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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Moedas do século XIX são achadas por pesquisadores da Biblioteca Nacional


Moedas do século XIX são achadas por pesquisadores da Biblioteca Nacional


Peças estavam em jornal encontrado dentro da pedra fundamental das Docas D. Pedro II

Simone Candida
Publicado:


Moedas de ouro, prata e bronze do século dezenove foram achadas por pesquisadores da Biblioteca Nacional
Foto: Fernando Amaro / Divulgação
Moedas de ouro, prata e bronze do século dezenove foram achadas por pesquisadores da Biblioteca NacionalFernando Amaro / Divulgação
RIO - Nove moedas de ouro, prata e bronze, com datas que variam entre 1854, 1857, 1867, 1868 e 1869, foram encontradas esta semana por pesquisadores da Biblioteca Nacional. O dinheiro do século XIX estava misturado a uma massa de papel jornal pelos pesquisadores da Biblioteca Nacional que trabalham na restauração do que restou de um exemplar raro do Diário Oficial de 1871. Segundo Jayme Spinelli, coordenador de restauração da Biblioteca Nacional, as moedas estavam misturadas ao resto da publicação, que foi achada dentro de uma caixa de madeira, no interior da pedra fundamental das Docas D. Pedro II, encontrada por arqueólogos do Museu Nacional na escavação do Porto do Rio no dia 4 de maio.
As moedas de 10, 20, 200, 500, 1000 e 2000 mil réis, são da época do 2º Reinado, e trazem o brasão do Império e o rosto de Dom Pedro II. De acordo com Jayme Spinelli, coordenador de restauração da Biblioteca Nacional, a equipe de especialistas vai entregar as moedas à prefeitura, para que elas sejam identificadas e analisadas, já que na BN o foco do trabalho é a restauração do jornal, que deve durar um mês.
— Vamos recompor um quebra-cabeças, tentando recompor alguma folhas do diário oficial para compará-las com uma exemplar que nós temos aqui no nosso acervo — disse.
Como noticiou a coluna Gente Boa, do GLOBO, devido ao adiantado estado de decomposição da peça_ que estava imersa em água _ os técnicos da Biblioteca Nacional, encarregados da restauração, haviam solicitaram à prefeitura que as folhas passassem por uma esterilização. Na semana passada, a caixa com o jornal foi levada pessoalmente pelo subsecretário de patrimônio, Washington Fajardo, ao Instituto de Pesquisas Nucleares (Ipen) , da Universidade de São Paulo (USP), onde passou por irradiação de cobalto 60 para eliminar micro-organismos.
— Trata-se de um fragmento de jornal, todo embolado, dentro de uma caixa que tem no máximo 20 centímetro. Teremos que tentar recompor esta massa e refazer as folhas de jornal. Só que, antes de começarmos o trabalho, é preciso eliminar as possibilidades de contaminação, tanto para garantirmos a segurança dos especialistas que irão manuseá-lo, quanto para evitarmos que o papel se desfaça _ explica Jayme Spinelli, acrescentando que vai precisar de no mínimo um mês para restaurar as folhas.
O prédio das Docas está no local até hoje, abrigando o galpão da Ação da Cidadania. Chamado originalmente de Armazém Docas D. Pedro II, aquele foi o primeiro prédio construído pela Cia Docas do RJ (1870), para armazenar os grãos trazidos pelos navios que atracavam no Porto do Rio. A obra foi feita pelo engenheiro negro André Rebouças, que era diretor de obras da Alfândega e não permitiu que fosse usada mão de obra de escravos na empreitada.


Beco do Príncipe em Cabo Frio


Cabo Frio ganha roteiro de turismo histórico


Beco do Príncipe é um dos destaques do tour que começa neste sábado

Publicado:


