FALE COM OS MONARQUISTAS !

FAÇA PARTE DO NOSSO GRUPO NO YAHOO

Inscreva-se em DMB1890
Powered by br.groups.yahoo.com

terça-feira, 4 de setembro de 2012

RIO E O SEU PATRIMÔNIO HISTÓRICO SEMPRE EM PERIGO !


Venda de prédios históricos põe em risco tradicional comércio do centro do Rio

Ao menos 19 imóveis na rua da Carioca foram vendidos, preocupando lojistas


André Paino, do R7 | 04/09/2012 às 05h30
Luis Fernando Reis

rua da carioca
Lojistas da rua da Carioca, no centro do Rio, se dizem com venda de imóveis tombados

Lojistas da rua da Carioca, tradicional área de comércio do centro do Rio de Janeiro, foram pegos de surpresa com a venda de 19 imóveis da região que pertenciam à Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Segundo o presidente da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências, Roberto Cury, os lojistas temem que o novo proprietário peça para que eles deixem os imóveis, instalados em importante ponto histórico da capital.
Em 18 de julho passado, a Ordem apresentou notificação aos lojistas para informar que 42 prédios, sendo 19 da rua da Carioca, seriam vendidos. De acordo com o presidente da associação, o documento dava prioridade aos lojistas, porém, os prédios deveriam ser vendidos em blocos (R$ 54 milhões) e não separadamente o que inviabilizava a compra dos imóveis devido ao alto valor exigido.
— Ficamos sabendo que a Ordem já havia feito a venda para uma financeira quando um dos lojistas tentou renovar o contrato de aluguel. Isso é uma agressão aos lojistas e, principalmente, ao patrimônio histórico e cultural.
Cury informou que a Ordem havia dado um prazo de 30 dias para que os lojistas apresentassem interesse na compra dos imóveis. Porém, como a venda não poderia ser feita separadamente, não houve propostas.
O presidente afirmou ainda que a liminar apresentada pelos advogados da Ordem dava conta de que os prédios precisavam ser vendidos urgentemente porque a entidade estava com problemas fiscais e previdenciários, além de dificuldades financeiras.
— A venda em blocos foi propositalmente projetada para que os lojistas não pudessem realizar a compra dos imóveis, que foram vendidos para a financeira à qual a ordem estava devendo dinheiro.
O R7 entrou em contato com a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, que não quis se pronunciar sobre o assunto.
Prédios tombados
A região abriga importantes pontos tradicionais do Rio, como o Bar Luiz, no local desde 1926. O bar foi um dos primeiros a vender chope na cidade. Outro estabelecimento importante para a história do Rio é o Guitarra de Prata, loja de instrumentos musicais que já recebeu importantes nomes da música brasileira, como Nelson Gonçalves e Dorival Caymmi.
Os imóveis à venda localizados na rua da Carioca são tombados desde 1983 pelo Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural).
Segundo a Secretaria Estadual de Cultura, proprietários de imóveis tombados não podem vendê-los sem antes comunicar ao órgão de tombamento o desejo de fazê-lo e sem que o imóvel seja oferecido primeiro à instância de governo a que é vinculado o órgão de tombamento.
A secretaria informou que, para validar uma transação de compra e venda de um bem tombado, é preciso constar do processo a ciência do órgão de tombamento e a recusa de compra da instância de governo que tem prioridade de aquisição (municipal, estadual ou federal).

domingo, 2 de setembro de 2012

DOM BERTRAND RECEBIDO COM HOSTILIDADE NA UNESP DE FRANCA


SÁBADO, 1 DE SETEMBRO DE 2012

G1: UNESP DE FRANCA AVALIA PUNIR ALUNOS QUE CHAMARAM PRÍNCIPE DE NAZISTA

Protesto aconteceu durante visita do herdeiro da família real à universidade. Dom Bertrand, 71 anos, palestrou sobre a história da monarquia no país.
 
Adriano Oliveira
Do G1 Ribeirão e Franca
 
A diretoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Franca (SP) informou nesta sexta-feira (31) que analisa punir os estudantes que realizaram um protesto durante a palestra do príncipe herdeiro da família real brasileira, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, de 71 anos, na noite da última terça-feira (29).
 
