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segunda-feira, 12 de abril de 2010

RUA DA CARIOCA



12/04/2010 - 06:30 Enviado por: Paulo Pacini


No interior de qualquer grande cidade, sempre há um conjunto de localidades que, de algum modo, refletem a essência deste centro urbano, forjada a partir do encontro secular das pessoas com o lugar e que define sua individualidade e marca característica.


No Rio de Janeiro do século XIX, algumas ruas eram tidas como melhores representantes, por exemplo, a Gonçalves Dias, a Riachuelo e até mesmo a do Ouvidor, a passarela da moda.


Contudo, preferências à parte, só uma delas tinha como nome o adjetivo que caracteriza tudo que aqui se origina.


É a antiga e atual Rua da Carioca.


Sua trajetória começa no século XVII, não passando de um caminho que margeava o morro de Santo Antônio, evitando o terreno alagado para chegar ao Campo da Cidade, onde é atualmente a Praça Tiradentes.


Em algumas décadas, recebia seu primeiro nome, o de Caminho (depois rua) do Egito, conferido a partir de um oratório próximo a seu início, dedicado à fuga da Sagrada Família para o Egito.


Nesta época, só havia um punhado de casas do lado direito, pois junto à encosta ficava a cerca do convento, delimitando a propriedade dos franciscanos.


Eis que, no final deste século, nela fez residência um conhecido procurador de causas, que, andando incessantemente pelos tribunais à busca de questões, recebeu de seus rivais o apelido de "piolho".


Sua fama, aliada ao fato de possuir alguns imóveis na rua, acabou mudando o nome desta, que passou a ser conhecida como "do Piolho" em medos do século XVIII.


Nessa ocasião, a via ganhou seu lado esquerdo, após a cessão feita pelo convento de Santo Antônio de uma faixa de terreno junto ao morro.




Rua da Carioca ainda em reformas, no início do século XX


A inauguração do chafariz da Carioca em 1723 fez com que o nome do rio que abastecia a cidade se estendesse à região da antiga lagoa de Santo Antônio, drenada e doravante conhecida como Largo da Carioca.


Apesar dessa influência, persistia o nome da vizinha rua do Piolho, até que, finalmente, a Câmara Municipal o muda em 1848 para o atual, da Carioca.


Originalmente uma rua de feições coloniais, sofreu grande transformação a partir de 1904/5, quando foi alargada para 17 metros, durante as reformas efetuadas na gestão de Pereira Passos na prefeitura.


A maioria dos prédios atuais datam da época dessa reurbanização, já centenária.


Dotada de comércio diversificado e de qualidade desde o século XIX, representado por lojas de instrumentos musicais, bolsas e malas, ópticas, livrarias e outras, conseguiu manter esta tradição até hoje em dia, apesar das grandes mudanças sofridas pelo centro da cidade.


Nela se encontra um dos poucos cinemas remanescentes dos tempos mais antigos, o Íris, além do Bar Luiz, um dos mais notórios e celebrados do Rio de Janeiro, utilizado como locação no filme "Bar Esperança" de 1983, com Maríla Pera e Hugo Carvana.


Com longo e rico passado, esta rua continua sendo uma das mais conhecidas e representativas daquilo que é tipicamente carioca, um modo de ser e viver único, patrimônio imaterial transmitido a cada nova geração.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ABDICAÇÃO DE D. PEDRO I

D. PEDRO II



- Criação do Arquivo Militar (1808).



- Abdicação de D. Pedro I.




Nomeação da Regência Provisória (1831).

segunda-feira, 5 de abril de 2010

REGATAS DE BOTAFOGO



05/04/2010 - 07:36 Enviado por: Paulo Pacini


Nada era mais estranho à juventude carioca do século XIX que a prática de esportes.


Ao contrário de hoje, o esforço físico era tido como prejudicial e sempre que possível evitado para proteger a saúde, pois qualquer enfermidade podia tornar-se fatal.


As poucas exceções à regra provinham de indivíduos ligados às forças armadas ou à canoagem na baía de Guanabara, cuja origem se perdia no tempo, sendo muito anterior à chegada dos colonizadores portugueses.


As primeiras disputas da modalidade se deram em torno de 1850, por iniciativa de alguns adeptos.


Um dos registros mais antigos é de 1846, com uma regata entre duas canoas de Jurujuba à praia de Santa Luzia, no Rio.


Uma curiosidade para a época, este tipo de competição se repetiria esporadicamente, como em 1851, 1855, 1862 e 1888.


