A Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MinC) convida a todos para a mesa-redonda “O Real Gabinete Português de Leitura e a circulação de ideias no século XIX”.
A importância do espaço criado em 1837 será debatida por especialistas nesse encontro que será realizado nesta segunda-feira, dia 21, às 16h, no Auditório Machado de Assis.
O evento faz parte da série “Memória da vida literária do Rio de Janeiro”, dedicada ao registro de instituições e personagens do mundo do livro na capital fluminense.
A entrada é franca.
Antonio Edmilson Martins Rodrigues e Madalena Vaz Pinto são os debatedores convidados para discutir o papel do Real Gabinete na vida cultural carioca.
O historiador é professor assistente da PUC-Rio e professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Sua pesquisa foca nas transformações do Rio de Janeiro do fim do século XIX. Doutora em Literatura Portuguesa pela PUC-Rio e professora adjunta da Uerj, Madalena é crítica literária e diretora do Centro de Estudos do Real Gabinete Português de Leitura. O bibliotecário Fabiano Cataldo de Azevedo é o expositor do encontro.
Criado por um grupo de 43 imigrantes portugueses, o Real Gabinete completou 175 anos no último dia 14. No século XIX, a casa era frequentada por importantes nomes da literatura nacional, como Machado de Assis. O reconhecimento pelas rodas intelectuais, a arquitetura rebuscada do prédio que abriga a sede e a relevância do patrimônio bibliográfico são razões do prestígio da notável instituição.
A Biblioteca Nacional fica na Rua México s/nº (acesso pelo jardim), no Centro.
Outras 44 passaram por recuperação na zona sul carioca
Do R7 | 20/05/2012 às 10h13
Divulgação
Parque Lage já foi um antigo engenho de
açúcar
na época do Brasil Colonial
A Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Jardim Botânico, zona sul do Rio
de Janeiro, realizou o replantio de 26 palmeiras imperiais na área verde da
instituição. A intenção foi preservar o desenho original e paisagístico dos
jardins do parque resguardando assim seu patrimônio vegetal.
Foram investidos R$157.780 no trabalho que também incluiu o tratamento
fitossanitário de 44 palmeiras. O projeto teve o acompanhamento de técnicos do
Parque Nacional da Tijuca e do Iphan, segundo a diretora do Parque Lage e da
Escola de Artes Visuais localizada no espaço, Claudia Saldanha.
— Os jardins do parque são anteriores à mansão. Eles foram desenhados por
John Tyndale e datam de 1840. Nesta época ele foi contratado para projetar um
jardim nos moldes das quintas europeias. Algumas palmeiras haviam morrido,
outras estavam doentes. Compramos as plantas já adultas em uma fazenda em Minas
Gerais e elas foram trazidas em caminhões. Além disso, 44 receberam tratamento.
Remédios foram aplicados para prevenir pragas.
Cerca de R$ 300 mil são gastos anualmente no trabalho de recuperação e
manutenção do jardim do Parque Lage. As ações incluem poda, adubo, tratamento de
doenças, limpeza, e plantio de mudas.
— Estamos aos poucos recuperando este belo espaço.
Resgate de uma história
O Parque Lage já foi um antigo engenho de açúcar na época do Brasil Colonial.
Após 1660 passou a pertencer à família Rodrigo de Freitas Mello. Em meados do
século 19 foi comprado por um nobre inglês que, em 1840, contratou o paisagista
inglês John Tyndale para projetar um jardim de estilo romântico que continha
palmeiras imperiais.
Em 1859, parte da fazenda passou a ser propriedade de Antonio Martins Lage.
Na década de 20, a chácara foi administrada pelo empresário Henrique Lage.
Amante das artes, ele casou com a cantora lírica italiana, Gabriela Besanzoni, e
construiu a mansão – onde hoje está instalada a Escola de Artes Visuais. A casa
é uma réplica de um “palazzo romano”.
Os jardins que cercam a mansão fazem parte do Parque Nacional da Tijuca e
compreendem 52 hectares de floresta, com variedade de espécies da Mata
Atlântica. Em 2009, o espaço passou a ser administrado pelo governo do
Estado.
