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domingo, 11 de março de 2012

O PATRIMÔNIO HISTÓRICO DEPREDADO, FALTA EDUCAÇÃO E CULTURA !


Igrejas históricas do Centro do Rio são alvo de pichações


Três delas são tombadas pelo Iphan. Todas têm pelo menos 200 anos de idade


Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, erguida no século XVIII, com a lateral pichada
Foto: Foto da leitora Bluna Teixeira / Eu-Repórter
Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, erguida no século XVIII, com a lateral pichada Foto da leitora Bluna Teixeira / Eu-Repórter
RIO - Lembranças concretas da história do Rio e lugares de cultivo da fé para muitos cariocas, igrejas do Centro têm sido alvo de atos de desrespeito que não fazem jus à sua importância. Durante a última semana, a leitora Bluna Teixeira registrou pichações nas igrejas de Nossa Senhora da Candelária, da Ordem Terceira do Carmo, de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos - estas três tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan) - e de São Gonçalo Garcia e São Jorge.
Nenhuma dessas quatro igrejas está de pé há menos de 200 anos. Segundo o Iphan, a da Candelária começou a ser erguida em 1775, e foi concluída só no século XIX. Teve sua primeira missa celebrada em 1811. As obras de construção da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Primeiro de Março, são anteriores, tendo início em 1755. Os campanários das torres só foram terminados quase cem anos depois, em 1850. A da Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, na Rua da Uruguaiana, é ainda mais antiga: já estava praticamente pronta em 1737. E a igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge foi construída e concluída durante a segunda metade do século XVIII.
Talvez por terem sido erguidas há tanto tempo, as igrejas não estavam preparadas para lidar com os vândalos do século XXI. A tinta disparada pelos pichadores já danifica, por si só, as pedras usadas nas construções. E a limpeza das pichações, caso feita de forma incorreta, pode causar uma deterioração ainda maior:
- Pode parecer contraditório, mas quanto mais as pedras são limpas, mais elas se desgastam. A limpeza pode ser muito agressiva por causa dos produtos químicos que são usados. Às vezes, é melhor não limpar que fazê-lo de qualquer jeito - explica a arquiteta Catherine Gallois, especialista em elementos pétreos aqui do Iphan.
O ideal, segundo Catherine, é limpar as pichações o mais rapidamente possível, pois assim fica mais fácil de removê-las; ou seja, menos produtos químicos precisam ser utilizados. Se usados sem o devido cuidado, eles podem desgastar ainda mais as antigas superfícies, já afetadas pelo tempo e pela poluição deixada no ar pelos veículos. Por isso, é preciso usar mão de obra especializada:
- Há alternativas melhores, como a aplicação de ceras para proteger as pedras de eventuais pichações. Caso a pedra seja pichada, é possível remover a tinta usando jatos de vapor d’água sobre a camada protetora. Mas essas tecnologias são importadas, ainda são muito caras - conta a arquiteta.
A responsabilidade pela manutenção de bens tombados fica a cargo de seus donos ou mantenedores; no caso das igrejas, as irmandades. A da Ordem Terceira do Carmo foi a única a responder à reportagem:
- Está prevista para agosto uma reforma da igreja. Então, devemos resolver o problema das pichações - disse Luiz Roberto Melo, supervisor da igreja.
O GLOBO não conseguiu contato com as igrejas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos e com a de São Gonçalo Garcia e São Jorge. A igreja de Nossa Senhora da Candelária foi contatada, mas seus responsáveis não foram localizados para comentar o problema das pichações.


PALÁCIO GUANABARA É PATRIMÔNIO DOS ORLEANS E BRAGANÇA !


Palácio Guanabara, a última joia da Coroa


Ação sobre posse iniciada pela Princesa Isabel há 117 anos mantém viva a rixa entre monarquia e República

Publicado:

A princesa Isabel e o Conde D’Eu, em 1865, na foto antiga
Foto: Acervo do Museu Imperial/Ibram/MinC
A princesa Isabel e o Conde D’Eu, em 1865, na foto antiga Acervo do Museu Imperial/Ibram/MinC
RIO - Quando foram morar no Paço Isabel, em Laranjeiras, logo após o casamento, a Princesa Isabel de Orleans e Bragança e o Conde D’Eu não podiam imaginar que a nobre residência viraria uma das maiores pendengas da história da Justiça brasileira. Despossuídas de coroa e trono, as gerações dos Orleans e Bragança herdaram do casal um processo que acumula mais de mil páginas nos tribunais superiores e se arrasta há 117 anos. Mesmo com a morosidade do Judiciário, as partes continuam acompanhando o caso, que envolve o Palácio Guanabara, antigo palácio da Princesa Isabel, confiscado pela República após a sua proclamação, em 15 de novembro de 1889.

Recursos serão apreciados no STJ e STF

A princesa e o conde classficaram o ato, em 1894, como esbulho, e, no seguinte, em 24 de setembro, entraram na Justiça para reaver a posse da propriedade. Nenhum dos dois viveu para ver um desfecho dessa história. Algumas decisões — de primeira instância, em 1897, e do Tribunal Regional Federal (TRF), em 1996, as duas a favor da União e do Estado do Rio — e recursos depois, o caso continua em aberto, agora à espera de julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação da princesa se somou a outra impetrada por seu neto Pedro Henrique de Orleans e Bragança, em 1955, que pedia a posse do palácio ou indenização.

Os recursos da família relativos às duas ações serão apreciadas ao mesmo tempo pelo STJ. Há dois no STJ e um no STF.

Bisneto de Isabel, o advogado Alberto de Orleans e Bragança, também professor de Direito, é quem acompanha hoje o andamento do processo. Ele diz que a propriedade foi invadida e tomada a força por tropas militares, que expulsaram os empregados. A família estava no exílio na Europa.

— Tomaram uma propriedade de maneira ilegal, violenta, e isso nunca foi resolvido nos tribunais. A família não depende disso, mas se a ação está aberta tem que ser julgada — defende o advogado, monarquista e um dos 12 filhos de Pedro Henrique de Orleans e Bragança.

Já o governo estadual, que entrou no caso após receber o palácio da União (em 1960, quando Estado da Guanabara), nega o direito reivindicado há mais de cem anos pelo casal:

— Os prédios eram do patrimônio nacional. O direito do casal era apenas de habitação, enquanto houvesse o título monárquico. E o Tribunal Regional Federal (TRF) já reconheceu a prescrição do caso — alega Leonardo Espíndola, subprocurador-geral do estado, citando decisão do TRF, da qual os Orleans e Bragança recorreram.

Para quem está de fora da briga, os recursos e julgamentos são uma aula de história e prova o quanto a Justiça brasileira pode ser demorada. Uma petição do atual advogado da família no caso, Carlos Eugênio Lopes, afirma que o palácio foi tomado por tropas militares na noite do dia 23 de maio de 1894, durante o Governo Floriano Peixoto. Ele assim se refere ao ocorrido: "Por fim, tirando a máscara, em maio de 1894 na noite do dia 23, como convém atos dessa natureza, tropas cercaram o palácio e dele se apossaram, procedendo o usual saque corriqueiro nas circunstâncias".

Na versão da família real, houve um rompimento do contrato; por isso a expressão "tirando a máscara". Lopes argumenta que a chácara onde estava situada o palácio e outras propriedades no entorno, transformadas no Paço Isabel, foram compradas, em parte, com recursos de um dote de 300 contos de réis oferecido pela nação brasileira.