O Beco do Príncipe, no bairro da Passagem, está no roteiro do circuito
Foto: Ernesto Galiotto / Divulgação
O Beco do Príncipe, no bairro da Passagem, está no roteiro do circuitoErnesto Galiotto / Divulgação
RIO - Famosas por suas belas praias e noite movimentada, as cidades da Região dos Lagos têm em sua história atrativos pouco conhecidos pelos turistas. Esse potencial inexplorado motivou o lançamento, a partir deste sábado, de um roteiro gratuito com dez importantes pontos históricos da cidade. Idealizadora do circuito, a jornalista Maria Werneck diz que o objetivo é desmistificar a ideia de que a região só pode proporcionar turismo de praia e sol. Filha do falecido historiador Márcio Werneck, um carioca que se radicou em Cabo Frio, ela cresceu escutando relatos sobre a importância histórica da região, que foi uma das primeiras a ser colonizada no país por causa de sua localização geográfica.
A primeira câmara municipal do Brasil foi construída em Cabo Frio e seu prédio, na Praça Porto Rocha, está lá até hoje, e bem preservado. Pouca gente sabe também que a cidade é apontada em cartas do expedicionário Américo Vespúcio como a primeira feitoria do Brasil, instalada em 1503. O título, porém, é polêmico, já que alguns historiadores garantem que a primeira feitoria foi criada na Ilha do Governador, no Rio.
— Em Paraty e Ouro Preto, por exemplo, vemos um estímulo do turismo para a valorização da história dessas cidades e seus prédios. Cabo Frio foi uma das primeiras regiões a serem colonizadas no país por causa da localização geográfica e da presença de pau-brasil, de grande importância econômica na época. É este potencial que exploramos nesse roteiro — explica Maria Werneck.
Os pontos altos do passeio são o Forte de São Mateus (1617), localizado na Praia do Forte; o bairro da Passagem, que abriga as primeiras construções do município, como a Igreja de São Benedito (1740) e o Beco do Príncipe; o Convento de Nossa Senhora dos Anjos (1696), tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); e a capela do Morro da Guia, onde fica hasteada a bandeira nacional, ao lado da também histórica ponte Feliciano Sodré, sobre o Canal Itajuru.
— Temos aqui resquícios da pré-história, da forte presença dos índios Tupinambás e do período pós-descobrimento. Os portugueses só conseguiram fundar a cidade de Santa Helena, origem de Cabo Frio, em 1615, porque a região era dominada por holandeses, franceses e ingleses que vinham explorar o pau-brasil, abundante aqui — conta o secretário municipal de Cultura, José Correa, lembrando que entre Cabo Frio e Búzios, na Apa do Pau-Brasil, estão as maiores reservas de pau-brasil no país.
A superintendente do Iphan no Rio, Cristina Lodi, disse que a história de Cabo Frio, cujo conjunto paisagístico é tombado pelo instituto desde 1967, se confunde com a própria história da ocupação e defesa do território brasileiro.
— São memórias que começam bem antes da cidade ser fundada e que até hoje se fazem presentes através da rica arquitetura, paisagem e arqueologia locais — disse a superintendente.
A jardineira do roteiro histórico de Cabo Frio parte da Secretaria de Turismo todos os sábados às 16h e o passeio tem duração de duas horas.
O Museu do Surf da cidade, que tem 705 pranchas raras e é apontado como o maior da América Latina e um dos cinco mais importantes do gênero no mundo, ficou de fora do roteiro por não fazer parte do patrimônio histórico. Instalado provisoriamente na Rua Jorge Lóssio 899, no Centro — a nova sede está sendo construída na Praia do Forte —, o museu é um dos locais mais visitados de Cabo Frio. Também estão fora do roteiro a casa do artista Carlos Scliar, no Boulevard Canal, e as áreas de sambaquis da Praia das Conchas e as dunas do Peró, ao longo do acesso a Búzios.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Casa de Machado


Dentre os fatos que marcaram a história do Rio de Janeiro, um dos mais peculiares é sua ligação com a França, acontecida desde os primórdios, quando, em 1555, chega na Guanabara uma esquadra comandada por Villegagnon com o intuito de instalar uma colônia, a futura França Antártica. Em uma ilha afastada do litoral construiu-se um forte, chamado de Coligny, em homenagem ao almirante de França e protetor da empreitada. A ilha, chamada até hoje de Villegagnon, está ligada ao continente há décadas, e é onde fica a Escola Naval.
 
A iniciativa não prosperou por acontecer durante o período das guerras de religião, quando católicos e protestantes se trucidavam contínuamente. O patrono da expedição, almirante Coligny, era protestante, e as oscilações de seu prestígio político não permitiram que fosse enviada uma segunda leva de colonos, dessa vez com milhares de pessoas. Além disso, os ódios religiosos também estavam presentes aqui, com brigas e desentendimentos que dividiram e enfraqueceram a colônia. Tudo facilitou a retomada das terras pelos portugueses, ocorrida em 1567, dando origem à história da cidade atual, desde sua instalação no Morro do Castelo.
 