Igreja cenário da única Palma de Ouro do Brasil está
abandonada em Salvador
A Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, palco do filme "O Pagador de
Promessas", está fechada desde 1998 e não há projetos concretos para
restauração
João Paulo Gondim, iG Bahia|
Foto: Reprodução Cena do filme "O Pagador de
Promessas"
Do alto da sua escadaria de 55 degraus, ela surge imponente. Mas quando se vê
de perto, decadente. Construída em 1736 para ser a matriz da freguesia criada 18
anos antes, a igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, no Centro Histórico de
Salvador, está trancada desde 1998. Naquele ano, telhas e forro, devorados por
cupins, caíram sobre o retábulo e o altar, atingindo cinco imagens sacras.
A partir de então, está de portas fechadas,
quebradas e sujas o templo eternizado em um filme de Anselmo Duarte (1920-2009,
que há 50 anos - 23 de maio de 1962 - causou furor em Cannes, dando ao Brasil a sua única Palma de Ouro:
"O Pagador de Promessas".
Procurando locações para a versão cinematográfica da peça homônima de Dias
Gomes (1922-1999), Duarte e o produtor Oswaldo Massaini (1920-1994) se
encantaram com a escada, aberta no século XIX para ligar o imóvel à rua do
Passo. Nem se importaram com o fato de a igreja não ser a de Santa Bárbara, como
o texto da peça exige. Para ambos, a vasta escadaria, ladeada por oito
centenários postes de ferro gusa ingleses (hoje, inexplicavelmente trocados por
postes de ferro comum) serviria como cenário ideal para a via-crucis de Zé do
Burro, o roçeiro que percorreu 42 quilômetros com uma cruz de madeira nas
costas, e a mulher a tiracolo, para pagar a promessa que restituiu saúde ao
animal do apelido, seu melhor amigo.
A Igreja do Santíssimo Sacramento no centro
histórico de Salvador . Foto: André Lima
Por isso, é recorrente o espanto de turistas - e até mesmo baianos - ao serem
informados que o nome daquela construção
"Então não é
Santa Bárbara? Mas na minissérie dizia que era", aturdia-se a psicóloga paulista
Vera Santos, 45, em alusão ao seriado da TV Globo sobre a mesma história, em
1988. Se a verdadeira identidade da igreja causou surpresa para Vera, outro
sentimento veio à tona quando ela se aproximou da porta: tristeza. "Que ruim
estar tudo assim, largado", lamenta.
O abandono se dá em toda parte. Das grades enferrujadas da escadaria com
degraus com lixo espalhado e quebrados a portas enfeitadas com adesivo de
candidato em eleições passadas. De folhas que nascem nas torres dos sinos a
paredes descascadas e sujas.
"Para mim, esta é a igreja mais bonita da Bahia. É horrível ver essas portas
fechada. De quê adianta igreja sem missa, sem padre, sem fiéis?", questiona a
comerciante Wilma Rocha, 66, vizinha do santuário desde que nasceu. "Eu vi
Glória Menezes, Othon Bastos, Geraldo Del Rey...", lista o elenco da fita
laureada na França. "E daqui acompanhei as gravações da minissérie, José Mayer,
Walmor Chagas, essa gente toda", relembra.
A comerciante diz ter ouvido boatos de que o Santíssimo Sacramento do Passo
vai ter um novo perfil, em data incerta. "Estão falando que quando acabarem de
pintar a frente dessas casas todas [ela mostra a vizinhança]
, vão pintar a fachada da igreja e transformá-la em centro cultural", conta
Wilma.
Próximo ao templo, funcionários a serviço da Companhia de Desenvolvimento
Urbano do Estado da Bahia (Conder) pintam paredes de imóveis do entorno. Um
engenheiro da companhia, que preferiu não se identificar, afirma que recebeu
ordens para "limpar, e não pintar" a fachada da igreja. "Agora, o que vão fazer
lá dentro eu não sei", diz. A reportagem questionou os planos da Conder em
relação ao templo, mas não obteve resposta.