Dom Bertrand de Orleans e Bragança iniciou visita pela Catedral (Foto: Reprodução/TV Integração)
O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e 
Bragança fez  palestra sobre a história da 
monarquia brasileira em  Franca 
(Foto: Reprodução/TV Integração)
Segundo o diretor da Unesp, professor Fernando Andrade Fernandes, o príncipe havia sido convidado para falar sobre a história da monarquia no Brasil. Entretanto, cerca de 100 universitários invadiram o auditório na abertura do evento com bandeiras e cartazes, chamando Dom Bertrand de “nazista”, “fascista” e “assassino”.
 
Após o tumulto, o príncipe saiu escoltado por seguranças e o encontro foi transferido para a Faculdade de Direito de Franca. “A administração está avaliando a adoção de medidas punitivas em relação aos responsáveis pelo ato. Não somos contra a liberdade de pensamento, mas não aceitamos a atitude de um grupo extremista que sempre adota posturas radicais dessa natureza”, afirmou o diretor da Unesp.
 
O protesto
O estudante de Direito Arthur Cantarella, de 21 anos, disse que integrantes do grupo contrário à realização da palestra distribuíram cartazes pela universidade criticando a casa imperial brasileira e convocando os alunos para participarem da manifestação.
 
Para Cantarella, o principal motivo do protesto foi a postura ideológica do príncipe, que defende a volta do regime monárquico ao país. “O problema é que esses alunos extrapolam. Manifestações são válidas e permitidas, a questão é agredir verbalmente um convidado”, criticou.
 
G1 tentou falar com estudantes que organizaram o protesto, mas nenhum deles retornou as ligações ou e-mails enviados até a manhã de sábado (1º).
 
Príncipe

Por telefone, Dom Bertrand disse ao G1 que considerou o protesto uma “estupidez” e que já sofreu críticas semelhantes em outras ocasiões. “Ficaram me acusando de ser nazista sem o mínimo conhecimento sobre a história da minha família, que foi perseguida pelo nazismo. Isso demonstra que eles desconhecem a própria história."
 

IGREJA DA GLÓRIA, UMA JÓIA DO RIO DE JANEIRO


Principal ícone do bairro, Igreja da Glória volta à sua época de ouro


Restauro da construção devolverá parcialmente o tom dourado da talha do altar-mor e dos dois altares laterais

Publicado:


A talha do altar-mor emoldura a imagem de Nossa Senhora da Glória do Outeiro
Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo
A talha do altar-mor emoldura a imagem de Nossa Senhora da Glória do Outeiro Pedro Kirilos / Agência O Globo
RIO - A Igreja da Glória vai passar por um importante restauro no momento de revitalização do bairro do qual é o principal ícone. E essa reconstituição é tão importante que, na última quinta-feira, um seminário com arquitetos, restauradores, historiadores da arte e integrantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Irmandade Imperial da Glória discutiu o destino da talha no interior da edificação religiosa. A partir daí, pôde-se desvendar um pouco da história do prédio instalado no topo do outeiro na primeira metade do século XVIII, formando um conjunto de relevo e arquitetura que o carioca talvez não tenha se dado conta que é tão importante quanto o do Corcovado e do Cristo Redentor.