Ao se aproximar o final do século, o esporte ganha popularidade, coincidindo com a fundação de alguns dos clubes mais conhecidos, como Flamengo, Botafogo e Vasco, que posteriormente desenvolveriam sua divisão de futebol.


Outros, famosos na época, como o Boqueirão do Passeio, iriam desaparecer.





Domingo de festa, regata em Botafogo na década de 1910


Neste tempo, a enseada de Botafogo era a preferida dos esportistas. Águas relativamente calmas e proximidade com o centro da cidade, onde estavam as sedes da maioria dos clubes, consagraram o local.


Na praia, uma estreita faixa de areia recebia os barcos após as regatas, tendo à sua volta um público empolgado, cuja presença conferia mais brilho aos eventos.


Mas em realidade ainda se lidava com a improvisação, pois eram necessários investimentos mínimos em infraestrutura para maior sucesso dos espetáculos.


Tal ocorreria no início do século seguinte, sob o comando de Pereira Passos na prefeitura do Distrito Federal.


No processo de urbanização da orla, do centro à zona sul, a linha costeira foi retificada no Flamengo e em Botafogo, e construída a avenida Beira-Mar.


Do traçado original, o mar recuou dezenas de metros em Botafogo, através de um grande aterro.


Foram construídas pistas de acesso e jardins, e, junto à orla, um muro de pedra que resistisse às imprevisíveis ressacas.


Coroando a obra, em 1905, foi erigido um pavilhão no meio da enseada, com elegante estrutura metálica.


Ponto de chegada das regatas aos domingos, esta novidade contribuiu para o fim do preconceito contra a modalidade, que passou a atrair a elite da sociedade, cujos filhos adotariam o esporte que décadas antes era tido como atividade socialmente inferior e inadmissível.


O pavilhão de Passos testemunhou inúmeros eventos, como o primeiro Campeonato de Remadores do Brasil, em 1911, disputado com barcos de quatro remos e vencido pelo Rio de Janeiro, e uma regata internacional em 1922, em comemoração ao centenário da Independência.


A partir de 1927, as competições seriam disputadas na Lagoa Rodrigo de Freitas, levando a seu abandono e desaparecimento.


Suas imagens, contudo, permanecem como testemunho do nascimento esporte como atividade popular e indissociável da vida moderna do Rio de Janeiro.

MEMÓRIA DO RIO




Livro de arquiteta conta o deslocamento do poder no Rio pelo tempo


Carolina Monteiro e Flávio Dilascio, Jornal do Brasil


RIO DE JANEIRO - O atual Centro do Rio é na verdade a interseção de áreas que foram o coração da cidade em três períodos diferentes.

A explicação sobre essas mudanças e as relações de poder que as permearam está em um estudo da arquiteta Rachel Sisson, publicado em 1986 e relançado agora no livro Espaço e poder – os três centros do Rio .

O primeiro centro da cidade, ainda na época colonial e de Reino Unido a Portugal, foi a Praça 15. Uma das vantagens da região era a proximidade com o mar, ou seja, um caminho direto para Lisboa e para o resto do mundo.


– A Praça 15 reunia os prédios mais representativos do poder, entre os quais podemos destacar o Palácio e a Catedral da Sé – comenta Rachel.


A área chegou, inclusive, a ser o centro do império português, quando dom João VI veio para o Brasil, em 1808.


Na Praça 15, estavam reunidos os poderes civil, comercial, político, militar e religioso.


Assim como construções de uso e dimensões especiais que se tornaram marcos.


No período monárquico, o centro do
Rio de Janeiro passou a ser o Campo de Santana.

Àquela época, a área do então centro da cidade ia muito além da que vemos hoje na Praça da República.


O campo de Santana ia até onde é hoje a Central do Brasil. Ali, estava a Igreja de Santana, que deu nome ao espaço.


Segundo a autora, entre as edificações representativas do poder imperial na época, estavam a sede para o Senado da Câmara, que abrigou também a Câmara Municipal e o Supremo Tribunal de Justiça.


– Alguns momentos marcantes da história brasileira aconteceram no Campo de Santana, como a aclamação de dom Pedro I como Imperador Constitucional do Brasil e o seu casamento com Dona Leopoldina.


Os centros se caracterizam por marcos do poder civil, religioso e militar – diz a autora do livro.


O último centro do Rio de Janeiro antes da transferência da capital para Brasília foi a Praça Floriano, mais conhecida como Cinelândia.


Um fator que favoreceu de forma determinante a mudança para lá foi a construção da avenida Central, hoje Rio Branco.


Além da nova via, a transferência do eixo para a Praça Floriano foi resultado da ação do poder vigente, que edificou no local a Câmara Municipal, o Palácio Monroe, a Biblioteca Nacional, o Teatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes.