Se a estatal não confirma se tem ou não ações planejadas para um dos símbolos
de Salvador, o cantor Geronimo, há oito anos, já mostrou quais as suas:
transformar, toda terça-feira, a escadaria em um palco a céu aberto.
"Em todo dia de show, passam por aqui aproximadamente três mil pessoas. Esse
local é ideal para a cultura do nosso Estado, procuramos reativá-lo com nosso
trabalho", afirma o artista, que acha a igreja maltratada e faz uma
revelação.
"Na década de 1970, quando fizeram obras de recuperação no Centro Histórico,
o Ipac depositou os entulhos dentro da igreja", afirma, referindo-se ao
Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia, do governo do Estado, que
não tombou o santuário, e afirma desconhecer esse episódio.
A manutenção da igreja é de responsabilidade da Arquidiocese de Salvador.
Segundo a Mitra, há um projeto de recuperação do espaço para serviços religiosos
- missas, casamentos, batizados, entre outros tramitando, "devagar", no
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou o
templo. A Arquidiocese não informa se tem outros planos.
Para qualquer intervenção ser feita em um patrimônio protegido, deve-se ter a
autorização do Iphan. A superintendência baiana do instituto afirma desconhecer
pedidos da Arquidiocese sobre o templo.
Segundo o historiador Cid Teixeira, a igreja tem esse nome porque era parada
obrigatória de fiéis nas procissões das Sextas-Feiras Santas, Em tais ocasiões,
havia, na sua porta, a exposição da imagem do Senhor dos Passos - a
representação de Cristo ferido, chicoteado à caminho da Cruz.
Esse jogo de empurra-empurra de responsabilidade breca a recuperação de uma
igreja histórica, que mesmo vista do alto, está abandonada.
Prefeito tomará prédios abandonados e arrendará seu próprio patrimônio malconservado
POR Christina Nascimento
O DIA
Rio - A prefeitura vai tomar dos proprietários e vender os imóveis que estão em situação de abandono na cidade. Os prédios malconservados de sua propriedade, o município vai ‘arrendar’ por até 50 anos para a iniciativa privada.
As medidas estão em dois decretos publicados no Diário Oficial ontem, dois dias após desabamento de sobrado tombado no Centro. Nos próximos dias, o prefeito Eduardo Paes encaminha à Câmara de Vereadores cinco projetos de lei que tratam do mesmo assunto. Um deles cria o aumento progressivo do IPTU, que pode chegar a dobrar anualmente, para prédios, casas e comércios também degradados e que estão com risco de desabamento.
Interditado desde março, 2º andar de sobrado na esquina das ruas da Relação e do Lavradio ruiu | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
O procurador do município Gustavo Schmidt explicou que um imóvel será considerado abandonado após vistoria da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) — em parceria com a Defesa Civil, quando necessário — e se houver um histórico de falta de pagamento de IPTU.
“Diante do laudo da SMU e com as informações das dívidas fiscais, repassadas pela Secretaria Municipal de Fazenda, a Procuradoria Geral do Município entra com uma ação judicial para tirar o imóvel do proprietário. Se na compra tiver mais de um interessado, vai ocorrer um leilão”, explicou o Smith. O dinheiro da venda à prefeitura vai ser depositado em juízo durante três anos, tempo que o dono tem para reclamar a posse do imóvel.
Se o patrimônio em mau estado de conservação for da prefeitura, haverá concorrência pública para escolher a pessoa jurídica responsável pelo imóvel. A contrapartida será a responsabilidade de manter o local conservado. Se houver mais de um interessado, fica com a propriedade quem se propuser a pagar o maior valor de aluguel.
Projetos de lei
IPTU dobrado
Cria o IPTU progressivo. Donos de imóveis degradados e abandonados serão punidos com aumento do imposto, que pode ficar 100% maior a cada ano.
Benefícios fiscais
Concede benefícios fiscais a quem adquirir casas e prédios em mau estado. O novo proprietário terá isenção por cinco anos do IPTU no imóvel adquirido e não pagará ISS da reforma. Dívidas serão perdoadas.
Vistoria a cada 5 anos
Torna obrigatória vistoria técnica em condomínios a cada 5 anos. A inspeção deve ser feita por um engenheiro contratado. As informações vão para o site da prefeitura para consulta.