O presente, segundo ele, está fundamentado na Constituição de 1824 e foi publicado como lei. O Conde D´Eu teria complementado a quantia com recursos próprios. Mas medidas de 1890 e 1891 da República acabaram incorporando os bens ao patrimônio estatal.

— Era uma propriedade privada como outra qualquer — afirma Alberto.

Ele explica que mantém o processo por uma questão de princípios, embora não considere a possibilidade de recuperar o bem tombado. O único reparo possível, segundo ele, seria uma indenização, cujo valor chegaria a uma conta "monumental", como diz.

A pedido do GLOBO, Paulo Fabbriani, vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), calculou quanto custaria uma construção comum na área ocupada somente pelo prédio do palácio — 5.740 metros quadrados, na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras. Por baixo, afirma o especialista, o endereço é avaliado em R$ 60 milhões, sem contar o valor histórico, que pode triplicar o seu preço, e o restante do terreno com o jardim e o prédio anexo.

Em resposta ao recursos dos Orleans e Bragança, o governo estadual apresentou à Justiça documento baseado em artigos de lei do século XIX, antigas declarações de compra e venda do imóvel, cláusulas do contrato nupcial da realeza e até mesmo num ofício de 1865 do Marques de Olinda, então Ministro do Império.
No documento, a Procurado ria do Estado afirma que o imóvel foi comprado com recursos da Fazenda Pública para a finalidade, "tão somente, de habitação do casal" que integrava o estado monárquico, enquanto durasse essa forma de governo.

Laranjeiras foi negociado pela União

Ao contrário do Palácio da Princesa Isabel, o Palácio Laranjeiras, residência oficial dos governadores do Rio, foi negociado com a União. Em 1946, ele foi passado de "porteira fechada" pela família Guinle ao governo federal por meio de permuta com terrenos na Esplanada do Castelo. A transferência ocorreu cinco anos após a morte de Eduardo Guinle, que encomendou o palacete, construído entre 1909 e 1913 pelo arquiteto Armando da Silva Telles.

Quem tem o privilégio de visitar o endereço se surpreende com o luxo e a sofisticação. Todos os elementos decorativos, mobília e obras de arte adquiridos pelos Guinle, na maioria europeu e de inspiração francesa, permanecem até hoje no local.

Em 1947, o lugar virou residência oficial de hóspedes ilustres do governo federal. De 1956 até a transferência da capital para Brasília, em 1960, foi residência do presidente da República, tendo abrigado Juscelino Kubitschek. Em 1974 a posse do edifício passou ao Estado do Rio, resultado da fusão com a antiga Guanabara.

Do neoclássico ao eclético

Conflitos à parte, o curioso é que se a Princesa Isabel e o Conde D’Eu tivessem tido a chance de voltar ao palácio no início do século XX, talvez não reconhecessem mais a propriedade. O arquiteto Eduardo Valdetaro, da Superintendência de Engenharia e Manutenção da Casa Civil do governo estadual, conta que na época em que abrigava a realeza, o imóvel não tinha a monumentalidade vista hoje: seu estilo era neoclássico, sua cor rosa, e seu formato retangular. Em 1908, foi feita uma grande reforma que lhe rendeu as rotundas, o pórtico da entrada e o estilo eclético. O palácio também ganhou a cor ocre, símbolo da República, e que foi recuperada na recente restauração.

Por uma ironia, ele foi remodelado pelo governo republicano para receber o Rei Carlos I, de Portugal. Mas quis o destino que o monarca português fosse assassinado antes de viajar, nunca pisando no antigo palacete real.

De lá para cá, em quase 160 anos de história, o lugar ganhou diferentes funções. A mais ilustre foi a de residência oficial dos presidentes da República. Um deles foi Getúlio Vargas, cuja escrivaninha, com o brasão da República, é hoje mesa de trabalho do governador Sérgio Cabral. Dos tempos do Império, ele guarda de relíquia a mobília portuguesa em estilo manoelino que decora a área privativa do governador e o chão de pé de moleque numa das alas, descoberto no último restauro e que ganhou iluminação especial e proteção de vidro.


RIO: IPHAN ABRE SUAS PORTAS . . .


Iphan abre ao público as portas de sua sede centenária no Centro


Exposição de fotos e documentos contará história do edifício de 1908

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Cristina Lodi fará exposição no Iphan e sugere visitas a ícones como o Gustavo Capanema
Foto: Custódio Coimbra / O Globo

Cristina Lodi fará exposição no Iphan e sugere visitas a ícones como o Gustavo Capanema Custódio Coimbra / O Globo
RIO - Recém-chegada ao cargo de superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no estado (Iphan) no Rio de Janeiro, a arquiteta e urbanista Cristina Lodi quer abrir a porta de sua "nova" casa aos moradores do Rio. E não se trata de qualquer porta, mas de uma preciosidade, com 4,30 metros de altura, que exibe imagens náuticas e de espécies da vegetação brasileira entalhadas em madeira pelo português Manuel Ferreira Tunes. O endereço em questão também é nobre: o número 46 da Avenida Rio Branco, que no início do século XX abrigou a Companhia Docas de Santos, e onde está instalada a sede do instituto.
Com fachada de granito, o prédio esconde em seu interior delicadas pinturas no teto, frontões de estilos renascentista e barroco e outros elementos decorativos que poderão ser "visitados" a partir deste mês, quando será aberta a exposição "Edifício Docas de Santos". A mostra reunirá fotos, documentos e uma maquete que contam a história deste importante bem tombado da cidade. Há cinco anos os cariocas não tinham oportunidade de ver uma mostra dentro do prédio.
— O edifício surge no contexto de abertura da Avenida Central, de implantação de um novo momento na cidade, voltado para a ideia da modernidade. Até então, o que se tinha era uma cidade de rua estreitas, muito ligada ao colonial. Com a abertura da Rio Branco, há um incentivo a construções de novas edificações por meio de concursos. O da Companhia Docas foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e construído entre 1905 e 1908. Trata-se de um edifício eclético, bem aos moldes do que previa a arquitetura daquela fase. Um edifício com estrutura mista de alvenaria e ferro. A fachada é imponente, com cantaria nos dois primeiros pisos, e elaborados trabalhos de madeira, com destaque para a porta de entrada, de jacarandá, e as janelas com sacadas — diz Cristina Lodi, que assumiu o cargo de Superintendente em janeiro.
Tombado pelo Iphan em 1978, o prédio tem cinco andares e é um dos últimos exemplares da primeira fase de construções da antiga Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco. Quem for à exposição, que será inaugurada dia 23 de março, às 17h, vai saber, por exemplo, que a ideia de construir uma sede para docas na nova avenida foi do presidente Rodrigues Alves, que pediu aos dois empresários sócios da empresa, Cândido Gaffrée e Eduardo Palassin Guinle, que encomendassem um projeto.
Exposição terá cenário com mobiliário de época
A pedra fundamental do prédio, conta o texto de abertura da mostra, foi lançada em 1904, durante o início abertura da Avenida Central, e ele foi concluído em 28 de janeiro de 1908, três anos após a inauguração da via. Segundo documentos da época, os materiais usados na obra chegaram ao Rio em vapores vindos de Nova Iorque, Paris, Marselha, Hamburgo e Antuérpia, entre outras cidades. "Somente no primeiro pavimento foram utilizados 129 caixas de mármore lavrado, vindos da Itália. Da Antuérpia, 454 vigas de aço para os três últimos andares e, de Hamburgo, 180 volumes contendo material para as escadas e claraboias".
A exposição acontecerá no térreo, onde há duas lojas com largas vitrines de cristal, espaços que no passado eram usados por comerciantes. Um deles, hoje, é ocupado pela Livraria da Travessa. O outro, no lado esquerdo, vai receber a mostra.
— O edifício foi feito sob encomenda para abrigar a Companhia Docas, e, por isso, na decoração e na pintura há vários detalhes que remetem à esta origem. Quando nossos restauradores começaram a fazer a prospecção da pintura, descobriram desenhos com alusão ao comércio e a produtos como o café, por exemplo. É um lugar lindo, que encanta em cada detalhe. A escada de ferro fundido, por exemplo e o elevador, que ainda funciona, são belíssimos. Com esta exposição, queremos dividir um pouco disso e abrir nossa casa — diz a superintendente do Iphan, que também está reunindo o mobiliário de época, como escrivaninhas e cadeiras, para montar um cenário com uma típica sala daquele período.