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Prédio da França durante a Exposição de 1922,  foi doado à ABL no ano seguinte
O outro episódio conhecido da era colonial aconteceria em 1710 e 1711, quando invasões de piratas franceses causaram grande comoção entre os habitantes. A primeira, de 1710, feita por Duclerc, foi rechaçada, mas a segunda, de Duguay-Trouin em 1711, capturou a cidade, a qual teve de pagar vultoso resgate. Esses eventos fecharam ainda mais a colônia aos estrangeiros, mal que só desapareceria em 1808 com a vinda da côrte portuguesa e a abertura dos portos. Durante o século XIX estabeleceram-se relações amistosas entre os dois países, e a influência francesa progressivamente dominou toda a cultura, desde a moda até a filosofia, impondo-se como modelo de civilização ao qual todos almejavam.
 
Em 1922 seria comemorado o centenário da Independência, e para tal se planejava uma grande exposição universal, em proporções maiores que a de 1908. Dessa vez o local escolhido para o certame seria obtido às custas da destruição do Morro do Castelo, a verdadeira cidade original do Rio de Janeiro. Após seu arrasamento, grande parte da área foi ocupada por pavilhões, e o material obtido com o desmonte do morro também serviu para aterros e para criar a Avenida Beira-Mar. Em um dos trechos aterrados, próximo à igreja de Santa Luzia, naquela que seria futura Av. Pres. Wilson, a França montou seu pavilhão, construído em pouco mais de quatro meses.
 
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Petit Trianon em Versalhes (foto: Wikipedia)
Mas essa obra não era de arquitetura ordinária: o governo francês decidiu erigir nada menos que uma réplica do palácioPetit Trianon, situado no parque do Castelo de Versalhes, de longa e famosa história. Construído por Luís XV para sua amante, Mme. Pompadour, situava-se em meio a um jardim e uma granja com vários animais. Lá o rei podia espairecer em boa companhia, pois o pequeno palácio era bem mais agradável que o Grand Trianon de Luís XIV. O imóvel foi dado de presente a Maria Antonieta por Luís XVI, e foi nele que, em 1789, ela recebeu a notícia da insurreição, a qual a levaria à prisão e à guilhotina.
 
O belo prédio construído para a exposição chamou especialmente a atenção do Dr. Júlio Peixoto, que pleiteou junto ao embaixador francês sua doação à Academia Brasileira de Letras, após a conclusão do evento. Houve concordância por parte das autoridades francesas, e, em cerimônia no dia 15 de dezembro de 1923, foi realizada a entrega do prédio. Sua doação à ABL foi muito oportuna, pois esta se encontrava precáriamente acomodada no Silogeu, junto ao Passeio Público, onde o espaço era exíguo.
 
machado_academia

Estátua de Machado de Assis na ABL, obra do
escultor Humberto Cozzo
 
A doação do pavilhão francês tornou-se dessa forma mais um momento importante em uma relação de mais de quatro séculos entre o Rio de Janeiro e a França, e de fato não poderia haver melhor destino para a réplica do prédio dos monarcas franceses que tornar-se sede da ABL, a casa de Machado de Assis, filho da terra e maior escritor brasileiro de todos os tempos.

VASSOURAS: Fazenda São Luiz da Boa Sorte


Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras

24
jul
21h38
Por Renata Fraga
Um dia de “sorte”.