De casa a comércio
Flexibiliza o uso de imóvel tombado, mesmo que seja para fins residenciais. Ele pode se transformar em um escritório, consultório, ateliê, dependendo do bairro onde se encontra.
Alberto Orleans e Bragança, descendente da família imperial brasileira, dirigia o seu Renault Megane quando deu de cara com uma blitz da Operação Lei Seca na Rua Ministro Raul Machado, no Leblon, na madrugada desta sexta-feira (18).
O nobre se recusou a fazer o teste do bafômetro e teve a carteira apreendida.
O carro teve melhor sorte: foi liberado quando o Orleans e Bragança apresentou um condutor habilitado - e sóbrio - para resgatá-lo.
Rio de Janeiro é candidata ao título de patrimônio histórico da humanidade
As autoridades do Brasil apresentaram ontem (15) a candidatura da cidade do Rio de Janeiro ao título de patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A ideia é reunir esforços internacionais na luta pela preservação da cultura e das riquezas naturais de uma área que inclui os principais pontos turísticos cariocas.
Em julho, o projeto da Unesco será analisado em São Petesburgo, na Rússia. Depois, os especialistas votarão a proposta brasileira para decidir se o Rio deve receber o título. O público-alvo das apresentações é formado pelas representações diplomáticas dos 21 países com poder de voto na Convenção do Patrimônio Mundial, membros das principais universidades, formadores de opinião, jornalistas e instituições de preservação de todo o mundo.
Atualmente, 911 sítios são considerados como patrimônio mundial da Unesco, localizados em 151 países. O Brasil faz parte dessa lista, com 18 sítios cadastrados - entre eles Brasília, o centro histórico de Salvador e as reservas de Fernando de Noronha.
O Projeto Rio de Janeiro, Paisagem Cariocas entre a Montanha e o Mar foi apresenado pela embaixadora do Brasil na Unesco, Maria Laura da Rocha, pelo presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, e pela superintendente do Iphan, Cristina Lodi. Pela proposta apresentada, as áreas que devem ser incluídas como patrimônio vão do alto do Corcovado até o Morro do Pico, em Niterói.
Também devem ser incluídos pontos turísticos conhecidos, como o Parque Nacional da Tijuca, o Passeio Público, o Jardim Botânico, o Parque do Flamengo, a Baía de Guanabara e as orlas de Copacabana – com as praias do Leme, de Copacabana, Urca e Botafogo.
O presidente do Iphan disse que a situação social e econômica da cidade dificulta o trabalho de preservação de suas características naturais. Para Almeida, os grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 216, representam um desafio na luta pela conservação do Rio, que não deve ser feita de forma pontual .
A embaixadora Maria Laura da Rocha está otimista em relação à candidatura do Rio, embora especialistas tenham sugerido mudanças no documento final. "Eles [os especialistas] reconheceram as características de patrimônio mundial, o valor universal. Mas acharam que há algumas dúvidas quanto ao plano de gestão e monitoramento", disse ela.
As antigas igrejas do Rio de janeiro formam, em seu conjunto, talvez a parte mais importante do patrimônio da cidade, com uma história se estendendo por mais de quatro séculos. Parte essencial do cotidiano de então, muito mais que hoje, os edifícios testemunharam inúmeros acontecimentos, pelos quais a mão do acaso formou o conjunto por nós conhecido.
Seria contudo errôneo supor que sua origem deveu-se únicamente à devoção religiosa, embora essa tenha sido a principal motivação, pelo menos no que tange aos fiéis, sem cujo esforço e doações não teria sido possível materializar os templos. Mas a todo momento sobrevinham paixões e interesses, dos mais puros aos mais mesquinhos, como, alías, em qualquer ramo de atividade humana. Um dos primeiros eventos desse tipo ocorreu em meados do século XVII, como veremos a seguir.