sábado, 10 de março de 2012

Petrópolis: Cidade Imperial completa 169 anos no dia 16 de março


Em clima de festa: março é o mês do aniversário de Petrópolis


Cidade Imperial completa 169 anos no dia 16 de março e personalidades fazem a sua declaração de amor ao município

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O artista plástico Luiz Aquila declara sua paixão pela cidade, que para ele lembra férias e infância
Foto: Hudson Pontes
O artista plástico Luiz Aquila declara sua paixão pela cidade, que para ele lembra férias e infância Hudson Pontes
Petrópolis completa 169 anos no próximo dia 16, mas mantém um frescor juvenil. E fãs não faltam para reverenciar a Cidade Imperial, que, cheia de História, serve, inclusive, de inspiração para muitos. Luiz Aquila, que vive no município há 24 anos, é um dos entusiastas da região, que, para ele, lembra férias e infância e que, com sua luminosidade, serve como musa. A paixão é tanta que, a partir do próximo dia 24, ele faz uma retrospectiva de seu trabalho na loja Olhar o Brasil, em Itaipava, com a exposição “O olhar de Luiz Aquila”, mostrando obras inéditas, produzidas em diferentes momentos da vida.
Já para o estilista e artista plástico Cocco Barçante, a lembrança da infância é razão recorrente para a ligação afetiva com o município serrano. O carioca, petropolitano por adoção, resgata da memória histórias da infância na cidade, para onde se mudou há 15 anos.
— Aqui, para mim, tem cheiro de infância — afirma o artista, que tem como um dos projetos transformar sua residência num centro cultural no início do ano que vem.
Aquila e Barçante não são os únicos que se declaram a Petrópolis. Confira a paixão de outros petropolitanos de origem ou de coração.
“Minha relação com Petrópolis não é apenas profissional, mas também afetiva. Passei a minha juventude vindo para cá e tenho ótimas lembranças. A cidade e os nossos clientes nos receberam com muito carinho” Paulo Reis, sócio da Olhar o Brasil
“Sou carioca, mas sempre vinha para cá quando criança e decidi me mudar há 15 anos. Aqui, para mim, tem cheiro de infância. Quando entro na cidade e avisto o Quitandinha já me sinto em casa” Cocco Barçante, estilista e artista plástico
“Me sinto em uma casa de árvore vivendo aqui. O clima, a luz, tudo é bastante inspirador. O meu trabalho é abstrato, mas eu não sou. Sou afetado pelo ambiente onde vivo e morar aqui é uma dádiva” Luiz Aquila, artista plástico
“Quando chego à cidade, já sinto um clima diferente. O ar é mais gostoso e a região, cheia de atrativos. O lugar com o qual mais me identifico é a Avenida Koeler, mas há muitos outros locais bacanas. Tanto que lançaremos uma linha com inspiração em vários pontos turísticos da cidade” Chicô Gouvêa, arquiteto e sócio da loja Olhar o Brasil
“Minha avó tinha sítio em Itaipava e, na infância, quando chegavam as férias, a minha maior alegria era ir pra lá. Tenho até hoje muito carinho por essa região” Lauro Wöllner, empresário
“Frequento Petrópolis desde criança. Por isso, a cidade sempre esteve associada a momentos muito bons. Eu e minha mulher não só moramos e usufruimos as belezas e maravilhas da Serra. Também sentimos a necessidade de devolver o que a Serra nos dá. Petropolitano não é só aquele que nasce, mas aquele que escolhe amar essa cidade e defender o seu patrimônio” Carlos Eduardo da Cunha, presidente do Gapa, Grupo de Assistência e Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente de Itaipava
“Petrópolis é uma cidade onde se encontra a felicidade em algumas esquinas” Dom Francisco de Orleans e Bragança, empresário
“Petrópolis é um renascimento. A qualidade de vida é altíssima. Temos restaurantes excelentes e uma estrada no nível das europeias. A cidade é uma metrópole com um clima de Provence” Evandro Jr., artista plástico
“A minha relação com Petrópolis é de amor. Tenho 87 anos e moro há 38 na cidade. Credito a minha saúde em dia ao clima serrano” Lan, cartunista
“Petrópolis é o meu local de referência, e a responsabilidade de estar à frente do principal ponto turístico da cidade é imensa” Maurício Vicente Ferreira Júnior, diretor do Museu Imperial


sexta-feira, 9 de março de 2012

VISCONDE DE OURO PRETO, AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO (Ouro Preto, 1837-1912) - PATRONO DO DMB 1890





O VISCONDE DE OURO PRETO, AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO (Ouro Preto, 1837-1912) iniciou a vida com grandes dificuldades, labutando no magistério particular e no jornalismo para estudar e se formar em Direito na Faculdade de São Paulo. Exerceu diversos cargos administrativos, e sucessivamente foi eleito deputado provincial, geral e senador pela sua província natal, patenteando-se orador impetuoso e valente argumentador.
Aos vinte e nove anos de idade era ministro da Marinha, no Gabinete de 3 de agosto de 1866, presidido pelo conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos; e nessa pasta prestou relevantíssimos serviços organizando a Marinha que com o Exército cooperava na Campanha do Paraguai. Foi ministro mais duas vezes, uma no Gabinete Sinimbu (1879), dirigindo o Ministério da Fazenda, e ainda nesta mesma pasta, em 1889, quando assumiu a presidência do Conselho de Ministros, a 7 de junho.
Deposto pelo movimento de 1889, foi banido e partiu para a Europa, revelando em todos os transes que então curtiu, a mais impertérrita compostura.
Não é aqui lugar para serem enumerados todos os trabalhos financeiros, políticos e jurídicos do visconde de Ouro Preto, mas entre eles citaremos: — A Esquerda e a Oposição Parlamentar, em 1868; Assessor Moderno, em 1871; Algumas Idéias sobre Instrução, em 1882; Statu Liberi, em 1885; Reformas das Faculdades de Direito, em 1887; Marcas de Fábrica, em 1883; Aos Mineiros, em 1887; Finanças de Regeneração, em 1887; Reforma da Administração no Brasil, obra escrita no exílio logo após a revolução. Excursão à Itália, interessante livro de impressões de viagem, em 1891; Marinha de Outrora, longo e documentado trabalho histórico, 1894; e Crédito Móvel, em 1899.
Neste mesmo ano entrou a ser publicada a Década Republicana, apreciação da política e da administração da República em seu primeiro decênio; e nessa publicação escreveu Ouro Preto duas extensas e ótimas monografias sobre a Marinha e sobre as Finanças.
Havendo colaborado em diversas folhas políticas, e notadamente na Reforma, Ouro Preto fundou a Tribuna Liberal, que se publicou de 1888 a 1889 e a Liberdade, que se estampou de 1896 a 1897, sendo então atacada e destruída pelos adversários.
Faleceu o visconde de Ouro Preto no dia em que exatamente completava 75 anos de idade, a 21 de fevereiro de 1912.

