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sábado, 19 de março de 2011

Projeto de VLT ganha novo desenho em que passará pelo Centro Histórico do Rio

Previsto para as Olimpíadas de 2016, projeto de VLT ganha novo desenho em que passará pelo Centro Histórico do Rio




Publicada em 19/03/2011 às 00h12m

Isabela Bastos
O GLOBO

 


RIO - O projeto de construção de um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Zona Portuária do Rio , previsto no planejamento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, terá uma variante passando pelo coração do Centro Histórico e comercial do Rio. Rebatizado de VLT do Centro, o desenho, que está sendo finalizado na prefeitura, prevê um ramal da rede de bondes modernos que liga a Praça Tiradentes à estação das barcas, na Praça Quinze, atravessando ruas tradicionais e estreitas do bairro, cercadas de igrejas, prédios históricos e lojas comerciais.

O circuito terá ainda uma linha partindo do Porto até o Aeroporto Santos Dumont.

Mas esse último trajeto ainda está sendo fechado por técnicos municipais.



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Transoeste ficará pronto seis meses antes


Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio, Felipe Góes, as três linhas do VLT do Centro deverão ter um total de 13 quilômetros de extensão. Todo o projeto básico do sistema deve ser concluído em julho. Além do já conhecido trecho que circundará toda a área do Porto - passando por parte da Avenida Rodrigues Alves e ruas subutilizadas da região - e do ramal até o Aeroporto Santos Dumont, a terceira linha cruzará o Centro passando pelas ruas da Constituição e Sete de Setembro. No caminho, atravessará a Rua Primeiro de Março e contornará o Paço Imperial, até chegar à estação da Praça Quinze.



Linhas da Zona Portuária vão contar com integração

Esse trajeto passa perto de construções históricas, como a Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, na esquina das ruas Sete de Setembro e Primeiro de Março, e o Paço Imperial.

Nas imediações do futuro leito do VLT, ficam ainda prédios tradicionais do Rio, como os teatros Carlos Gomes e João Caetano, na Praça Tiradentes.

Outra construção centenária que fica na área é a Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias, transversal à Sete de Setembro.



A linha Praça Tiradentes-Praça Quinze do VLT do Centro terá pelo menos três estações, duas nas extremidades do circuito e uma no cruzamento da Rua Sete de Setembro com a Avenida Rio Branco.

Mas não está descartada a possibilidade de haver mais paradas pelo caminho, conhecido pelas suas inúmeras lojas e pelo calçamento ainda em paralelepípedos.



- Essa variante do VLT será circular. O veículo contorna a Praça Tiradentes e pega o caminho para as barcas, retornando de lá pelo mesmo eixo - explica Felipe Góes.



A linha da Zona Portuária, a maior do sistema de VLT, terá estações de integração com o metrô, na Cidade Nova; com os trens, na Central do Brasil; com o futuro teleférico do Morro da Providência, na altura da Cidade do Samba; com a estação da Leopoldina, hoje desativada, mas planejada para receber a estação final do Trem Bala Rio-São Paulo; e com o terminal marítimo da Praça Mauá.



- Os detalhes finais estão sendo acertados. Há um desejo grande do BNDES de fazer o projeto. Estamos terminando até julho não só o traçado, mas a modelagem econômica da implantação e da concessão - complementa o secretário.



A implantação do VLT do Centro será alvo de uma licitação separada da operação da Parceria Público-Privada (PPP) já contratada para a Zona Portuária. O consórcio Porto Novo, vencedor da PPP de R$ 7,3 bilhões por um prazo de concessão de 15 anos, terá que deixar pronta a calha por onde passará o VLT, mas sua implantação e operação será alvo de outra concorrência, cuja modelagem econômica está sendo fechada.



O início da operação da PPP do Porto está prevista para abril, logo após o primeiro leilão dos chamados Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos que serão emitidos pela prefeitura para arrecadar recursos para o projeto Porto Maravilha, de revitalização da Zona Portuária.

De acordo com Felipe Góes, o contrato com o consórcio Porto Novo já foi assinado e a operação será iniciada pela execução de serviços, como troca de lâmpadas de iluminação pública, tapa-buracos, limpeza e coleta de lixo.



As obras previstas no contrato da PPP, que incluem a derrubada de parte do Elevado da Perimetral, a construção de um túnel sob a Avenida Rodrigues Alves, a abertura de uma nova avenida na região e a implantação de toda a infraestrutura de água, luz, esgoto e telefonia, será iniciada em três meses a partir da ordem de início das obras.