As intermináveis obras da Sé, na época do príncipe-regente D. João
Após as primeiras décadas da nova cidade no alto do Morro do Castelo, localização estratégica contra inimigos por mar ou terra, começou a ocupação das terras na parte baixa, à beira-mar, chamadas de várzea e acrescidas paulatinamente pela dragagem de pântanos e alagados. A conveniência de não ter de subir o morro levou mesmo à transferência da Câmara a partir de 1639, com a construção da cadeia nova, que era também local de reunião dos representantes. O prédio ficava ao lado da Igreja de São José, no final da rua da Misericórdia, e tornou-se célebre, dentre outras coisas, por ser onde ficou preso Tiradentes.
A Igreja de São José, uma das primeiras construções da várzea, foi inicialmente uma ermida, provávelmente construída em 1608. Tempos depois sofreu a primeira reforma, transformando-se em verdadeira igreja, o que despertou a cobiça do administrador eclesiástico da Sé, D. Manuel de Sousa Almada, no ano de 1659. Com a Igreja de São Sebastião no Castelo, sede da Sé, arruinada pela carência de recursos para manutenção, e número decrescente de fiéis, pretendeu Almada tomar a igreja de São José à força, mas sua tentativa foi rechaçada por depender de autorização da Coroa, a qual recusou. Mas isso não foi o fim da história.
Setenta anos após, uma nova geração de religiosos tentaria mais uma vez sair do Castelo, o que causaria várias conseqüências inesperadas. O bispo D. Antônio de Guadalupe conseguiu um alvará para a transferência da Sé para a Igreja da Cruz dos Militares, e, na calada de uma noite de fevereiro de 1734, invadiram o templo e deles se apossaram. Nos dia seguinte, os donos da casa constataram estupefatos a invasão, o que levou nos anos seguintes a uma série de conflitos, com os militares resistindo à força às interferências dos religiosos. A igreja passou a não ter nenhuma manutenção, e após um pedaço do teto quase cair em cima dos invasores, estes decidiram mudar de casa. Mas para o Castelo é que não voltavam.
A próxima vítima foi a igreja do Rosário, construída com sacrifício pela Irmandade de N.Sª do Rosário e S. Benedito dos Homens de Côr, originalmente situada — ironia — na Igreja de São Sebastião no Castelo. De lá práticamente expulsos em 1710 pelos mesmos religiosos, passaram por muitas dificuldades e peripécias, mas em 1725 já tinham seu templo, construído em uma área então afastada e desvalorizada. Os pobres escravos libertos não gostaram nem um pouco da invasão, ocorrida em 1737, mas tiveram de engolir. Não tinham o mesmo poder de fogo (que aliás podia ser literal) dos militares para resistir.
Antiga Escola Politécnica, hoje Ifcs da UFRJ, construída onde ficaria a Sé nova
Seguiram-se os habituais conflitos, e avaliou-se que a única solução seria a construção de uma nova Sé. O governador Gomes Freire iniciou a empreitada, sendo o terreno escolhido no atual Largo de São Francisco. Os alicerces foram lançados em 1739, mas as paralisaram-se as obras pouco depois. A lentidão e as interrupções seguidas faziam com que os trabalhos se arrastassem por décadas, e o espírito mordaz do carioca levou à criação de uma nova expressão, para designar tudo aquilo que não termina nunca: "Isto é velho como as obras da Sé!".
Assim continuou por todo período colonial, e quando D.João chegou em 1808, as obras não estavam muito mais adiantadas que na época de Gomes Freire. O desfecho ocorreria a partir da iniciativa de um dos principais aduladores da côrte, Fernando José de Almeida, o Fernandinho, barbeiro e cabeleireiro de D. João, que com sua conversa mole conseguia quase tudo. Este convenceu o príncipe-regente a construir o Teatro São João, depois São Pedro, em 1813, um dos mais importantes do século XIX, e que se situava onde é hoje o João Caetano. Foi utilizado em sua construção o material das obras da Sé, acabando enfim com a interminável história.
Tempos depois, no lugar onde deveria ter sido a Sé, foi construída a Academia Real Militar, a qual daria origem à Escola Politécnica. Em seu prédio hoje está o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, último elo de uma longa cadeia de acontecimentos originada pelo anseio, aliás compreensível, de um grupo de religiosos por uma melhor moradia, há quase trezentos anos.