A Batalha do Riachuelo

Alvorecera brilhante o dia 11 de junho de 1865, domingo (67) da Santíssima Trindade.
Duas léguas abaixo da cidade de Comentes, na extensa curva que faz o rio Paraná, entre a ponta daquele nome e Santa Catalina, ao sul, viam-se em linha de combate, mas com os ferros no fundo e fogos abafados, nove canhoneiras a vapor, em cujos penóis (68) tremulava a bandeira brasileira.
Eram a segunda e terceira divisões da esquadra, que, depois de juntar às glórias de Tonelero as de Paissandú e Corrientes, bloqueavam sob as ordens do capitão-de-mar-e-guerra Barroso da Silva o litoral ocupado pelo inimigo.
Testa de coluna a Belmonte, do comando de Abreu, e fechando a retaguarda a Araguari, de Hoonholtz, no centro arvorava a insígnia do chefe o Amazonas, comandado por Brito. Ocupavam os intervalos a Mearim, comandante Elisiário Barbosa, a Beberibe, comandante Bonifácio, a Ipiranga, comandante Álvaro, e a Jequitinhonha, comandante Pinto, içando a flâmula do chefe Gomensoro, a Parnaíba, comandante Gracindo, e por último a Iguatemi, comandante Coimbra.
O céu irradiava cores esplêndidas e as águas do rio, correndo rapidamente em uma largura de trezentas braças, por entre as ilhas de Palomera e bancos adjacentes, faziam luzir nos estreitos e tortuosos canais palhetas de ouro e prata, que iam quebrar-se (69) em franjas de alva espuma, duas léguas além, na ponta de Santa Catalina.
Na margem esquerda, coberta de basto e corpulento arvoredo, projetavam-se (70) ainda algumas sombras, em formoso contraste com a da direita, onde a natureza virgem do chaco ostentava todos os esplendores de sua selvagem beleza à luz do astro nascente.
Se o olhar experimentado do nauta pudesse, aos primeiros albores da manhã, descortinar por entre as árvores gigantescas e emaranhadas silvas da margem correntina, o que ali se passava, não reinaria tanta calma nos descuidosos vasos, e pronto soaria em todos eles o toque de alarma, porque um grande perigo os ameaçava!
É que ao longo do litoral, na parte baixa da curva em que vem desaguar o Riachuelo, desdobrava-se extensa fila de abarracamentos, erguidos no silêncio e escuridão da noite.
Dois mil infantes inimigos, cosendo-se com a terra, e tendo ao lado as mortíferas armas, espreitavam o combinado ensejo para atirarem certeiros tiros sobre uma presa que reputavam segura, por estar desprevenida.
Mais longe, no extremo da ponta, sobre as desigualdades do terreno e mascarados pela mata, colocara o coronel Bruguez formidáveis baterias de foguetes à Congreve e 22 canhões, cujas pontanas firmava sobre todos os estreitos passos que deveriam descer e subir, cruzar e transpor as canhoneiras brasileiras, a fim de destruí-las com seus fogos.
Tudo fora planejado pela sagaz perfídia do guarani, que não confia só da superioridade numérica das forças o êxito dos combates senão principalmente dos embustes imprevistos e lances de surpresa.
A sorte dos navios brasileiros, porém, estava bem protegida pela santidade da causa que defendiam, e indomável coragem de seus impertérritos (71) tripulantes.
Concluída a faina da baldeação, parte das guarnições vogara para a terra em busca de lenha com que suprir a escassez do carvão, e o resto descansava, à exceção das vigias que estavam alertas nos cestos de gávea e dos homens necessários à guarda da tolda.
Os sinos de bordo soaram 9 horas da manhã.
Repentinamente, por sobre a ponta de Comentes, a enfrentar com a ilha de Mera, levantou-se ligeira nuvem de fumo, e, após essa, outra e mais outra, e quase ao mesmo tempo ou viu-se cair do tope de vante este grito: — Navio à proa! e logo este outro: — Esquadra inimiga à vista! Içou de pronto o Mearim o corespondente sinal.
Rufam os tambores e trilam os apitos em todos os navios das divisões; o Amazonas desfralda aos ventos o terrífico si-nal: — Preparar para o combate!
Um estremecimento elétrico corre pelas veias dos valentes oficiais, marinheiros e soldados; todos acodem pressurosos e contentes aos seus postos, porque é finalmente chegado o momento de dar um dia de glória à Pátria querida, e de infligir (72) o primeiro castigo pelas atrocidades cometidas em Mato Grosso contra populações inermes, (73) delicadas mulheres e inocentes crianças.