Atualmente, a talha do altar-mor e dos dois altares laterais tem sua madeira crua, sem qualquer douramento. A Irmandade da Glória, então, quis ouvir especialistas para saber se a mantém assim, faz um douramento total ou se faz um douramento parcial, deixando fundos brancos, mais leves.
— Ao fim de oito horas de debate, a Irmandade percebeu que a maioria dos palestrantes gostaria de ver a talha com douramento parcial, no estilo rococó. Agora, vamos precisar da aprovação do Iphan — disse o provedor da irmandade, Ronaldo Goytaz Cavalheiro.
A discussão sobre a talha é antiga. O arquiteto Luciano Cavalcanti de Albuquerque lembra que, em 1940, o então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) tinha como presidente Rodrigo Melo Franco de Andrade . Na época, Melo Franco se aconselhou sobre a talha da igreja com o arquiteto Lúcio Costa, pioneiro da arquitetura moderna no Brasil.
— Lúcio Costa defendeu então a retirada do douramento não por ser contra, mas por considerar o ouro utilizado de má qualidade. Ao ver como ficou a madeira sem nada, Lúcio gostou do efeito visual.
Desde então, a talha dos altares não tem qualquer douramento. Em 1942, porém, o poeta Manuel Bandeira publicou artigo protestando contra a retirada do douramento.
Azulejos vieram de Portugal
De planta poligonal, a arquitetura da igreja, segundo o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, tem estilo barroco em seu exterior. Já o interior da igreja, com as mudanças feitas ao longo do tempo, apresenta o estilo rococó, bem mais simples do que o estilo barroco, no qual o douramento das talhas era total. O recurso visual buscava acentuar o poder da Igreja Católica após a contrarreforma, como explica a historiadora da arte Myriam Ribeiro no livro “O barroco e o rococó nas Igrejas do Rio”, escrito em parceria com Fátima Justiano. Na obra, as autoras explicam que o rococó surgiu na França no reinado de Luiz XV, em meados do século XVIII. Há documentos históricos comprovando que a Igreja da Glória já estava em atividade em 1739, mas ainda não se sabe ao certo o ano da inauguração. O primeiro douramento ocorreu na segunda metade do século XVIII, sob a influência do estilo francês. Apaixonada pela igreja, Myriam vai além da análise do interior do prédio.
— As três portadas da fachada são em pedra de lioz. Esse material veio em navios portugueses como lastro e, como era pesado, não chegou às igrejas mineiras, já que era impossível transportá-lo nas estradas da época. Em Minas, usou-se então material semelhante à pedra de lioz, a pedra sabão — diz Myriam, lembrando que os azulejos também vieram em navios portugueses.
Estudiosa da azulejaria portuguesa, a arquiteta Dora Alcântara detalha os exemplares da Igreja da Glória:
— Os painéis de azulejos da nave são do segundo quarto do século XVIII. É um tipo de produção do período joanino (dom João V) entre 1725 e 1750. Historiadores de Portugal atribuem esses painéis ao pintor português Valentim de Almeida. Os demais painéis (da capela-mor, da sacristia, dos corredores e do coro alto) são da mesma época, mas de autoria desconhecida. Todos têm muita boa qualidade.
O arquiteto Lúcio Costa talvez tenha sido o admirador mais ilustre da Igreja da Glória. Luciano Cavalcanti conta que, nos anos 1960, ele projetou a rampa em ziguezague até o templo, começando pela Rua do Russel. Hoje, o belo caminho carece de reforma.
— A Igreja da Glória revela belos ângulos de diferentes pontos do bairro. Desde o século XVIII, talvez tenha sido uma das edificações mais vistas em pinturas históricas — diz Luciano.
O cartão-postal tantas vezes retratado guarda também a imagem da primeira capela construída no outeiro no século XVII. Como conta Nireu Cavalcanti, quem olha para o teto da sacristia se depara com uma pintura da construção original.


sábado, 1 de setembro de 2012

Tishman Speyer - OBRIGADO POR PRESERVAR NOSSO PATRIMÔNIO !


Enviado por Jorge Antonio Barros -
31.8.2012
|
17h48m
arquitetura

Retrofit do Edifício Galeria conquista prêmio


O projeto de retrofit do Edifício Galeria, na Rua da Quitanda --Centro do Rio -- executado pela Tishman Speyer, veja na foto, conquistou o Prêmio Master Imobiliário 2012 na categoria empreendimento comercial. O imóvel projetado em 1922 ocupa todo o quadrilátero formado pelas ruas da Quitanda, do Ouvidor, do Carmo e do Rosário, abrigava a antiga sede da Companhia Sul América de Seguros e foi completamente modernizado, sem que fossem perdidas as características arquitetônicas da fachada.
-- Todo o trabalho foi executado com o objetivo de manter o equilíbrio entre a herança cultural dessa construção e a modernização do espaço físico e das instalações. Como resultado, temos um edifício de escritórios de altíssimo padrão, totalmente integrado ao processo de revitalização do Centro do Rio de Janeiro -- disse Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer no Brasil, empresa de origem americana, especializada em adquirir e reposicionar construções históricas, há 17 anos no país. 

O retrofit de prédios é considerado por muitos arquitetos como um dos meios mais eficazes de se resgatar a arquitetura histórica nos grandes centros urbanos hoje. Como muitos proprietários não têm recursos para restaurar os edifícios, assim como o poder público, cada vez mais empresas se especializam nesse trabalho. 