- Estamos no período de silêncio exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes do leilão. Mas podemos dizer que a ordem de início do contrato será dada tão logo aconteça o leilão - explica o secretário de Desenvolvimento Econômico.



Calçadas da Zona Portuária serão de granito


Com 80% da infraestrutura (redes de drenagem, saneamento básico, fornecimento de água e telefonia) já instalados, a primeira etapa do projeto Porto Maravilha, orçada em R$ 139 milhões, já entrou na fase de acabamento das calçadas e passeios públicos, que combinarão peças de granito com pedras portuguesas.



De acordo com a Secretaria municipal de Obras, a primeira das 12 ruas que estão sendo recuperadas entre a Praça Mauá e a Rua Barão de Teffé, será a Rua Coelho e Castro.

As demais vias, incluindo a própria Barão de Teffé, devem ficar prontas até março do ano que vem.

A primeira fase inclui ainda a reurbanização do Morro da Conceição e a recuperação do Jardim do Valongo.



terça-feira, 15 de março de 2011

OS DOIS IRMÃOS

Os Dois Irmãos

15/03/2011 - 12:03
Enviado por: Paulo Pacini
JB


O conhecido bairro de Santa Teresa talvez seja, dentre os muitos do Rio de Janeiro, aquele que teve sua história e limites determinados por uma obra de engenharia, vital à sobrevivência da comunidade, que foi o aqueduto da Carioca, cujo trecho final, os Arcos, ainda subsistem, transformados em símbolo da cidade.



Na época em que o morro ainda chamava-se do Desterro, pois só seria de Santa Teresa após a criação do convento das freiras Carmelitas Descalças, em 1751, as águas há muito corriam pelo aqueduto, ao longo de seis quilômetros, do Silvestre até o Chafariz da Carioca, desde sua inauguração em 1723. O governador Gomes Freire reconstruiu todo o sistema com material mais durável, incluindo os atuais arcos, em substituição aos originais.





Os Dois Irmãos, marcos do antigo aqueduto da Carioca



A obra, tarefa descomunal então, era formada por um conduto feito de alvenaria, com grande dimensões internas, aproximadamente 1,80 m de altura por 90 cm de largura. Em sua base, onde a água corria e o desgaste era maior, havia uma calha esculpida no granito, formada por peças de enorme peso. O aqueduto era reto por trechos, isto é, as curvas eram feitas por segmentos retos unidos em ângulo, estando ora acima ora abaixo do solo.



Com o crescimento da demanda no século XIX, o aqueduto, mesmo explorado ao máximo, chegou a seu limite, e as obras feitas em 1889 por Paulo de Frontin, trazendo 17 milhões de litros da Serra do Tinguá em 6 dias, tornaram as águas do rio Carioca supérfluas. Em 1896, com a desativação, os bondes da Companhia Ferro-Carril Carioca passam a utilizar os arcos como viaduto, o que ocorre até hoje. Os veículos corriam ao lado do aqueduto, que, sem função, ia sendo aos poucos destruído para a construção de casas ao longo de seu caminho, que continua sendo a espinha dorsal do bairro, formada pelas hoje chamadas ruas Joaquim Murtinho e Almirante Alexandrino, originalmente conhecidas, e muito a propósito, como rua do Aqueduto.



Dentre a várias construções que compunham o antigo sistema, havia em certo ponto duas pirâmides de pedra, assinalando a presença do aqueduto, parcialmente enterrado. Os pioneiros que por lá passaram, quando era simplesmente um caminho para se alcançar as Paineiras e o Corcovado, chamaram as peças de "Dois Irmãos". Mesmo após a inauguração da linha de bondes elétricos, os marcos permaneceram por algum tempo, sendo demolidos posteriormente, legando, contudo, o nome para sempre ao local, uma referência para quem mora ou visita o bairro.



O aqueduto, maior e mais importante obra do Brasil-colônia, deixou para sempre sua marca em Santa Teresa, e é uma pena que nada tenha restado da canalização original. Ainda existem partes do sistema no Silvestre, próximo à bacia de captação, merecedoras de esforços de preservação, pois a ameaça do vandalismo e invasão está sempre presente quando a vigilância é omissa. A conservação e valorização do patrimônio não é só uma questão de auto-estima histórica, mas prova de inteligência, pois incrementa a visitação turística, gerando empregos e oportunidades.

Petrópolis comemora 168 anos

14/03/2011 15h56 - Atualizado em 14/03/2011 15h56



Petrópolis comemora 168 anos com festa gratuita

Na quarta (16), Maria Rita fará show de graça no Parque de Exposições.