Já os fogos estão dispersos, já as amarras são largadas sobre as bóias, as peças e rodízios acham-se em bateria, abrem-se os paióis, as balas e as metralhas empilham-se no convés, as gáveas guarnecem-se de atiradores, e os contingentes do exército enfileiram-se nas bordas. Pairando sobre as pás e de morrões acesos, só esperam o sinal de — fogo!
Metade das guarnições e os melhores práticos acham-se em terra…
Não importa! Recolher-se-ão aos primeiros estrondos do combate, e o entusiasmo duplicará as forças dos que ficaram.
O inimigo desce com grande velocidade; ajuda-o a correnteza do rio; dentro de quinze minutos enfrentar-se-á com as divisões. . . Ei-lo!
Junto à ilha de Mera avistam-se oito vapores rebocando seis chatas rasas a nivelarem-se com as águas, oferecendo como único alvo a extremidade de grosso canhão de 68 a 80. Fíame jam-lhe nos topes as três cores da República; trazem os bojos pejados de gente e larga faixa encarnada divisa-se-lhes por sobre as bordas. São os homens destinados à abordagem, que revestem, como em dia de festa, seu rubro uniforme de gala.
(67) Domingo é o dia do Senhor (dies âominicus ou dies dominica); perdido o substantivo, assumiu o adjetivo a função daquele: o domingo, e, na linguagem litúrgica, a dominga. Entre os cristãos substituiu o sábado (sabbath) dos Judeus, como dia consagrado ao descanso e dado a Deus. (68) Penóis = extremidades das vergas na mastreação dos navios; pl. de penol. (69) — que iam quebrar-se ou que se iam quebrar: evite-se: que iam-se quebrar, bem como que iam se quebrar. (70) Do part. pass. jactus (de jacio, /acere) formador do freqüentativo jactare, produziram-se no vernáculo, com a raiz jact (jec, jeic, jet, jeit) os seguintes termos: jacto, jactação, jactância, jactar-se; abjeção, dejeção, ejeção, injeção, objeção, projeção; interjeição, rejeição, sujeição; abjeto, adjetivo, conjetura, conjeturar, dejeto, injetar, interjetivo, objetar, objetivo, projeto, projetar, projetivo, projétil, subjetivo, subjetivar, trajeto, trajetória; jeito, ajeitar, enjeitar, enjeitado, rejeitar, sujeito, sujeitar, trejeito, trejeitar etc., todos com o — ;’ — originário e a idéia fundamental de lançar, fixada na raiz. (71) — Impertérrito = sem medo, que não se aterra, que não teme. Vocáb. constituído da raiz terr, do verbo terrere = ter medo, apavorar ou causar temor, aterrorizar-se, e do prefixo intensivo per, antecedido do negativoin. (72) Infligir, do lat. injligere, lançar, atirar, aplicar com violência: infligir um castigo. Infringir, do lat. infringere (comp. de in -\- frangere) quebrar, chocar-se fortemente contra: infringir a lei. (73) Inerme — sem almas. Houve aí o fenômeno da apofonía: alteração da voz pura da raiz pela antepo-sição de outro elemento (in + arma). Casos semelhantes: inerte (in + arte); diserto (dis + arte); difícil (dis + fácil); condenar (com + danar); insípido (in + sápido); indenizar (in + dano + izar); conculcar (com + calcar); contubernio (cum -\- taberna); adulterar (ad -f- alter -f- ar); acento (ad -f- canto); adjetivo (ad -j- jact -f ivo); anelo (am + halo); irrito (in + ratu); manietar (mani + alar); inimigo (in -f- amigo); exibir (ex + habere); insulso (in + salso); insultar (in saltare; interstício (inter + statio); superfície (super + facie); benefício (bene -t- facio); ancípite (am -{-capite); precipitar (prae + capit -)- ar); peregrinar (per -j- agrum + ar); inepto (in -f- apto); ocidente incidir (in + cadere); transigir (trans + agere): descender (de + scanâére); inibir (in + habere) etc. Essas alterações efetuaram-se no próprio latim. (74) Entestar, de testa: como arrostar, (Se rosto, enfrentar, de frente, defrontar, de fronte, encarar, de cara, todos sinônimos. (75) — Acossados — perseguidos; verbo acossar, derivado de cosso, forma divergente de curso, do verbo cursar (lat. cursare, freq. de currere, correr). Cognatos acorrer, concorrer, decorrer, discorrer, escorrer, incorrer, intercorrer, recorrer, socorrer, transcorrer; curso, concurso, decurso, discurso, incurso, incursão, excursão, recurso, transcurso, socorro, corso, corsel, etc, todos adstritos à idéia de correr. (76) — somenos (so(b+menos) = inferior, menor.
Formam estes um batalhão inteiro, o 6.° de infantaria da marinha, o mais aguerrido do exército paraguaio, e cujas façanhas em Mato Grosso corriam de boca em boca nas ruas de Assunção.
Possantes e hercúleos, foram designados na véspera em Humaitá, pelo próprio ditador, que os armou de machados e sabres. Dirigira-lhes uma alocução ao embarcarem, recomendando que não matassem todos os prisioneiros, como prometiam, levando-lhe vivos alguns.
Rompia a marcha o Paraguai, comandado pelo capitão Alonso, seguindo-lhe as águas o Igurei, comandante Cabral, o Iporá comandante Ortiz, o Salto, comandante Alcaraz, o Pira-bebé, comandante Pereira e o Jejut, comandante Aniceto Lopez.
Também ali vinha, sob o comando de Robles (não se confunda este oficial-de-marinha com o general do mesmo nome, que invadiu Corrientes) o Marquês de Olinda, armado em guerra, depois de apresado pelo Taquari, navio capitanea, que fechava a linha. Nele arvorava sua insígnia de comando o velho chefe Meza, tendo como capitão de bandeira o capitão-de–fragata Martinez.
A esquadra paraguaia largou de Humaitá à meia-noite, e, segundo as instruções do ditador, antes de amanhecer devia passar ao largo dos brasileiros, aproar depois águas acima, prolongar-se cada navio com um dos vasos inimigos, descarregar–lhe toda a artilharia e saltar à abordagem. Os atiradores e a bateria de terra deviam protegê-los e apoiá-los nas peripécias do combate, se nesse primeiro arremesso não conseguissem apresar os navios brasileiros. Em marcha, porém, desarranjou-se a máquina do Iberê, que também fazia parte da expedição, dando causa as tentativas feitas para reparar esse sinistro que já dia claro entestassem (74) os paraguaios com os navios de Barroso.

Logo trocaram entre si as devidas continências; ao cruza-rem-se despejaram-se reciprocamente nutridas bandas de artilharia, chovendo de parte a parte balas e metralhas; era uma chuva de respeito! (As palavras grifadas são da parte oficial tle Barroso).
Apenas dobraram a ilha Palomera, os navios paraguaios aproaram contra a corrente, como se pretendessem executar o plano de abordagem; mas, parando em meio caminho, caíram à ré e de novo seguiram águas abaixo, acossados (75) pelo vigoroso fogo dos rodízios de popa de seus adversários.
Aonde iriam? Desanimados pela resistência, ou já desbaratados pelas perdas e avarias, tentariam acaso fugir, procurando os canais de água escassa, inacessíveis aos navios brasileiros, lodos de grande calado?
Iriam aguardar o combate em lugar previamente escolhido, onde tivessem sobre os inimigos, que forçosamente haviam de encalhar, a vantagem das manobras e movimentos livres?
Tal foi o problema que rapidamente se formulou no pensamento do denodado chefe Barroso, que sem hesitar resolveu ir-lhes ao encontro. Deixando a Parnaíba, onde desfraldara a sua insígnia na primeira fase do combate, regressou ao Amazonas, que já então havia recebido o prático, e fêz aos seus comandados os seguintes sinais: — Bater o inimigo que estiver mais próximo. — O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.
Reproduzindo as palavras de Nelson, antes da batalha de Trafalgar, o chefe brasileiro não lhe ficou somenos (76) no arrojo com que afrontou a morte, sendo, como êle, o primeiro a dar o exemplo do que exigia dos seus subordinados.
Nelson entrou em fogo, adornado com todas as suas condecorações, oferecendo-se assim como alvo aos tiros do inimigo. Debalde seus oficiais lhe representaram que a posição de almirante e chefe lhe impunha o dever de não se expor com tanto ardimento. Ali ficou até cair mortalmente ferido.