Tive neste fim de semana uma experiência maravilhosa.
A convite de Nestor Rocha e Liliana Rodriguez fomos, Paulinho e eu, passar o dia na Fazenda São Luiz da Boa Sorte em Vassouras.
A linda fazenda faz parte da programação do Festival Vale do Café – 10 Anos e, às 16 horas, aconteceria um concerto com o maestro Cesar Camargo Mariano no haras.
Logo que chegamos encontramos todos se preparando para almoçar.
A cena era bem divertida, pois ao mesmo tempo em que sentávamos à mesa (de 24 lugares + uma redonda de quatro), passava pela sala um grande grupo que estava fazendo uma visitação à sede da fazenda.
Durante o dia, várias visitações são feitas para apreciarem a beleza dos ambientes, lindamente decorados com peças de época e impecáveis em todos os detalhes, tudo decorado por Lili, que não parava um minuto, acompanhando as visitas, os convidados, e correndo para a abertura do concerto.
O cardápio, de tirar o fôlego, bem campestre:
Rabada dos deuses.
A perna de pernil com farofa de ovos desmanchava de tão tenra e macia.
Saladão e um feijão carioquinha que todos repetiram...
Saimos todos a pé em direção ao haras, por dentro da fazenda, uns 300 mt + ou -, local onde já se encontravam os turistas para assistirem ao concerto do maestro Cesar Camargo Mariano e depois desfrutarem de um queijos e vinhos.
Estava lotado, e o concerto foi maravilhoso. Fiquei encantada com a elegância dele.
Na plateia, muito discreto, o presidente da Light, Jerson Kelman, e sua Celeste assistiam e se deleitavam com a boa música.
Também lá, estavam Miguel Paiva com sua linda Angela Vieira, a jornalista Leilane Neubarth, Maritza Orleans com o marido, entre outros.
O concerto durou cerca de uma hora e, em seguida, um farto queijos e vinhos foi servido, tudo naquele ambiente divino rural, tendo também degustação de café. A tarde estava linda, com um clima super agradável. Tudo organizado pela Lili, que durante a semana lá esteve por 2 vezes para se certificar de que nada faltava: flores, sofás...
Voltamos, os felizardos, para a fazenda, para lá termos outro queijos e vinhos, este só para amigos e hóspedes.
A uma certa altura, eu me dei conta de que muuuitas pessoas haviam sumido, todas as mulheres, o pátio meio vazio, só com os homens. O motivo logo descobri: estavam todas já sentadas, marcando seu lugar em frente à televisão para assistir à Avenida Brasil... rsrsrsrs
Tive que pegar uma cadeira na sala ao lado, pois já não havia mais nenhuma. O mais engraçado foi que a cada hora aparecia um marido ou namorado na porta, se espantava com a cena mas se agregava ao grupo.
Só depois disso que nos dirigimos à sala de jantar para mais uma comilança. Desta vez as panelas ficaram por conta de dois amigos gourmets que se embrenharam em risotos de bacalhau, peras ao mel com queijo roquefort... e outras delícias. Sobremesas, vários doces acompanhados de queijo minas.
Durante o jantar, Nestor fez um pequeno speech agradecendo a todos pela presença e principalmente à Lili, pois sem ela nada daquilo existiria. Daí foi um tal de cada um levantar para fazer + um brinde. Eu fiz um representando os amigos ali presentes, outros pelos patrocinadores também presentes e por aí a noite foi seguindo.
Charutos e licores no pátio aquecido por uma lareira aberta e aos poucos fomos nos retirando, uns para Itaipava, outros para Vassouras e os jovens para a night em Itaipava.
Difícil de ir embora!!!
Como sempre, fiz uns registros com a minha máquina “xereta”, mas momentos como esse ficam mesmo registrados é no coração de todos os que tiveram a sorte de desfrutar com a família Rocha bons momentos na Fazenda São Luiz da Boa Sorte.
Fazenda DSC05584 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
O concerto de Cesar Camargo Mariano
Fazenda DSC05598 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
Miguel Paiva e Angela Vieira
Fazenda DSC05576 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
No pátio do haras para assistir ao concerto: Carla Naguel, a diretora da Caras Luisa Jardim, Renata Fraga e Maritza de Orleans e Bragança
Fazenda DSC05585 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
Leilane Neubarth
Fazenda DSC05594 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
O presidente da CEG, Bruno e Suzana Armbrust com os filhos Caio e Lucca
Fazenda DSC05596 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
O presidente da Light Jerson Kelman e sua mulher, Celeste
Fazenda DSC05639 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
Jacyra Lucas, Miguel Paiva, Angela Vieira, Liliana Rodriguez e Nestor Rocha
Fazenda DSC05590 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
Antenor Barbosa Lima e Flavia Manahu
Fazenda DSC05560 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
Mesa de almoço com visitação
Fazenda DSC05606 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
A mesa de queijos e vinhos
Fazenda DSC05565 Um dia de concerto na Fazenda em Vassouras
Renata e Paulo Fraga no pátio interno da casa

