores reurbanizada alguns anos atrás, o antigo caminho tornado rua forma um conjunto harmonioso, com belos sobrados construídos após as reformas de Pereira Passos, há cem anos. Espera-se que o esforço de conservação persista, para que esta região possa ser apreciada da mesma forma daqui a um século.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Criação da Biblioteca Nacional
Criação da Biblioteca Nacional por D. João VI (1810).
A Biblioteca Nacional do Brasil, considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, é também a maior biblioteca da América Latina.
O núcleo original de seu poderoso acervo calculado hoje em cerca de nove milhões de itens é a antiga livraria de D. José organizada sob a inspiração de Diogo Barbosa Machado, Abade de Santo Adrião de Sever, para substituir a Livraria Real, cuja origem remontava às coleções de livros de D. João I e de seu filho D. Duarte, e que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755.
O início do itinerário da Real Biblioteca no Brasil está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência da rainha D. Maria I, de D. João, Príncipe Regente, de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.
O acervo trazido para o Brasil, de sessenta mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março.
A 29 de outubro de 1810, decreto do Príncipe Regente determina que no lugar que serviu de catacumba aos religiosos do Carmo se erija e acomode a Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática, fazendo-se à custa da Fazenda Real toda a despesa conducente ao arranjo e manutenção do referido estabelecimento.
A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
O Brasil é elevado à situação de Principado
27 Out - O Brasil é elevado à situação de Principado - D. João IV (1645).
Durante o reinado de D. João IV, um de seus filhos, Teodósio, recebeu o título de "Príncipe do Brasil", sendo que a partir dessa data (1645).
Desta forma, o Brasil foi elevado à categoria de Principado e ganhamos nossa primeira bandeira particular.
Mesmo assim, não devemos ver essa bandeira como sendo a primeira bandeira de nossa nacionalidade, pois, não éramos uma nação soberana.
A Bandeira do Principado do Brasil tinha fundo branco com uma esfera armilar, encimada por um globo azul, com zona de ouro.
Sobre o globo aparecia a Cruz da Ordem de Cristo.
A esfera armilar que apareceu pela primeira vez na Bandeira Pessoal do rei D. Manuel I.
A esfera, é composta de dez círculos ou armilas.
O primeiro pavilhão elaborado especialmente para o Brasil.
D João IV conferiu a seu filho Teodósio o título de "Príncipe do Brasil", distinção transferida aos demais herdeiros presuntivos da Coroa Lusa.
A Esfera Armilar é muito mais antiga que o Astrolábio (precursor do sextante ), teve sua invenção atribuída a ANAXIMANDRO DE MILETO (611-547 .C.).
sábado, 24 de outubro de 2009
Eufrásia Teixeira Leite
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Eufrásia Teixeira Leite (Vassouras, 1850 — Rio de Janeiro, 1930) foi uma investidora financeira e benemérita brasileira. Deixou em testamento uma fortuna que poderia comprar 1.850 quilos de ouro em preços da época, cuja maior parte foi legada para instituições assistenciais e educacionais da cidade de Vassouras.
Busto de Eufrásia Teixeira Leite nos jardins do Colégio Sul-fluminense de Aplicação
Família e Educação
Era filha caçula do dr. Joaquim José Teixeira Leite e Ana Esméria Correia e Castro, neta paterna do barão de Itambé, neta materna do barão de Campo Belo, sobrinha do barão de Vassouras e sobrinha-neta do barão de Aiuruoca. Tinha uma única irmã, Francisca Bernardina Teixeira Leite(1845-1899) e um irmão que morreu na infância.