Também Barroso, de pé sobre a caixa das rodas, ondean-do-lhe ao vento a comprida e alva barba, apresentava sua imponente e marcial figura como ponto de mira aos milhares de projéteis (77) que lhe choviam em torno como granizo.
Tendo ao lado o intrépido (78) Brito e o habilíssimo prático Gustavino, só desceu do posto arriscado quando já não havia inimigos a debelar.
Como o herói da Victary, podia também repetir ao terminar a batalha — Graças a Deus, cumpri o meu dever!
Esperava e não fugia o inimigo, colocado em linha de batalha. (Palavras da parte oficial). Sob a proteção da artilharia e fuzilaria de terra, estava êle ao abrigo de qualquer tentativa de abordagem, e para maior segurança, amarrara as chatas com espias, conservando-se os vapores sobre rodas, cosidos (79) com a barranca.
A escolha da posição fora verdadeiramente inspirada! O canal tortuoso, em que os navios brasileiros tinham de manobrar, tão estreito era que ao lado da ilha a oscilação das águas, causada pela passagem dos vapores, desmoronava (80) a terra da margem. Ao fazerem a travessia em frente do Riachuelo, os brasileiros eram obrigados a passar tão rente à alterosa barranca, em que Bruguez assestara suas baterias, que até pedras arrojavam sobre o convés os soldados paraguaios, cautelosamente agachados dentro das valas em que se ocultava a infantaria.
Onde quer, porém, que se refugiassem, resolvera Barroso ir procurá-los e nenhum obstáculo fá-lo-ia recuar.
Ao sinal do navio-chefe, às divisões, seguindo nas águas do Belmonte (testa da coluna e a primeira a inverter a linha de frente), manobravam para descer o rio até haver largura em que pudessem dar a volta, prolongar-se com o inimigo e batê-lo.
(77) O Vocabulário da Academia Brasileira, ao contrário do da Academia das Ciências, prefere a forma projétil, derivado do fr. projectile, com o pl. projetis, à pronúncia projétil, projéteis, do lat. hipotético projectais. (78) Trépido, pávido, térrito, pertérrito, trémulo, timorato, temeroso — adjetivos de trepidez, pavor, terror, tremor e temor, cujos antônimos são intrépido, impávido, intér-rito, impertérrito, íntrêmulo, intimorato e destemeroso. Observe o estudante que nada tem com a idéia de destemor o adjetivo intemerato, que quer dizer puro, imaculado, sem nódoa. O lat. temerare é profanar, violar, ultrajar, manchar, nodoar; temeratus, desonrado, manchado; intermeratus, puro, imáculo, impoluto, não profanado: Virgo intemerata, na ladainha = virgem pura, imaculada) "… uma sociedade e um regime cândidos como o arminho e intemeratos como a neve…" (Rui, A Imprensa e o Dever da Verdade, 1920, p. 14).
(79) Cosidos = unidos, ligados, encostados; coser-se com a terra, cem o chão, com a parede, coser-se à parede, ao muro; coser o ouvido à fechadura.
(80) Desmoronar, do castelhano, formado de morón, montículo de terra.