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Igreja do Sacramento


Quarta, 18 Julho 2012 11:40

A Igreja do Sacramento


Escrito por

Em abril de 1816, na rua do Erário ou Lampasosa, começavam as obras da Igreja do Sacramento da Antiga Sé, em terreno comprado recentemente onde havia um pântano coberto com tábuas. Junto ficava a imunda lagoa da Pavuna, que abrangia o atual Largo de São Francisco, existindo também uma vala que se estendia até a rua dos Inválidos. O campo em frente era popularmente chamado da polé, pois era onde se executavam os soldados.
Mas por que motivo a Irmandade do Sacramento da Antiga Sé, das mais antigas da cidade, construiria seu templo em local tão afastado e sem ligação com sua história? A irmandade, como consta no nome, estava instalada originalmente na Igreja de São Sebastião no Morro do Castelo, concluída em 1583. Com a deterioração do templo, o Cabido da Sé decidiu abandonar o local de qualquer maneira, mesmo que às custas dos outros, e, em 1734, invadia a Igreja de Santa Cruz dos Militares. A Irmandade do Sacramento compartilhou sua sorte, e, quando em 1737 o cabido se mudou para a Igreja do Rosário, ela foi junto.

sacramento


Igreja do Sacramento na Av. Passos, uma das mais imponentes do Rio de Janeiro




A chegada da côrte portuguesa em 1808 mudaria tudo, pois a Sé foi transferida para a Igreja de NSª do Carmo, em junho do mesmo ano. A Irmandade do Sacramento permaneceu na Igreja do Rosário, mas lá não queria ficar, por causa dos conflitos com os donos da casa invadida, bastante compreensíveis. Tentaram se transferir para outra casa alheia, a Igreja do Bom Jesus, na rua da Vala (Uruguaiana – demolida com a Av. Pres. Vargas), mas a congregação local se opôs veementemente, rechaçando a tentativa.
Só restava a opção de construir casa própria, o que aconteceu, como foi dito acima, a partir de 1816. Com apoio do governo, do povo e de várias personalidades, foi possível arrecadar os fundos necessários, e a capela-mor pôde ser inaugurada em julho de 1820. As obras, contudo, estavam longe de terminar, e o projeto do arquiteto João da Silva Muniz só se concluiria em 1859, quando o bispo Conde de Irajá finalmente a benzeu e consagrou.
A rua em frente, já urbanizada décadas após o início das obras, recebeu o nome de Sacramento, permanecendo assim até as reformas de Pereira Passos, quando lhe foi dada o nome deste. O templo, de aparência imponente e estilo de tipo barroco, tem fachada limpa e harmoniosa, encimada por três estátuas, a central, da Fé, em um nicho, tendo a seu lado as da Esperança e da Caridade. Internamente, tem cinco altares, o principal mais os dedicados a N.Sª das Dores, S. Sebastião, N.Sª do Terço e S. Miguel. A pia do batistério é a mais antiga da cidade.
O magnífico templo é tombado, e passou recentemente por processo de restauração que lhe devolveu a aparência dos primeiros tempos, livrando-o de décadas de poeira acumulada e também de depredações de vagabundos, considerados por muitos "artistas". Só a vigilância permanente poderá manter em boas condições a quase bicentenária Igreja do Sacramento, uma das maiores e mais majestosas da cidade do Rio de Janeiro.

sábado, 21 de julho de 2012

Restauração do complexo arquitetônico do Convento de Santo Antônio


Um tijucano que reconstrói a História


Aos 77 anos, arquiteto comanda as obras de restauração do complexo arquitetônico do Convento de Santo Antônio

Publicado:


Olínio Coelho ao lado de um lavabo de pedra de Lioz na antessacristia da Igreja de Santo Antônio
Foto: Dani Dacorso
Olínio Coelho ao lado de um lavabo de pedra de Lioz na antessacristia da Igreja de Santo Antônio Dani Dacorso
RIO - Bem, há quem tire rugas. Até da cidade. Se não, ainda teríamos o Palácio Monroe na nossa paisagem e o prédio da Brahma interrompendo a passarela do Sambódromo. Mas, no que depender de Olínio Coelho, rugas e qualquer outro sintoma de velhice podem ser restaurados. Ou passar por uma acurada cirurgia plástica. É o que ele faz, por exemplo, como arquiteto responsável pelo restauro do complexo do Convento de Santo Antônio, no Largo da Carioca. É o que ele tem feito há 54 anos como arquiteto, período no qual, entre outras vitórias, chefiou o pioneiro Patrimônio do Estado da Guanabara, elaborou o decreto de tombamento do Parque Lage, criou o curso de restauro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e formou algumas gerações de profissionais com suas aulas de Teoria e História da Arquitetura em, pelo menos, cinco faculdades do Rio.
— É difícil encontrar um arquiteto na cidade que não tenha sido aluno do Olínio — atesta Felipe Borel, um dos arquitetos do projeto de restauração do convento.
Aos 77 anos, que serão completados hoje, Olínio já pensa no próximo trabalho: a restauração da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.
— Restauro é um vírus — diz ele. — Depois que você entra, não quer mais sair.
Filho de Olívia e Antônio
A Igreja da Ordem Terceira fica logo ali, ao lado da de Santo Antônio (na verdade, ela é parte do complexo arquitetônico do convento). Assim, não vai mudar muito a rotina de Olínio — o prenome incomum é a junção do nome da mãe, OLÍvia, com o do pai, AntôNIO —, que sai todo dia de sua casa na Tijuca para estar às 9h no Largo da Carioca.
Ele é um tijucano militante.
— Quem mora na Tijuca não quer saber de Zona Sul. Tentei morar em Copacabana, onde passei seis anos, mas acabei voltando.
A Tijuca está nas raízes do arquiteto. A bisavó tinha uma chácara no bairro. A casa onde nasceu, na Rua Uruguai, ainda está lá, mas transformada numa loja de produtos para noivas. É no bairro também que ele encontra as memórias de juventude passada na Praça Saens Peña.
— Minha turma ficava na frente do Café Palheta. Do outro lado da praça, tinha um botequim, onde eu sempre via o (compositor) Lamartine Babo. E as sessões de cinema no Cine Olinda eram um acontecimento.
O trabalho na Ordem Terceira ainda vai demorar para começar. A previsão é de que o restauro no convento, que teve início há cinco anos, só se complete daqui a dois ou dois anos e meio.
A tarefa de Olínio e de toda a equipe do Cepac (Centro de Projetos Culturais) é recuperar, numa obra avaliada em R$ 45 milhões, a riqueza original de um dos prédios mais antigos da cidade (a pedra fundamental da construção é de 1608, rivalizando em antiguidade com o Mosteiro de São Bento). Grande parte do trabalho é descobrir o que está por trás das reformas feitas durante a ocupação militar no complexo, entre 1885 e 1901, e as primeiras décadas que se seguiram a ela, quando o convento foi administrado por um grupo de freis alemães, ou simplesmente “os alemães”, como se refere a eles a equipe do Cepac. Entre os religiosos alemães, havia um arquiteto, o frei Schlag. Este período é chamado, no projeto do grupo atual, de período de “restauração do convento”. Esta “restauração”, considerada no projeto como “totalmente extemporânea”, teria reproduzido “apenas o gosto pessoal do frade arquiteto alemão, Frei Schlag, descartando qualquer compromisso com a história da arte e a história cultural, cujos valores impregnados no monumento conseguiram atravessar, incólumes, três séculos até então”.
— As maiores intervenções foram feitas pelos alemães — revela Olínio, lembrando, porém, que, em 1953, ouve uma “limpeza” promovida pelo arquiteto Lúcio Costa.
— Embora desastrosas, as intervenções dos alemães, de certa forma, também preservaram a obra original.
A “preservação” aconteceu por conta de as obras dos “alemães” apenas esconderem a construção original, com pinturas sobre pinturas ou detalhes arquitetônicos “emparedados”. Foi assim que se descobriu agora como era o frontão (a forma triangular que ornamenta topo de fachadas) original, registrado numa foto de Marc Ferrez (1843-1923), que já pode ser visto do Largo da Carioca.
— É um frontão que o Rio não vê desde 1924 — orgulha-se o arquiteto.
Um frontão secular do lado de fora e, do lado de dentro, uma sacristia que, como Olínio gosta de citar, foi considerada pelo escritor Joaquim Manuel de Macedo como “a mais bela sacristia do Rio de Janeiro”. São muitos os encantos que estão para aparecer no histórico complexo arquitetônico do Centro da cidade. Durante as obras, Olínio convive com algumas histórias que, no futuro, vão fazer parte da lenda do prédio. A mais divertida delas é, sem dúvida, a que envolve a recuperação da estátua do pai de São Francisco.
Na restauração das cinco capelas do claustro, estava faltando uma imagem no altar da Capela do Nascimento de São Francisco. Era uma pequena estátua do pai do santo. Acreditava-se que fora roubada, que quebrara-se ou que, simplesmente, desaparecera. Até o dia em que um jovem frei do convento foi assistir à comédia “A guerra dos Rocha”, filme brasileiro de 2008. Lá estava, numa cena, como objeto de decoração, a imagem desaparecida do pai de São Francisco. A Ordem Terceira de São Francisco da Penitência já a recuperou.
O entusiasmo com que esse tipo de caso é dividido entre todos que trabalham no convento mostra, na opinião de Olínio, que o projeto é “uma escola de restauro”. Pouco a pouco, a pintura dos claustros volta a ter a cor azul, a altura do telhado é reduzida com a substituição das telhas francesas pelas telhas coloniais originais, a azulejaria portuguesa é recuperada.
— Quando você restaura, não pode procurar a finalidade — ensina ele. — Tecnicamente, temos um compromisso com a teoria do restauro. O uso tem que ser adaptado ao estado do monumento. Você não pode mudar o monumento por causa do uso.
Santo de casa faz milagre
É difícil estabelecer os limites do trabalho de Olínio Coelho ali no Largo da Carioca. Ele mesmo diz que “arquiteto é metido a fazer tudo, é um estado de espírito especial”. Sobre o prédio específico no qual ele agora se debruça com seu conhecimento, lembra que “o uso constante manteve o monumento”.
— Se não tivesse sido usado pelos franciscanos desde sua construção, hoje estaria em ruínas, como muitos conventos por aí — ensina.
Mas seu papel na restauração do complexo arquitetônico pode ser atestado pela declaração da coordenadora do projeto, Ana Lúcia Pimentel, que, funcionária aposentada do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com formação em Administração e das primeiras técnicas brasileiras a se especializar em Lei Rouanet, atualmente, admite ter “o sangue da restauração correndo nas veias”:
— O Olínio tem uma experiência enorme que nos embasa a lutar por esta causa.
Na última quinta-feira, numa espécie de visita guiada pelas obras do convento, o repórter teve outro exemplo do respeito com que é visto o trabalho do arquiteto, ao se meter numa discussão surrealista com a restauradora Rejane Oliveira dos Santos. Comentando algumas imagens que estava recuperando, ela disparou:
— Santo Antônio é o santo das causas impossíveis.
O repórter desconfiou:
— Ué, mas este não é São Judas Tadeu?
— Também, mas é Santo Antônio quem nos ajuda a encontrar objetos perdidos.
— Não, este é São Longuinho, aquele dos três pulinhos.
Ana Lúcia Pimentel cortou a discussão com uma afirmação definitiva:
— O importante é que nosso santo protetor é Santo Olínio.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