Com 28 mil metros quadrados de área construída, o empreendimento passou por ampla requalificação, que incluiu a total modernização de suas instalações, além do restauro dos itens que compõe sua arquitetura eclética: afrescos, o relógio da fachada, as belíssimas escadas e os mínimos detalhes de suas fachadas. Além de escritórios corporativos, o empreendimento conta com um shopping no andar térreo, resgatando o conceito de compras de varejo para a região central da cidade, com três mil metros quadrados de lojas e restaurantes de altíssimo padrão. Os outros oito pavimentos, destinados a escritórios, estão sendo alugados para empresas nacionais e multinacionais. 

O Edifício Galeria foi concebido pelos arquitetos Joseph Gire e por Roberto R. Prentice, responsáveis por outros importantes edifícios no Rio de Janeiro: Gire é autor dos projetos do Copacabana Palace, do Hotel Glória e do Palácio das Laranjeiras. Prentice assina o projeto da Central do Brasil.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CENTRO HISTÓRICO DO RIO, PATRIMÔNIO AMEAÇADO PELA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA !


Venda em bloco de casarios históricos da Rua da Carioca pode despejar lojas centenárias


Lojistas inquilinos de imóveis tradicionais como Bar Luiz e A Guitarra de Prata temem ser despejados

Publicado:

O tradicional comércio da Rua da Carioca pode perder 19 de suas lojas
Foto: Domingos Peixoto / O Globo
O tradicional comércio da Rua da Carioca pode perder 19 de suas lojasDomingos Peixoto / O Globo
RIO - A Rua da Carioca, um dos mais tradicionais endereços do comércio de rua do Rio, com estabelecimentos centenários como Bar Luiz, Vesuvio e A Guitarra de Prata, teve parte de seu casario histórico posto à venda. Há pouco mais de um mês, comerciantes de 19 imóveis da rua começaram a ser informados da venda pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, proprietária das lojas, dentro de um lote de 42 edificações em 13 ruas do Centro e da Zona Sul, como noticiou a coluna Gente Boa, do GLOBO. Avaliados em R$ 54,85 milhões, os imóveis deverão ser vendidos em bloco. Segundo documento ao qual O GLOBO teve acesso, a instituição religiosa estaria se desfazendo de parte de seu patrimônio devido a dívidas bancárias, fiscais e previdenciárias.

As notificações sobre a venda começaram a ser entregues no início de julho, dando prazo até 18 de agosto passado para que lojistas interessados na compra se apresentassem. Segundo comerciantes, contudo, a venda em bloco inviabilizaria a compra, devido ao alto valor pedido. Dizendo-se de mãos atadas, eles temem eventuais despejos ou mudanças nos contratos de locação.
O presidente da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca), Roberto Cury, diz que os lojistas se reuniram para discutir o assunto. Mas eles não teriam como arcar com a aquisição em bloco:
— São muitos imóveis, em muitas ruas. Na Carioca, vão vender do número 11 ao 53, com exceção do Cine Íris e do Shopping Matriz, que já foram vendidos. As notificações davam 30 dias, como prevê a Lei do Inquilinato. Mas não houve como exercer essa preferência de compra. Os lojistas estão desesperados.
Outro receio é da perda da tradição das lojas, caso os imóveis sejam comprados por um único empresário que queira mudar o destino dos estabelecimentos. O casario da Rua da Carioca é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) desde 1983, e o conjunto arquitetônico é protegido por legislação municipal do Corredor Cultural.
Com 125 anos, o Bar Luiz ocupa um dos imóveis da lista. Fundado em 1887 na Rua da Assembleia, o bar se mudou para a Carioca em 1926. Foi um dos primeiros a servir cerveja e chope no Rio. A possibilidade de ter que sair do local preocupa frequentadores e funcionários.
— O bar chamava-se “Braço de Ferro” porque, no início, a cerveja era disputada no braço. Os bares só vendiam vinho — diz o garçom João Natal, um dos mais antigos do Bar Luiz.
Vizinho de parede do bar e também na iminência da venda, a loja de instrumentos musicais A Guitarra de Prata já atendeu clientes famosos como Pixinguinha, Dorival Caymmi, Nelson Gonçalves e Paulinho da Viola. Na loja, há 125 anos no mesmo endereço, o compasso é de espera.
— Nosso contrato vence em dois anos. Mas há muita falta de informação. É uma insegurança grande e uma pena — diz o gerente, Afrânio Capitine.
O GLOBO procurou a Ordem Terceira, mas não obteve retorno. No texto das notificações, a instituição afirma que a “alienação em bloco de imóveis é imprescindível à instituição, diante da urgente necessidade de quitar parte de seu passivo fiscal, tributário, previdenciário e bancário, e à continuidade das atividades do Hospital Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência”.
Subsecretário de Patrimônio faz críticas à venda em bloco
O subsecretário municipal de Patrimônio, Washington Fajardo, disse ter sido procurado por inquilinos receosos do destino da Rua da Carioca. Ele criticou a venda em bloco dos imóveis pela instituição:
— A venda em lote impede a compra pelos inquilinos. O valor é alto. Não tenho dúvida de que, se a venda fosse fracionada, seria feita rapidamente. A venda em lote busca o lucro, sem considerar inquilinos históricos. É um modo pouco cristão de cuidar do patrimônio. Um capitalismo selvagem sendo praticado por uma ordem religiosa.
Os imóveis à venda ficam à esquerda da Carioca, nos limites do Morro de Santo Antônio. O lote de 42 imóveis inclui quatro na Avenida Rio Branco 100, na área chamada de “Ferro de Engomar”, pelo formato triangular do terreno. Os demais imóveis ficam nas ruas Miguel Couto (5), Teófilo Otoni (4), Primeiro de Março (1), Sete de Setembro (1), Gonçalves Dias (1), Senhor dos Passos (1), Uruguaiana (2), Mem de Sá (1) e Visconde de Pirajá (1), na Travessa do Ouvidor (1) e Largo de Santa Rita (1).