A convergência da avenida Central com a avenida Beira-Mar indicou um novo eixo de expansão do Rio, em direção à Zona Sul, que englobava os bairros preferidos pela elite.


– Achei interessante como o conhecimento dos fatores determinantes na estrutura física do Rio consolida a imagem e o significado do Centro como o conhecemos hoje – comenta a filha da autora, Marta Prochnik, que teve a iniciativa da publicação do texto como livro, pela editora Arcos.


22:44 - 04/04/2010

sábado, 3 de abril de 2010

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PREFEITURA DO RIO E IPHAN PRESERVANDO A HISTÓRIA E O PATRIMÔNIO


Patrimônio


Vidros, câmeras e outros equipamentos tentam evitar vandalismo contra monumentos


Publicada em 02/04/2010 às 23h45m


Isabela Bastos, Jacqueline Costa e Taís Mendes

O GLOBO



RIO - Vítima dos mais insanos atos de vandalismo e de furtos constantes, o patrimônio público precisa de cada vez mais proteção.

Monitoramento por câmeras, reforço de vigilantes, grades, telas e, agora, até um paredão de vidro temperado.


Esses são os meios que o poder público encontrou para evitar que monumentos históricos sejam destruídos.


Um dos casos mais recentes é o do Campo de Santana, no Centro, onde a prefeitura começou a instalar 19 câmeras de segurança para esquadrinhar os 150 mil metros quadrados da área verde, como noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO.


A instalação das câmeras, ainda de acordo com a subprefeitura, foi decidida após inúmeros episódios de assaltos dentro do parque, sobretudo na Escola municipal Campos Salles, arrombada diversas vezes somente este ano por bandidos que furtaram material escolar e equipamentos.


As câmeras no Campo de Santana fazem parte do esforço da prefeitura em tornar o Centro mais seguro.


A região deverá ser uma das mais privilegiadas pelo projeto da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) para a instalação de 400 câmeras de segurança em toda a cidade, com recursos do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci).


A Seop pretende instalar uma das cinco novas inspetorias da Guarda Municipal na praça em frente à Central do Brasil, próximo ao Campo de Santana.


Já o Chafariz da Glória (uma bica colonial desativada), desde que começou a ser restaurado, em setembro passado, foi alvo de vândalos por três vezes. O ataque mais recente ocorreu na noite de terça-feira, quando os tapumes da obra foram destruídos.


Há cerca de duas semanas, o crime foi pior: o monumento teve partes pintadas por fezes.


Por conta da dificuldade para concluir a restauração e para garantir a preservação do chafariz, de 1772, o superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade, decidiu proteger o monumento com o paredão de vidro temperado.



Vândalos também roubaram, no último dia 11, quatro pilares das luminárias da murada que cerca os jardins do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista.


Segundo guardas municipais, os ladrões quebraram parte da murada para retirar os postes de ferro.


Os pilares (três inteiros e um quebrado) foram encontrados escondidos sob plásticos e galhos na área do parque.


Tombada pelo Iphan, a murada não é restaurada desde sua construção, em 1912.


Está com rachaduras e vários balaústres quebrados. A FPJ, responsável pela administração da Quinta, elaborou um plano de ações que prevê obras de paisagismo, urbanismo e a restauração de monumentos, pontes e gradis em todo o parque.


A obra, orçada em R$ 17 milhões, ainda não tem data para começar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

D. JOÃO VI CRIA O NOVO BANCO DO BRASIL


02 Abr - Inauguração do atual Banco do Brasil


(1854).


Foi criado o primeiro Banco do Brasil em 12 de outubro de 1808 pelo Rei D. João VI, por sugestão do Conde de Linhares, Rodrigo de Sousa Coutinho, num conjunto de ações que visavam a criação de indústrias manufatureiras no Brasil, incluindo isenções de impostos para importação de matérias-primas e de exportação de produtos industrializados.[5]


Instalou-se inicialmente na Rua Direita, esquina com Rua de São Pedro, no Rio de Janeiro, com 1 mil e 200 contos de réis de capital. Funcionando como uma espécie de banco central misto, foi o quarto banco emissor do mundo, depois do Banco da Suécia (1668), Banco da Inglaterra (1694) e Banco da França (1800).

Primeiro bilhete de banco, emitido pelo Banco do Brasil em 1810.

Com o saque de vultosa quantia e o retorno de D. João VI para Portugal, esse primeiro Banco do Brasil veio a falir em
1829.