Orquestra Sinfônica e Ballet do Theatro Municipal também marcam presença.

Do G1 RJ




O Palácio de Cristal, um dos pontos turísticos da cidade (Foto: Bernardo Tabak/G1)

A cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, comemora 168 anos, nesta quarta-feira (16). Para celebrar a data, será realizada a festa “Brilha Petrópolis”. O público poderá assistir, no Parque de Exposições da cidade, a partir das 16h, a apresentações da cantora Maria Rita e da Orquestra Sinfônica, do Coro e do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A entrada para a festa, promovida pela Globo Rio, é gratuita.



Os corpos artísticos do Theatro Municipal apresentarão um repertório variado, que inclui trechos de clássicos como “Carmen”, “O Guarani” e “La Traviata” e uma peça moderna, “Nascimento Novo”, de David Parsons, com música de Milton Nascimento.



Além de celebrar a data, o evento busca ressaltar a importância histórica da cidade e elevar a autoestima da população, após os estragos provocados pelas chuvas no início do ano. No dia da festa, todas as linhas de ônibus cobrarão, em caráter excepcional, a tarifa social, no valor de R$ 1, para garantir o máximo de participação da população.



segunda-feira, 14 de março de 2011

A PRAÇA MAUÁ NO CARNAVAL E OUTRAS HISTÓRIAS

A PRAÇA MAUÁ NO CARNAVAL E OUTRAS HISTÓRIAS:

IMAGENS DO ACERVO HISTÓRICO DE EDUARDO ANDRÉ CHAVES NEDEHF MARQUÊS DE VIANA.



A antiga Prainha, atual Praça Mauá, ganhou sua importância no cenário urbano da cidade do Rio de Janeiro a partir de 1846 quando Irineo Evangelista de Souza instalou seu Trapiche Mauá, que serviria como ponto de partida por mar, nos vapores Guarany e Leopoldina da sua Imperial Companhia de Navegação a Vapor Estrada de Ferro de Petrópolis (fundada em 1852) baldeando para o Comboio na praia de Mauá em Magé, seguindo primeiro até a raiz da Serra (1854) mais tarde chegando a cidade de Petrópolis em 1882.

Em 1910 o Club de Engenharia e a Associação Comercial do Rio de Janeiro encomendam ao escultor Rodolpho Bernadelli a coluna com a estatua do Visconde de Mauá, inaugurada em 1º de Maio de 1910.



Presentes a cerimônia de inauguração o Senador Serzedello Correia, representando o Marechal Hermes da Fonseca Presidente da República em viagem pela Europa, o Conde Paulo de Frontin representando o Club de Engenharia, o Comendador Candido Gaffrée reprensentando a Associação Comercial, e alguns famíliares do homenageado, os filhos Comendador Henrique Ireneo de Souza e a Baronesa de Ibira-Mirim e o genro-primo Comendador Antônio Alves de Souza Guerreiro.





Porém fato interessante e curioso que ocorreu em 1924, registrada em fotografia, de um grupo de carnavalescos satisfeitos em brincar na Praça Mauá, observa-se um folião mais afoito "agarrado ao próprio Mauá".

Também encontrou-se outras imagens históricas dos primórdios da comunicação no Brasil. Era a inauguração do Cabo-Submarino.




Inaugurado em 22 de junho de 1874 no edifício da Bibliotheca Nacional no Rio de Janeiro pelo Imperador D. Pedro II, que enviou pessoalmente as mensagens a Rainha Victória da Grã-Bretanha, o Imperador Guilherme I da Alemanha, o Imperador Francisco José I da Austria-Hungria, o Presidente Mac-Mahon da França, o Presidente Ulisses Grant dos Estados Unidos, o Rei Victório Emmanuel II da Itália, o Papa Pio IX e o Kediva Ismail do Egito, recebendo as mensagens de congratulações no dia seguinte. Pelo grande melhoramento dado ao Brasil o Imperador D. Pedro II eleva Mauá ao titulo de Visconde com honras de grandeza.

Recebe Mauá em 23 de junho de 1874 das mãos do próprio monarca a Carta Imperial do titulo, adoentado em sua casa em São Cristóvão, pois o diabetes que o mataria em 21 de outubro de 1889 dava seus primeiros sinais alarmantes.

Foi em 25 de dezembro de 1873 que puxou o monarca brasileiro o cabo submarino na praia de Copacabana em cerimônia da grande pompa.