Seu pai foi fazendeiro durante a época de riqueza do café na região de Vassouras. A família de seu avô paterno já era muito rica quando mudou-se de Conceição da Barra de Minas para Vassouras. Seu pai e seu tio barão de Vassouras se estabeleceram como capitalistas, fundando, no Rio de Janeiro, a empresa "Casa Teixeira Leite & Sobrinhos" que emprestava dinheiro a juros e realizava intermediações financeiras com os prósperos fazendeiros de café. Por outro lado, a família de sua mãe, era composta somente por ricos plantadores de café.[1]
Recebeu uma educação aristocrática na escola de moças de madame Grivet que existia na localidade de Comércio, hoje Sebastião Lacerda, Vassouras. Além do ensino básico, aprendeu boas maneiras, a falar fluentemente o francês e a tocar piano.[2]
Partida para a Europa
Eufrásia e sua irmã, herdaram, em 1872, com a morte de seus pais, a fortuna de 767:937$876 réis (767 contos, novecentos e trinta e sete mil, oitocentos e setenta e seis réis), o que equivalia na época à dotação pessoal do imperador D. Pedro II ou a 5% das exportaçoes brasileiras. Logo depois, em 1873, morreu sua avó, a baronesa de Campo Belo, e as irmãs receberam mais 106:848$886 (cento e seis contos, oitocentos e quarenta e oito mil e oitocentos e oitenta e seis réis) que lhes cabia como parte da herança, na forma de títulos, débito bancário e escravos, que logo foram vendidos.[3]
Na época, a região de Vassouras entrava em decadência devido ao esgotamento do solo e envelhecimento dos escravos, mas os bens das irmãs não eram fazendas de café; possuíam apólices de títulos da Dívida Pública do Empréstimo Nacional de 1868, ações do Banco do Brasil, depósitos bancários, títulos de crédito de pessoas, apenas 12 escravos, uma casa no Rio de Janeiro e uma grande propriedade urbana em Vassouras, atualmente conhecida como Casa da Hera ou Chácara da Hera, onde residiam com seus pais.[2]
Jovens e solteiras, as irmãs venderam ações, títulos e a casa do Rio de Janeiro, cobraram créditos, alforriaram os escravos, fecharam a casa da chácara com dois empregados incumbidos de sua conservação, e partiram, em 1873, para residir em Paris.
Romance com Joaquim Nabuco
Eufrásia Teixeira Leite aos 30 anos de idade
Eufrásia, além de inteligente e hábil com negócios, foi uma mulher muito bela como mostram diversos quadros e retratos.
Quando viajou para a Europa, conheceu no navio o diplomata Joaquim Nabuco e iniciou um namoro com este. As cartas amorosas que recebeu de Joaquim Nabuco foram, diz a tradição, por expressas instruções dela, encerradas em seu caixão mortuário. No entanto, as cartas e bilhetes que enviou a Joaquim Nabuco estão guardadas no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, em Recife. Algumas sugerem que algo muito íntimo, além dos padrões da época, ocorreu entre os dois.[4]
A maior parte do namoro ocorreu na Europa, onde Eufrásia tinha interesses financeiros e mundanos. Joaquim Nabuco, porém, tinha ambições políticas no Brasil, de modo que não conseguiram concretizar o relacionamento. O romance durou de 1873 até 1887, quando Eufrásia remeteu a última carta para Joaquim Nabuco, dois anos antes deste se casar com outra.
Vida na Europa
Eufrásia tinha o espírito empresarial da família e investiu sua fortuna e a da irmã em vários países europeus, comprando ações de empresas que produziam as novas tecnologias da segunda Revolução Industrial e participando da internacionalização de capitais que ocorria na época. Consta ter sido a primeira mulher a entrar no recinto da Bolsa de Valores de Paris.
Instalou-se em Paris, residindo depois de 1884 com a irmã em um hôtel particulier de cinco andares, na rue Bassano 40, 8º arrondissement, próximo ao Arco do Triunfo, endereço sofisticado até os dias atuais.[2] As irmãs viviam uma vida recatadas, mas participavam da vida social parisiense. Eufrásia integrou o círculo das amizades mais próximas da Princesa Isabel, quando esta estava já no exílio na França.
Sua irmã, Francisca Bernardina, tinha uma séria deformação na bacia e morreu em 1899, em Paris, sem ter casado. Assim, Eufrásia herdou também a fortuna da irmã.[4]
Entre 1874 e 1928 veio somente duas vezes ao Brasil.[2] Viajou pelo mundo. Viu a Primeira Guerra Mundial na Europa e lamentou os danos causados aos prédios.
Retorno e Morte no Brasil
Eufrásia Teixeira Leite
Foto do obituário dos jornais no dia seguinte de sua morte
Retornou definitivamente para o Brasil em 1928 e a passou temporadas na Casa da Hera em Vassouras. Mantinha-se quase como reclusa, tanto que até comprou, em 1924 a chácara Dr. Calvet, ao lado da chácara da Hera,[3] apenas para manter longe os vizinhos.