LISZT VIEIRA CONTA O PT, A FAVOR DO BRASIL !


Liszt Vieira: ‘Querem construir casas dentro do Jardim Botânico. Não dá’

Ao contrário do que propõe a União, Liszt Vieira quer área do parque livre: “Dentro do Jardim Botânico não dá”
Ao contrário do que propõe a União, Liszt Vieira quer área do parque livre: “Dentro do Jardim Botânico não dá” Foto: Márcia Foletto / O Globo
Selma Schmidt - O Globo

RIO - O Ministério do Meio Ambiente propôs remover casas de invasores de dois núcleos do Jardim Botânico, em áreas de risco, para outro trecho dentro do parque. Demissionário por causa do imbróglio, o presidente do instituto, Liszt Vieira, não aceitou a proposta e conta aqui que o impasse continua.
Mais de 600 famílias ocupam a área do Jardim Botânico. Quais os prejuízos dessa ocupação para o parque?
O Jardim Botânico está sufocado no seu atual espaço. Necessita de espaço para efetuar o plantio de espécies ameaçadas de extinção e representativas de biomas brasileiros, e para a expansão de laboratórios. Há muitos anos estamos propondo que o governo faça construções de habitações de interesse social para abrigar os atuais ocupantes. Mas não houve nenhuma iniciativa concreta nessa direção. Então, temos essa necessidade do ponto de vista científico, que não pode ser cumprida porque estamos sufocados. O Jardim Botânico, hoje, é parte da agenda científica do país. Ele contribui com a política nacional de conservação da biodiversidade.
Mas existem documentos e decisões determinando a retirada dos invasores...
A Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente fez um levantamento e identificou 240 casas em área de risco, recomendando a remoção imediata. Esse estudo é do segundo semestre do ano passado, foi publicado em dezembro e encaminhado à ministra (Izabella Teixeira). Outro documento é o de tombamento do Horto como área de continuidade do Jardim Botânico, de 1973. Há também o Plano Diretor da cidade, de 2002, que estabelece a ocupação das áreas do Jardim Botânico para atividades científicas.
Há ainda uma decisão a ser tomada, possivelmente no dia 5, pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O relator do processo considera a ocupação ilegal. Dois ministros votaram e um terceiro pediu vista. Provavelmente o TCU vai considerar a ocupação ilegal. Mas o que governo vai fazer eu não sei.
O Jardim Botânico precisa de todos os cerca de 50 hectares ocupados irregularmente?
Pessoalmente, abriria mão da faixa alongada entre o Rio dos Macacos e a Rua Pacheco Leão, desde que haja amparo legal. Mas a diretoria do Jardim Botânico, em sua maioria, entende que toda a área ocupada precisa ser retomada para que a instituição possa cumprir a sua missão prevista em lei. Concordamos que seja feito um cronograma para que os ocupantes saiam gradativamente, até que o governo faça construções de interesse social para abrigar as famílias.
O senhor esteve com o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (Francisco Gaetani). Ele conversou com o senhor sobre remoções? O ministério está para remover os primeiros núcleos dentro do parque?
A SPU (Secretaria do Patrimônio da União) aceita que pessoas de algumas áreas de risco sejam removidas. São as que estão nos núcleos do Grotão (95 unidades) e da Vila da Major (24). Mas quer que as famílias sejam reassentadas dentro do Jardim Botânico, no Caxinguelê e no Morro das Margaridas. Ou seja, pretendem construir casas dentro do parque. O secretário nos ouviu em Brasília. Eu disse: dentro do Jardim Botânico não dá.
Então a conversa em Brasília foi sobre essa proposta?
Nos chamaram para ouvir a opinião do Jardim Botânico. Sugerimos que as pessoas fossem transferidas para uma outra área da União, que não fica no parque nem é tombada. Fica na Rua Dona Castorina, no próprio bairro, onde já existe uma ocupação.