Anos mais tarde, Irineu Evangelista de Sousa, que viria a ser Barão e Visconde de Mauá, criou em 1851 uma nova instituição denominada Banco do Brasil. Como antes, também nascida de um lançamento público, dessa vez com um capital de 10.000 contos de réis. Esse valor era considerado elevado para a época e o mais vultoso entre os das sociedades existentes na América Latina. Nesse segundo Banco do Brasil há uma forte carga simbólica de suas ligações permanentes com o mercado de capitais. As reuniões preparatórias e a assembleia de constituição se realizaram no salão da Bolsa do Rio de Janeiro.


Já em 1853, o Banco do Brasil de Mauá se fundiria com o Banco Comercial do Rio de Janeiro, por uma determinação legislativa liderada pelo Visconde de Itaboraí, considerado o fundador do Banco de hoje.


As primeiras linhas de Crédito Rural do Banco do Brasil datam da década de 1890 do século XIX.


Até a criação do

Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil era emissor de moeda.

Alvará


O
alvará que criou o Banco do Brasil e sancionou seus estatutos, por influência do Conde de Linhares, dizia:



"Eu o Príncipe, atendendo a não permitirem as atuais circunstâncias do Estado que o meu

Real Erário possa realizar os fundos, de que depende a manutenção da monarquia e o bem comum dos meus vassalos, etc; a que os bilhetes dos direitos das alfândegas tendo certos prazos nos seus pagamentos, ainda que sejam de um crédito estabelecido, não são próprios para o pagamento de soldos, ordenados, juros e pensões que constituem os alimentos do corpo político do Estado, os quais devem ser pagos nos seus vencimentos em moeda corrente; a que os obstáculos que a falta de giro dos signos representativos dos valores põem ao comércio, etc. animando e promovendo as transações mercantis dos negociantes desta e das mais praças dos meus domínios e senhorios com as estrangeiras; sou servido ordenar que nesta capital se estabeleça um Banco Público que na forma dos estatutos que baixo, assinados por D. Fernando José de Portugal, do meu Conselho de Estado, ministro assistente ao despacho do gabinete, presidente do Real Erário e secretário de Estado dos negócios do Brasil, etc. Determino que os saques dos fundos do meu Real Erário e as vendas dos gêneros privativos dos contratos e administração da minha Real Fazenda, como são os diamantes, pau-brasil, o marfim e a urzela, se façam pela intervenção do referido Banco Nacional, vencendo sobre o seu líquido produto a comissão de 2% além do prêmio do rebate dos escritos da Alfândega que fui mandado praticar pelo Erário Real. Ordeno que se haja por extinto o cofre de depósito que havia nesta cidade a cargo da Câmara dela; e determino que no referido Banco se faça todo e qualquer depósito judicial ou extrajudicial de prata, ouro, joias e dinheiro".


Capital


A aparência era de estabelecimento

mercantil, mas estava destinado a servir imediatamente ao Governo não como agente em algumas de suas transações financiais de importância mas principalmente prestando-lhe auxílio de crédito em circunstâncias extraordinárias, em razão de gozarem as suas notas de foro de moeda legal. O capital inicial era modesto, 1.200 contos de réis divididos em 1.200 ações de um conto de réis, por prazo de 20 anos. Havia necessidade de conseguir os fundos para a manutenção da Monarquia, facilitar o pagamento de soldos, ordenados, juros e pensões, engrandecendo o crédito público, e sobretudo promover as transações mercantis, erigindo outra fonte de riqueza. Principiou assim como banco de depósitos, descontos e emissão, misto, sociedade particular, com autorização para aumentar o capital. A responsabilidade do acionista era limitada ao montante da ação.

Sua administração foi exercida por uma Assembleia de 40 capitalistas portugueses, seus acionistas, uma Junta de 10 membros renováveis a metade cada ano, e uma Diretoria de quatro Membros, renováveis no mesmo período. Só possuía voto deliberativo cada portador de cinco ou mais ações. Como banco comercial, se encarregou do desconto de letras de câmbio, comissões por cobranças, adiantamentos e hipotecas, depósitos de valores, vencendo juros e venda de produtos monopolizados pela Coroa.


Suas operações monetárias consistiam em emissão de notas bancarias e letras a vista ou prazo fixo, operações cambiais de saque e remessa e operações de compra e venda de ouro e prata.


O sistema monetário assim criado consistia em moeda de papel conversível à vista em moeda metálica de ouro e prata, tendo como nota mínima o valor de 30$000, para se evitar que as notas circulassem em pequenas transações, limitando-se a pagamentos elevados no comércio atacadista sem quase circular no varejista. Houve porém resistência na praça do Rio à subscrição de ações.


FONTE: Wikipédia