SEMINÁRIO SOBRE TRENS




Enviado por Bairros.com -
17.7.2012
13h21m

Aenfer organiza seminário sobre transportes ferroviários



De 8 a 10 de agosto, a Aenfer - Associação de Engenheiros Ferroviários do Rio de Janeiro vai promover o seminário "TransTrilhos - O transporte sobre trilhos que o RIO precisa", no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. Serão três dias de palestras e discussões, comandadas por engenheiros renomados, sobre o atual modelo de transporte ferroviário na cidade. Todos os participantes ganharão um certificado.

- A expectativa é reunir profissionais e pessoas interessadas no transporte sobre trilhos, além de despertar o interesse da população para a implantação do transporte que o estado precisa. Propostas ambientalmente mais adequadas para a malha ferroviária no Rio de Janeiro também serão discutidas - explica o presidente da Aenfer, o engenheiro Luiz Lourenço de Oliveira.

Em sintonia com a preservação do meio ambiente, o painel abordará o tema do transporte e a sustentabilidade, além de projetos da área ferroviária ligados ao transporte de carga e de passageiros de médio e longo percurso voltados para o desenvolvimento do nosso estado.

A participação é gratuita. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: seminario@aenfer.com.br  ou pelos telefones: (21) 2509-0558 e (21) 2221-0350. O Clube de Engenharia fica na Avenida Rio Branco 124, auditório do 25º andar.