Viveu seus últimos anos no Rio de Janeiro em um apartamento em Copacabana, cercada de empregados fiéis, excêntrica e solitária. Queria retornar para Paris, mas tinha problemas renais que a impediram de viajar.
Sem "descendentes nem ascendentes", seu primeiro testamento legava toda sua fortuna para o Instituto das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, instituição católica com sede em Roma, na Itália, mas que geria diversos estabelecimentos de instrução no Brasil.[3] Um segundo testamento, feito as vésperas de sua morte, legou praticamente toda sua fortuna para obras de caridade a serem realizadas por instituições da cidade de Vassouras.
Foi enterrada no Rio de Janeiro, mas, posteriormente, os seus ossos foram exumados e enterrados no mausoléu de seu avô, o primeiro barão de Itambé, em Vassouras. O local não tem lápide indicativa de onde estão seus ossos.
O Testamento
Disputas Judiciais
No dia da sua morte, um primo distante de Eufrásia, Antônio José Fernandes Júnior, praticamente furtou o original do seu testamento da cabeceira da sua cama a fim de evitar que ele fosse extraviado pelos outros parentes.
Foram nomeados quatro inventariantes para o espólio de Eufrásia, porém um logo morreu e outro pediu para que se retirasse seu nome. Restaram apenas os irmãos Antônio José Fernandes Júnior, que inventariou os bens do Brasil, e Raul Fernandes que inventariou os bens do exterior.[3]
O testamento foi contestado judicialmente pelas primas Umbelina Teixeira Leite dos Santos Silva, baronesa de São Geraldo, Cristina Teixeira Leite d´Escragnolle Taunay, viscondessa de Taunay, e Francisca Teixeira Leite Brhuns. A elas juntaram-se outros primos do lado paterno de Eufrásia, representados por advogados que também eram da família Teixeira Leite. Os advogados destes herdeiros deserdados alegaram a insanidade de Eufrásia devido a "uma moléstia crônica [de rins (sic)], de natureza gravíssima, que se veio processando com lentidão, aniquilando a paciente não só fisicamente como também mentalmente".[4] Entretanto, as cartas que Eufrásia escreveu pessoalmente nos meses antes de morrer provam que ela se mantinha, aos 80 anos, completamente lúcida e ainda gerindo seus negócios.
Os herdeiros da família Teixeira Leite foram judicialmente derrotados pelos inventariantes, os irmãos Antonio José e Raul Fernandes, que eram advogados, em um confronto que durou seis anos.
Em agosto de 1937, quando os herdeiros deserdados da família Teixeira Leite tentaram reabrir o processo judicial de impugnação do testamento, a população de Vassouras revoltou-se, fechou o comércio, cercou o fórum durante as audiências e ameaçou os advogados. A polícia foi chamada pelo juiz, mas o delegado disse que os policiais tinham saído da cidade.[4] Os advogados fugiram pelos fundos do fórum e os incidentes pararam, felizmente, aí..[3] Um decreto presidencial, feito em plena ditadura de Getúlio Vargas, regulou que em todos casos somente podiam herdar os parentes colaterais até segundo grau, o que então calou parte dos herdeiros deserdados.
Apesar disto, os primos do lado materno, os Correa e Castro, conseguiram obter uma parte da herança alegando o testamento de D. Ana Esméria, a mãe de Eufrásia, feito em 1872. Segundo este, se Eufrásia e a irmã morressem solteiras e sem filhos, uma parte dos bens de D. Ana Esméria anexados à herança das filhas deveria passar para algumas de suas sobrinhas. Com isto, a Justiça decidiu pela distribuição de valores da herança de Eufrásia para os inúmeros herdeiros descendentes destas primas Correa e Castro.[3]
Durante mais de vinte anos, os irmãos Antônio José e Raul Fernandes atuaram como testamenteiros. O documento resultante abrange 30 volumes de manuscritos que estão depositados no Centro de Documentação Histórica de Vassouras.[4]
Inventário da Herança
A fortuna que Eufrásia tinha herdado dos pais, da avó e da irmã, tinha crescido muito com seus investimentos, apesar da grande depressão de 1929 e das perdas de com empresas russas confiscadas pela revolução comunista de 1917. Era tão grande que o testado de óbito de Eufrásia registra que exercia a profissão de "milionária".[2]
O espólio tinha um valor estimado em 37 milhões de réis, o que poderia comprar 1.850 quilos de ouro na época. A maior parte eram ações de 297 empresas em dez países diferentes, além de títulos de dívidas de governos. Partes menores eram a casa em Paris (que na época valia 2 milhões de francos, e atualmente valeria mais de 10 milhões de euros)e um loteamento de 49 terrenos na atual rua Pompeu Loureiro em plena época de crescimento imobiliário de Copacabana.[4] O menos valioso dos bens imóveis legados foi provavelmente a Casa da Hera, com seus móveis, decoração e utensílios domésticos, avaliada em 96:700$000 (noventa e seis contos e setecentos mil réis), cuja área tinha sido aumentada com a compra da chácara Dr. Calvet, avaliada em 44:050$000 (quarenta e quatro contos e cinquenta mil réis).