O que poucas pessoas sabem é que o cabo submarino desenrolado desde a costa espanhola pelo Vapor Guarany da Ciª. de Navegação a Vapor de Mauá, surgiu finalmente na manhã de 8 de novembro de 1873, na costa pernambucana em frente a cidade de Recife, e dalí desenrolado até a Corte no Rio de Janeiro.









sábado, 12 de março de 2011

GLÓRIA: UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO ESQUECIDO . . . DAHAS ZARUR O DMB PRECISA DE UMA SEDE ! . . .

Casarão tombado na Glória sofre com abandono





Thais Lobo

 
RIO - No casarão de número 6 da Rua do Catete, na Glória, afrescos de estilo neoclássico, trazidos pela Missão Francesa, e estatuetas de mármore convivem com rachaduras, mofo e vazamentos há pelos menos seis anos.

Desde que a faculdade de medicina da Souza Marques deixou as instalações do Asilo São Cornélio, em 2005, o imóvel — construído em 1862 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) — entrou em um vertiginoso estado de abandono.



(Confira as fotos do Asilo São Cornélio)




O Conselho Comunitário da Glória já protocolou uma ação nos ministérios público federal e estadual contra a Santa Casa, proprietária do imóvel, por abandono de patrimônio público. O conselho quer que o imóvel seja transformado em um centro cultural do bairro. A estimativa do conselho é que sejam necessários de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões para recuperar o prédio.



— A parte interna do prédio está em avançado estado de abandono. Parte dos afrescos pintados no teto está caindo, o assoalho está se soltando. É um patrimônio muito rico da cidade do Rio que está abandonado, mas ainda pode ser restaurado — explicou Jorge Mendes, secretário do conselho. — A ideia é que o centro cultural seja um lugar de referência da memória do bairro, além de recuperar o espaço urbano e o patrimônio cultural. A Glória é um bairro histórico e queremos, inclusive, trazer de volta o patrimônio que foi retirado daqui, como o Chafariz das Ninfas, que está na sede da prefeitura, na Cidade Nova. O centro cultural funcionaria com atividades musicais no fim de semana, oficinas de arte, café, etc.



Para o superintendente do Iphan no Rio, Carlos Fernando Andrade, a responsabilidade pela má conservação do casarão é da Santa Casa.





— A Santa Casa tenta passar o imóvel para um novo inquilino e, por conta disso, não faz nenhuma obra ali. Há um cem número de interessados que não consegue chegar a um acordo com a entidade. O último foi um hospital — afirmou Andrade. — O fato de a Santa Casa não ter dinheiro não significa que pode deixar o imóvel cair. É preciso ter espírito público.



A Santa Casa da Misericórdia alega que o prédio estava sob responsabilidade da Souza Marques, antiga locatária que teria devolvido o casarão com a estrutura bastante danificada. Em nota, a entidade afirma que briga na Justiça pela reparação do local e também para que a Souza Marques quite débitos referentes ao aluguel do prédio.



A Souza Marques, por sua vez, nega o atraso no pagamento dos aluguéis e afirma que não foi acionada em qualquer processo na Justiça. A diretora da faculdade e secretária do curso de medicina, Leopoldina Souza Marques, diz ainda estar surpresa com o posicionamento da Santa Casa, já que a faculdade utiliza enfermarias cedidas pela entidade no Hospital Geral, no Centro.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Projeto do cais da Imperatriz e do Valongo

Simulações

Cariocas e turistas poderão ver de arquibancadas como eram os cais da Imperatriz e do Valongo, descobertos em escavações



Publicada em 10/03/2011 às 00h11m

Rogério Daflon

O GLOBO



RIO - O tesouro arqueológico encontrado no início do mês no Centro , durante as obras de drenagem do programa Porto Maravilha, na Avenida Barão de Tefé, vai se transformar num memorial. Nele, pavimentos históricos tanto do Cais da Imperatriz como do Cais do Valongo ficarão a céu aberto. Subsecretário municipal de Patrimônio Cultural, o arquiteto Washington Fajardo fez o projeto do memorial, cujo espaço total será de 1.350 metros quadrados.



- Um ano antes dos Jogos Olímpicos, o Rio fará 450 anos. Com esse memorial, a cidade vai receber um presente antecipado - disse Fajardo, afirmando que a obra começará assim que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) regional do Rio aprová-la.



( Vídeo: conheça o projeto do cais da Imperatriz e do Valongo )


O Cais do Valongo foi construído no fim do século XVIII para o desembarque de milhares de escravos.