Não permitiam a diferença de calado e comprimento dos navios brasileiros que eles fizessem a rotação no mesmo lugar, sendo-lhes preciso distanciarem-se grandemente até encontrar espaço.
O Amazonas teve de percorrer uma larga distância, chegando a perder de vista o resto da esquadra, em conseqüência das sinuosidades do canal. Daí resultava para os paraguaios mais uma vantagem importante, qual a de facilmente poderem cortar a linha brasileira, o que efetuaram.
Atravessou a Belmonte o arriscado passo, e fê-lo com toda a galhardia, suportando ela só todo o peso da esquadra inimiga, dos atiradores e das baterias de terra, que então se desmascararam.
Virando águas abaixo, encalhou o Jequitinhonha em um banco de areia, que separa dois canais estreitos, justamente em frente à artilharia de Bruguez. Fêz a tripulação esforços sobre–humanos para safar a corveta, recebendo a tiro de pistola o mortífero fogo do inimigo. Não o conseguiu. Travou-se então luta desesperada, desigual, entre as baterias, três navios paraguaios, que tentaram abordá-la, e a canhoneira imóvel!
Rareia a tripulação, dizimada (81) pela metralha, mas conserva-se heroicamente sobre o convés, despejando com suas oito peças violento fogo contra os de terra, que a fulminam, e repelindo a abordagem com o maior denôdo.
Tombam as vergas e mastros, o tubo do vapor deixa sair a fumaça, que se escapa em borbotões pelos buracos que o crivam: a proa, as amuradas, os escaleres voam em estilhaços, convertendo-se em outros tantos projéteis contra a própria guarnição.
Nem assim deixa ela seu posto de honra, e somente cessa de atirar, ao cair da noite, depois de calados os fogos do inimigo. Ali encontra morte gloriosa o esperançoso guarda-marinha Lima Barros; mais 17 cadáveres, entre os quais o do prático André Mota, e grande número de feridos enchem o tombadilho. É contuso o chefe Gomensoro, recebendo a seu lado gloriosos ferimentos Freitas, Lacerda e Castro Silva, seus oficiais.
Repetindo contra vários navios a tentativa de abordagem, expressamente ordenada por Lopez, os paraguaios afinal conseguem dá-la à Parnaíba, que descia.
Cercam-na o Paraguari, o Taquari e o Salto. É o primeiro repelido a metralha, mas os outros encostam-se a bombordo e estibordo. A valente guarnição, dirigida por Garcindo e entusiasmada pelos heróicos esforços do imediato Firmino Chaves, e dos oficiais do exército Pedro Afonso Ferreira e Maia, opõe aos assaltantes invencível resistência.
Mas acomete-a também pela popa o Marquês de Olinda, que lhe despeja dentro (82) numeroso golpe (83) de gente de aspecto feroz, armada de sabres, machadinhas e revólveres (84).
Trava-se, corpo a corpo, medonho combate, ou antes, horrorosa carnificina, no meio da qual os denodados oficiais, negros de fumo e cobertos de sangue, erguem-se como vultos homéricos, com a espada em punho. Greenhalgh, inda criança prostra (85) com um tiro o oficial que ousa intimá-lo para arriar (86) a bandeira, mas perece por sua vez aos golpes da horda que o cerca.
Pedro Afonso e Maia conquistam imorredoura glória para o exército, que representam, batendo-se a ferro frio e sucumbindo depois de completamente mutilados. Maia, tendo já decepada a mão direita, apanha a espada com a que lhe restava e fêz frente ao inimigo.
Marcílio Dias, simples marinheiro, eterniza seu nome pelejando a sabre com quatro paraguaios, dois dos quais rolam a seus pés; vacila e cai, crivado de feridas, exangue e moribundo, aos feros. botes dos outros dois.
Escorrega-se no sangue, tropeça-se sobre cadáveres, mas a lura continua, ardentemente acesa; já o inimigo é senhor do convés (87) desde a popa até ao mastro grande, apoderou-se do leme e amainou (88) o pavilhão!
(81) Dizimar, derivado de dízimo, forma divergente de decimo: inicialmente matar na proporção de um em dez’, depois dilatou o sentido. O dízimo (também dizmo em Portugal) é a contribuição da décima parte de um rendimento. (82) que lhe despeja dentro — que despeja dentro dela: lhe. pron. pess com a preposição de implícita, pertencente à locução prepositiva dentro de (83) Golpe — grupo, bando, troço, porção, turba, multidão, (do gr. kólaphos, pelo b.-lat. colpu, com mudança do — c — em — g —): "Ordenou., meter dentro na fortaleza um bom golpe de gente pera dous efeitos’ (Fr. L. de Sousa, Anais de D. João III, parte 1.*, L. III, cap. XIII); …"por mais numeroso que seja, na acometida, o golpe de inimigos". (Rui, Répl., conclusão). (84) Revólveres, dólares, repórteres, hangares, tênderes — deve ser o plural desses termos adventícios, à feição nossa, como se verifica em aljôfares, nenúfares, cadáveres, éteres, mártires, augures, próceres, lêmures etc. (85) Prostrar e prosternar são sinônimos; o primeiro formou-se pelo supino prostratum de prosternSre, como se fora da primeira conjugação: prostrare; é, pois, uma criação analógica. (86) Não parece que se deva dar uma só forma aos verbos arrear (enfeitar, ajaezar, adornar) e arriar (abaixar, descer, depor no chão)
A guarnição dizimada retira-se para a popa e entrincheira-se datrás das peças, continuando a resistir.
Durava essa pugna suprema havia uma hora, e os brasilei-ros teriam de sucumbir ao número, porque oficiais e soldados
tombavam uns após outros, quando o navio chefe, a Mearim e a
Belmonte, apercebendo-se do que ocorria, aproaram cada um por seu lado para esse grupo tremendo de quatro navios que se (89) enviavam reciprocamente a morte.
Compreendendo os abordantes o perigo que os ameaçava, largam o costado da Parnaíba, abandonando os que combatiam no convés. Estes hesitam, ao passo que os brasileiros, cobrando maior denodo, carregam, indo à frente o imediato Chaves, e os que não se precipitam no rio são traspassados a baioneta.
Os restos da destemida guarnição atroam os ares com os gritos de vitória. A Parnaíba está salva, e de novo tremula em sua popa a nobre bandeira um momento abatida!
Entretanto todos os demais navios tinham vindo ocupar seu posto na linha de batalha, que se tornava geral e cruamente (90) se feria.
É quase impossível descrever o sublime horror desse prélio infernal, concentrado em poucas braças de espaço, e no qual cerca de sete mil homens procuravam desapiedadamente exterminar-se!
Os tiros das peças de artilharia, o estourar dos foguetes à Congreve e o crepitar da fuzilaria sucediam-se de parte a parte com rapidez tal que o seu ininterrompido estrondear, imensamente aumentado pelos ecos do rio, ressoava à população aterrada de Corrientes, e mais longe à ansiosa guarnição de Humaitá, (como ribombar incessante de medonha trovoada. Estremecia o solo a léguas de distância, e nas agrestes planuras corriam, eriçados os pêlos, milhares de animais a esconder-se assustados na escuridão das selvas.
O próprio ardil de que os paraguaios se serviram, mascarando as baterias com a mata, foi-lhes fatal. Não perdiam os navios brasileiros um tiro. As balas despedidas da esquadra levavam de rojo corpulentas árvores, que eram outras tantas monstruosas palanquetas a desmontar canhões, esmagar artilheiros e abrir claros enormes nas filas dos atiradores, colocados à retaguarda.
A Mearim, ao mando do bravo Elisiário Barbosa, postada a cinqüenta braças da esquadra e baterias inimigas, arremessa–Ihes cerradas cargas de artilharia e fuzilaria, repele abordagens e só abandona o posto quando voa em socorro da Parnaíba ou da Belmonte, prestes a sossobrar (91). Em seu tombadilho recebe nobremente a morte o guarda-marinha Torreão.
Depois de agüentar ela só a fúria do inimigo, a Belmonte vê-se presa de incêndio ateado por uma explosão. Pelos 37 rombos que tem nos costados, penetra a água e apaga as chamas, mas daí mesmo lhe vem maior perigo. As bombas e baldes não conseguem esgotá-la, o líquido elemento sobe rápido, alaga dois pés acima da coberta, a proa mergulha. Só então o intrépido Abreu, que apesar de ferido se conserva no passadiço, trata de encalhá-la como único meio de salvação e imediatamente cuida de tapar-lhe os rombos, para voltar ao combate. Caem a seu lado, morto o 2° tenente Teixeira Pinto, e ferido o prático Pozzo.
No Beberibe o comandante Bonifácio comporta-se com toda a bravura, expondo denodadamente a vida preciosa, que dias depois devia ser sacrificada na passagem de Mercedes; na lguatemi o imperturbável Coimbra é conduzido em braços para a câmara;
Os étimos são duvidosos. (87) Convés de conversu, como través de transverse, envés, de inverse, revés, de reverse, todos com — s — final. (88) Amainar — abaixar, colher, arriar: amainar as velas. Significa também, como conseqüência, iun-ãear, pois que para isso se abaixa o velame. Em Camões os dois sentidos na mesma estância: "Tomam vela, amaina-se a verga alta"; "Mas já as proas ligeiras se inclinavam / para que junto às ilhas amainassem". (I, 48). Vale ainda por abrandar, sossegar: "Um deus amaina as ondas". (Odorico Mendes). (89) — se — objeto indireto; sintaxe menos usada no vernáculo. (90) Cruamente = cruelmente, sanguinosamente: "…depois de travada e mui cruamente ferida a batalha"… (J. de Barros, Panegírico, p. 30). (91) Muito mais aceitável parece a escrita sossobrar, oriunda de sob e sobre (sub-\-supef> so-\-sobr-\-ar «*subsuperare) subverter-se, virar-se de baixo para cima, afundar-se, do que a forma soçobrar, tirada por alguns lexicógrafos ao castelhano zozobrar, mas lá mesmo, não obstante os zz, considerada pelo Dicionário da Academia como proveniente de sub e supra. A grafia sossobrar assenta, ademais, na autoridade de Meyer-Lübke, Gonçalves Viana, J. J. Nunes.
Imediato Pimentel que o substitui no passadiço, perde, cinco minutos depois, a cabeça, levada por uma bala; assume então o comando o jovem Gomes dos Santos, executando com bravura as instruções que lhe envia o prostrado comandante.
Este navio colocara-se ao lado do Jequitinhonha para o defender, e aí suportou com êle todo o fogo das baterias e da esquadra paraguaia, que se encarniçavam contra a desmantelada canhoneira. No Iipiranga o denodado Álvaro, gravemente en-fírmo, rivaliza em arrojo e sangue frio com os mais valentes, e consegue meter no fundo uma chata.
Hoonholtz, admirável de entusiasmo e bravura, revela, na Araguarí, qualidades de comando, raras em tão poucos anos. Ele bate-se com vivacidade extrema, e, ao mesmo tempo que procura causar o maior prejuízo ao inimigo e cortar-lhe a retinida, socorre por suas próprias mãos, atirando-lhes cabos, algumas praças que se debatiam contra a correnteza.
Entre o barco e a bateria, no mais estreito passo, cercam-no os três vapores que tinham abordado o Parnaíba. O Ta-quari aproxima-se a dez braças, mas recua, recebendo à quei-ma-bucha os disparos dos três rodízios da canhoneira, simultaneamente carregados a metralha e a bala.
Os paraguaios, por sua parte, pelejam com uma coragem inexcedível. Não é só o desprezo da morte que ostentam, senão o desejo de consegui-la como heróis.
Com uma tenacidade cega arremessam-se à abordagem de quantos navios se avizinham nas diversas peripécias do combate, e as sucessivas derrotas que experimentam, as perdas enormes, parece que mais lhes excitam a selvagem bravura.
Suas chatas, atirando ao lume dágua com os grossos canhões que montavam, despedaçam os flancos dos navios brasileiros, ameaçando submergi-los de instante a instante. A artilharia e a fuzilaria da margem também arrojam sobre eles milhares de bombas, balas e metralhas.
A batalha tocou ao seu auge, e é talvez ainda duvidoso o êxito de tão mortífera contenda, quando na mente do velho Barroso surge a tremenda concepção que vai pôr glorioso termo à porfia da luta.
Depois de inquirir o comandante Brito sobre a força do navio, e o prático sobre a profundidade do canal, transmite a ordem que, mais tarde, reproduzida por Teghetoff em Liss», deu aos austríacos tão célebre vitória. Deixemos que êle próprio descreva, rapidamente, como cumprimento de um dever comum, em linguagem simples e modesta, esse feito memorando:
"Subi e minha resolução foi acabar de uma vez toda a es quadra paraguaia, o que teria conseguido se os quatro vapores inimigos, que estavam para cima, não tivessem fugido".
"Pus a proa sobre o primeiro e o esmigalhei, ficando completamente inutilizado, com água aberta e indo pouco depois a pique".
"Segui a mesma manobra com o segundo, que era o Marquês de Olinda, inutilizei-o e depois ao terceiro, que era o Salto, o qual ficou no mesmo estado. Os quatro restantes, vendo a manobra que eu praticava, e que me dispunha a fazer-lhes o mesmo, trataram de fugir rio acima. "Depois de destruir o terceiro vapor, pus a proa em uma das canhoneiras flutuantes, a qual com o choque e um tiro foi ao fundo. Exmo. Sr. Almirante, todas estas manobras eram feitas sob o fogo mais vivo, quer dos navios e chatas, quer da artilharia de terra e mosquetaria de mil espingardas. A minha intenção era destruir por esta forma toda a esquadra paraguaia, antes que descesse ou subisse, porque necessariamente, mais tarde ou mais cedo, tínhamos de encalhar, por ser naquela localidade muito estreito o canal".
"Concluída esta faina, tratei de tomar as chatas, que ao aproximar-me delas eram abandonadas, saltando as guarnições ao rio e nadando para terra, que ficava próxima".
(A Marinha de Outrora, 1895, pp. 168-188).