Foi tomada uma decisão?
Eles não bateram o martelo. Não há nada decidido ainda. Disseram que ouviram o Jardim Botânico e que vão rediscutir o assunto.
Depois dessa conversa, como fica a sua posição em relação à decisão já anunciada de deixar a direção do Jardim Botânico até o fim do ano?
Como já estava vendo o andar da carruagem, no fim do ano passado comuniquei à ministra que eu queria sair do Jardim Botânico e pedi a ela que procurasse alguém para me substituir. Ela pediu que eu ficasse até a Rio+20 (junho). Disse que ficava até que a ministra arranjasse um substituto. No dia em que ela disser que arranjou, eu vou embora. A bola está com ela.
Na reunião com o secretário-executivo, esse assunto foi tratado?
Não. Isso é com a ministra.
A sua decisão de sair até o fim do ano permanece?
Você tem que entender o seguinte: se a ministra está apoiando uma coisa que eu sou contra, tenho que ir embora. Ocupo um cargo de confiança. É uma questão ética. Agora, o governo também não tem uma decisão final.
Mas essa não é uma questão muito política, que envolve parentes do deputado Edson Santos (PT)?
O Jardim Botânico tem um critério científico e ambiental. A SPU, um critério habitacional. São duas linhas que não são convergentes, são paralelas. Agora, tem a pressão política também. Parentes do deputado moram dentro do Jardim Botânico.
A coluna do Ancelmo Gois informou que existe um movimento de artistas de apoio ao senhor. O senhor foi procurado por eles?
O Frejat pai (o ex-deputado José Frejat) me telefonou na semana passada e comunicou que o filho iria tomar essa iniciativa. Já recebi também o apoio dos 28 diretores de unidades de conservação do estado, que tem o blog “Mosaico Carioca”. E tem ainda muita gente mandando e-mail, escrevendo no Facebook.
O senhor acha que esse imbróglio vai ter uma solução?
Algum dia vai ter uma solução. Não sei qual.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O PARC ROYAL


Quarta, 29 Agosto 2012 11:44

O Parc Royal

Escrito por

Tempos atrás — não muito tempo — era quase impossível a uma pessoa nesse país comprar o que fosse do exterior. Tudo era proibido, bloqueado por interdições de toda ordem, na maioria das vezes para beneficiar os muitos protegidos associados da corrupção e ineficiência estatal, para os quais eram feitas leis e portarias que eliminavam qualquer competição, obrigando a população a consumir produtos inferiores e com preço absurdo. O exemplo mais conhecido é o do setor automobilístico, o qual, de 1974 a 1990, teve as importações "temporariamente suspensas", sendo esse o jargão burocrático usado pelo governo para transformar o país no único em que multinacionais (VW,GM, Ford, etc) tinham reserva de mercado.
Esse tipo de fato, ainda presente em grande escala se comparado a outros países, reflete na verdade uma longa e ambígua relação do Brasil com o exterior, passando alternadamente por períodos de maior ou menor liberalização, a atitude não se resumindo a sua dimensão econômica, sendo mais um tipo de convicção profundamente enraizado na psiquê de gerações sucessivas de burocratas governamentais. É talvez o setor mais sujeito a arbitrariedades, com regras mudando ao sabor dos interesses.
É possível que esse tipo de postura esteja diretamente ligada ao nosso passado colonial, onde toda relação com o exterior era controlada pela metrópole portuguesa, e onde durante muito tempo proibia-se a entrada de estrangeiros, salvo em casos específicos. Os navios que aqui vinham só podiam ter como destino Portugal, e a coroa procurava bloquear o acesso a tudo que não viesse de lá, mantendo a colônia no maior atraso possível, pensando assim melhor defender seus interesses.