40,Rue de Bassano 75008 Paris, France, antiga residência de Eufrásia Teixeira Leite em Paris proxima ao Champs Elisè.
Herdeiros
Os principais herdeiros de Eufrásia foram a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras, o Instituto das Missionárias do Sagrado Coração e o Colégio Salesiano de Santa Rosa de Niterói.[2] Os dois últimos deveriam fundar dois colégios para meninas e meninos pobres, cada um mantendo cinqüenta órfãs e órfãos, e outros estudantes pagantes. O Colégio Salesiano de Santa Rosa de Niterói recusou a incumbência e sua parte, conforme o testamento, foi passada para a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras.
Valores menores foram legados para a Fundação Osvaldo Cruz, o agente de Eufrásia em Paris, alguns primos, empregados domésticos, além de dinheiro em espécie para os pobres de Vassouras e para os mendigos que moravam na rua em que residiu em Paris..[2]
As cartas que enviava para seus empregados mostram que eram bastante autoritária e detalhista nos seus pedidos, entretanto pagava a todos muito bem. Todos seus empregados receberam boas doações em vida ou legados no seu testamento. Para um ex-escravo, doou em vida uma casa no Rio de Janeiro. A filha deste escravo, Cecília Bonfim, que também foi sua empregada, afilhada e herdeira, repetiu o seu gesto e deixou um testamento legando seu bens aos pobres de Vassouras.[4]
Resultados da Herança
Chácara da Hera,
antiga residência de Eufrásia Teixeira Leite em Vassouras
Nos terrenos deixados por Eufrásia em Vassouras foram construídos o Instituto Feminino para moças pobres, o colégio Regina Coeli para moças, o SENAI, o atual Fórum, delegacia, e muitos outros prédios. O Hospital Eufrásia Teixeira Leite foi construído com os recursos que legou.
O testamento de Eufrásia tem várias exigências que prejudicaram o atingimento dos seus objetivos devido a fatos imprevisíveis no futuro. Todos os bens foram legados sob cláusulas de inalienabilidade e da insubrogabilidade que deviam protegê-los. Os valores obtidos com as vendas das ações foram aplicados em apólices do Tesouro Nacional, cujos juros deveriam financiar as instituições criadas como o Instituto Feminino e o hospital. Entretanto, a hiperinflação brasileira destruiu o valor original das apólices do Tesouro Nacional. Como resultado, a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras e o Hospital Eufrásia Teixeira Leite passam hoje por séria crise financeira.
Uma das cláusulas do testamento de Eufrásia pedia "conservar a Chácara da Hera com tudo que nela existisse no mesmo estado de conservação, não podendo ocupar ou permitir que fosse ocupada por outros".[3] Assim, a residência construída por seus pais em Vassouras é hoje o Museu Casa da Hera, considerado o melhor exemplo preservado de habitação urbana de famílias ricas do vale do Paraíba do Sul no século XIX.
Referências
↑ STEIN, Stanley J.; Vassouras: Um Município Brasileiro do Café, 1850-1910. Rio de Janeiro, editora Nova Fronteira, 1990.
↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 FALCI, Miridan Britto Knox; MELO, Hildete Pereira. Riqueza e emancipação: Eufrásia Teixeira Leite, uma análise de gênero.
↑ 3,0 3,1 3,2 3,3 3,4 3,5 3,6 MELO, Hildete Pereira de; FALCI, Miridan Britto Knox. Eufrásia Teixeira Leite: O Destino de uma Herança
↑ 4,0 4,1 4,2 4,3 4,4 4,5 4,6 CORRÊA, Marcos Sá. Os Órfãos de Eufrásia. Revista Piauí, abril de 2008
Ver também
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