Seleção e Notas de Fausto Barreto e Carlos de Laet. Fonte: Antologia nacional, Livraria Francisco Alves.

quinta-feira, 8 de março de 2012

EX-ALUNO DA EFOMM JORGE JOSÉ KADRI É O EMBAIXADOR DO BRASIL EM VARSÓVIA ! . . .



PARABÉNS MEU AMIGO E IRMÃO KADRI, ACOMPANHEI A SUA LUTA E DETERMINAÇÃO !




Enviado por Pomona Politis -
7.3.2012
7h41m

O desafio

Varsóvia

O novo embaixador do Brasil em Varsóvia, na Polônia, será o diplomata Jorge Kadri.


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Jorge Kadri, um aparecidense Embaixador do Brasil | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa


  No dia 19 de novembro de 2007, o Presidente da  República Luís Inácio Lula da Silva encaminhou ao Senado Federal a mensagem nº 215/2007 pela qual indicava o nome de Jorge Geraldo Kadri, Ministro de Segunda Classe da Carreira de Diplomata do Quadro Permanente do Ministério das Relações Exteriores, para ocupar o cargo de Embaixador do Brasil junto à República Parlamentarista da Guiné Bissau, em razão de seus méritos.

  Após apreciação de currículo e argüição pública pelos senadores, Jorge Kadri foi considerado apto para ser o representante do Estado brasileiro na co-irmã nação africana.

  Diplomata de carreira, Jorge Geraldo Kadri nasceu aos 31 de julho de 1956. Filho de Joseph Kadri e Genny Kalil Kadri, Jorge passou sua infância e adolescência em Aparecida-SP, cidade onde nasceu.

  Seus estudos primários e ginasiais foram concluídos na Escola Chagas Pereira. Bons tempos de escola pública. Daí seguiu para Barbacena-SP, onde cursou a EPCAR. De Cadete do Ar para a Marinha, aos vinte anos está graduado em Engenharia de Máquinas pela Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Viaja pelo mundo, conclui a graduação em Administração de Empresas (1979) e obtém o título de Mestre em Administração de Empresas e “Marketing” pela UFRJ (1982) para ingressar, em seguida, no Curso de Preparação para a Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco (1983). 

  Em dezembro de 1984, inicia sua promissora carreira na diplomacia como Terceiro Secretário. Ano seguinte, recebe a Ordem do Mérito Nacional na França, tornando-se Cavaleiro. No início de 1989, segue para a Embaixada de Madri, como Terceiro Secretário, e ainda lá, é promovido a Segundo Secretário. Em 1991, é agraciado com a Ordem de Isabel, a católica, tornando-se Cavaleiro de Espanha. Após breve retorno ao Brasil, segue, em 1992, para a Embaixada do Brasil, em Camberra, na Austrália, onde ascende, em 1996, por merecimento, ao cargo de Primeiro Secretário. Como Primeiro Secretário e Conselheiro, atua na Delegação Permanente do Brasil em Genebra, em 1999, e aí, em 2001 e por merecimento, é promovido ao cargo de Conselheiro. Após anos na Europa e na Oceania, Jorge Kadri retorna, em 2003, como Conselheiro, à América do Sul para ocupar o seu cargo em Assunção, Paraguai. Lá permanece pouco tempo. No ano de 2005, Jorge Kadri estaria, em Brasília, como Chefe da Divisão de Promoção da Língua Portuguesa (DPLP) do Ministério das Relações Exteriores.

  Ministro de Segunda Classe, desde 20 de junho de 2006, Jorge Geraldo Kadri, aos 51 anos, torna-se Embaixador do Brasil, o mais alto representante dos interesses nacionais no território de Guiné Bissau, cargo que assumiu, efetivamente, no dia 4 de abril de 2008.

  Na primeira semana de trabalho, o Embaixador Kadri, segundo informou ao O Lince, recebeu importante delegação das Nações Unidas, presidida pela Embaixadora brasileira junto a ONU, Maria Luiza Viotti. Já apresentou suas cartas credenciais, foi recebido pelo Primeiro Ministro Martinho Ndafa Cabi e iniciou visitas aos Ministros de Estado, Corpo Diplomático e outras personalidades relevantes do país.

  Ex-colônia portuguesa, Guiné Bissau é um país de história recente que declarou unilateralmente a sua independência política, em 1973, e obteve o reconhecimento da metrópole a partir de 1974. Governado durante dez anos por uma junta revolucionária, o país realizou suas primeiras eleições pluripartidárias apenas em 1994. Quatro anos depois, um golpe militar depôs o presidente João Bernardo Vieira e instalou uma guerra civil que perdurou dois anos (1998-1999). Em 2000, Kumba Yala é eleito presidente, mas novo golpe militar acontece em setembro de 2003. Em 2005, novas eleições e João Bernardo Vieira volta como  presidente.

 Guiné Bissau é uma República com forma mista de governo e um dos países mais pobres do mundo. Sua balança comercial é tradicionalmente deficitária. Em 2006, o saldo negativo foi de US$ 74,1 milhões. Daí depender de constante ajuda internacional. Sua população atinge 1,7 milhão de pessoas, e a economia está baseada na agricultura, responsável por 50% do PIB e pela absorção de 80% da força de trabalho. Sua área territorial abrange 36.125 quilômetros quadrados (menor que o estado do Rio de Janeiro), e Bissau, com 367.000 habitantes, é a capital.

  É neste cenário de carência material e de busca pela estabilidade política que atuará o habilidoso diplomata aparecidense. Certamente, a depender de suas credenciais e de sua competência e determinação profissional, o Brasil terá um irreprochável e digno representante na figura do Embaixador Jorge Geraldo Kadri.

  E Aparecida muito se orgulha disso!


[Leia entrevista publicada com Jorge kadri em Outubro de 2007]

CUBANGO FAZ HOMENAGEM AOS 200 ANOS DO VISCONDE DE MAUÁ !

Desfile do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Acadêmicos do Cubango da cidade de Niteroi que prestou homenagem ao Visconde de Mauá nas comemorações de seu aniversário de 200 anos de nascimento no desfile na nova Passarela da Avenida Marquês de Sapucahy. Participaram os descendentes do Visconde de Mauá - Marqueses de Viana e o ator Paulo Betti.