parc_royal_2

O magazine Parc Royal ao lado da igreja de São Francisco, em um Largo 
ainda distante do caos e imundície atuais


Esse esquema viraria de cabeça para baixo a partir de 1808, quando a côrte foi transplantada para o Rio de Janeiro. De uma hora para a outra, a cidade passou a ser a própria metrópole, para onde convergiam bens de toda parte do mundo, assim como autoridades e delegações estrangeiras de vários países. Com a abertura dos portos às nações amigas, em 28 de janeiro de 1808, a até então obscura colônia ligava-se ao mundo, o qual respondeu enviando um fluxo contínuo de mercadorias e pessoas, que começaram a definir o próprio país.
Essa lufada de ar fresco de proporções míticas geraria um sem-número de transformações, como por exemplo na construção de novos tipos de residência, amplas e ajardinadas, uma influência inglesa, à criação do setor hoteleiro, através do primeiro hotel decente, o Pharoux na praça XV, francês, o qual também introduziu a culinária sofisticada com seu restaurante, além da entrada de um número infinito de mercadorias européias, utensílios domésticos como móveis e outros, máquinas, além de bens culturais como livros, etc.
Como não poderia deixar de acontecer, uma das facetas da vida cotidiana mais afetada foi a moda, pois agora era imperioso, principalmente para a elite, seguir os padrões da côrte, que eram os da Europa. Os navios desembarcavam sem parar tecidos e outros implementos, os quais vinham acompanhados de uma multidão de alfaiates e modistas, chapeleiros, etc. Agora estar na moda era uma necessidade, e esse setor de atividade só fez prosperar, desde o tempo de D.João.
Seu pleno florescimento aconteceria durante a época de D.Pedro II, com a transformação da rua do Ouvidor em passarela da moda e na rua mais conhecida do Brasil, onde se podia comprar quase tudo que de melhor existia, desde que se tivesse dinheiro. E as opções eram muitas, como a famosa loja Notre-Dame de Paris, de 1848, a Torre Eiffel, de 1889, a Raunier, de 1854, e muitas outras. A expansão dessa atividade continuou com a República, e um dos estabelecimentos mais destacados ficava perto da Ouvidor, no Largo de São Francisco. Foi o magazine Parc Royal.
Fundado em 1875, na esquina do Largo com rua dos Andradas, era uma loja com grande movimento, e introduziu a novidade de venda a preço fixo, além de distribuir catálogos à freguesia, através dos quais podia se fazer encomendas que seriam enviadas de sua filial em Paris, sem problema algum. O magazine tornou-se o principal fornecedor de tudo que se refere ao vestuário na antiga capital.
O crescimento da loja levou à construção de uma nova instalação, em frente a seu antigo endereço e ao lado da igreja de São Francisco. O prédio foi inaugurado em 9 de março de 1911, continuando sua tradição como endereço da moda. Mas infelizmente não duraria para sempre. Após várias décadas de existência, em 9 de julho de 1943 o Parc Royal pegava fogo, em um dos maiores incêndios da história do centro do Rio. As chamas foram tão fortes que o prédio desabou do lado da rua Ramalho Ortigão, e a igreja ao lado teve vários de seus vitrais quebrados. Só resistiu por conta de sua forte construção colonial com paredes extremamente espessas.
O fim da famosa loja talvez prenunciasse o ocaso da região da rua do Ouvidor como lugar da moda e sofisticação, pois a seguir o Largo entraria em processo de decadência contínua ao ser transformado primeiro em terminal de ônibus, nos anos 60, e depois dos anos 80 em um infernal centro de comércio de rua ilegal, que a tudo suja além de atrapalhar a circulação. A Prefeitura completou o quadro ao retirar vários bloqueios à circulação que impediam uma maior degradação pelos veículos, sujando o local ainda mais e transformando-o em estacionamento de motos e carros.
Longe estão os dias do Parc Royal, verdadeiro símbolo de uma era em que ir ao centro do Rio era um prazer, ao invés da experiência desagradável de hoje em dia. Seria importante para a revalorização da imagem da cidade que toda essa área histórica fosse disciplinada e protegida, resgatando para o cidadão ruas e locais de passado tão histórico e destacado.