- Os historiadores dizem que, de 1790 a 1831, quando o tráfico de escravos passou a ser ilegal, deembarcaram no Rio cerca de 700 mil africanos, e acredito que a maioria foi no Cais do Valongo - afirma o jornalista Rogério Jordão, que faz doutorado sobre o tema.



Já o Cais da Imperatriz - feito na década de 1840 sobre o Cais do Valongo, numa grande reforma com o intuito de receber a futura imperatriz Teresa Cristina, que se casaria com Dom Pedro II - teve na época como arquiteto o renomado francês Grandjean de Montigny, que, com a queda de Napoleão, se exilou no Rio.



Ao detalhar a obra, Fajardo informou que, ao lado dos pavimentos históricos, haverá um espelho d'água simulando o mar (aterrado pelo então prefeito Pereira Passos na década de 1910).



- O projeto terá acessibilidade para portadores de deficiência física, e, ao longo do percurso nos muros em volta, uma linha do tempo com informações sobre a evolução histórica dos dois cais. Duas arquibancadas, uma em frente a outra, darão diferentes perspectivas para se contemplar o memorial.



- Das arquibancadas, alunos das escolas do Rio terão bons ângulos para entender a história da cidade - acrescentou Fajardo.



O memorial contará com duas salas com mais informações sobre os dois cais e a evolução urbana da Região Portuária. Ali, haverá maquetes expondo essas diferentes fases do Porto. O memorial terá ainda iluminação à noite e quase como uma linha o dividindo ao meio a Rua Coelho e Castro, que faz esquina com a Barão de Tefé.



- O espaço de 1.350 metros quadrados foi a maior janela possível diante da revitalização necessária do Porto - disse Fajardo, ressaltando que a obra de drenagem feita ali na Barão de Tefé é fundamental para a revitalização.



Iphan é simpático ao projeto inicial

O superintente do Iphan, Carlos Fernando Andrade, afirmou que a decisão de aprovação do projeto da prefeitura para o Memorial do Cais do Valongo e do Cais da Imperatriz será feita após uma reunião, na próxima semana, com o prefeito Eduardo Paes, com o subsecretário municipal de Patrimônio, Washington Fajardo, e a arqueóloga Tânia Lima, que vem acompanhando as obras de drenagem do Porto por exigência do próprio Iphan do Rio. Carlos Fernando já teve acesso ao projeto de Fajardo.



- Gostei do projeto, mas o Iphan precisa estudá-lo mais - disse Carlos Fernando, ressaltando que a Região Portuária certamente reserva outras surpresas históricas. - Ao longo dos antigos portos, havia vários trapiches. E sabemos que, além dos cais da Imperatriz e do Valongo, outros pequenos foram aterrados naquela região.



O geógrafo Maurício de Almeida Abreu, um dos maiores estudiosos da história do Rio, disse que o projeto do memorial deve ser amplamente discutido, já que diz respeito a diferentes áreas, como história, geografia, arqueologia, arquitetura e paisagismo.



- A descoberta das estruturas dos cais do Valongo e da Imperatriz é de grande importância para o resgate e a manutenção da memória de nossa cidade. A questão sobre como expor e integrar tais estruturas na área, para que não seja apenas mais um monumento, envolve ação multidisciplinar. Idealmente, esses fragmentos do passado deveriam ser expostos de forma a induzir a reflexão sobre as transformações da cidade e da sociedade - analisa.



Para o subsecretário municipal de Patrimônio, Washington Fajardo, o Cais da Imperatriz quis apagar a história do tráfico de escravos e, portanto, do Cais do Valongo. E o prefeito Pereira Passos, por sua vez, quis apagar a história do Império contida do Cais da Imperatriz:



- O projeto do memorial faz convergir os diferentes tempos do Porto. Por isso é tão importante.



C O M E N T Á R I O S

 Pinto_PiuPiu

10/03/2011 - 09h 23m





Povo faz bem em reclamar porque o dinheiro é do povo.



E que achar ruim as reclamações que vá dar o ... para o prefeito.



R-Mac

10/03/2011 - 09h 16m



No computador tudo fica lindo! Mas no mundo real, tem mendigos, tem mijões, tem material de má quaidade pois as empreiteiras tiveram que pagar muita propina e resolveram compensar reduzindo a qualidade, tem taxista bandalha, tem apadrinhado político sem experiência chefiando Fundação por indicação política, tem político eleito não querendo dar força para obra de antecessor, ...



Ou seja, tem Rio de Janeiro, tem Brasil !

neuronio

10/03/2011 - 09h 09m



coiotenando, já existe um propjeto para revitalização da Quinta. Antes de reclamar... se informe!



De onde o senhor ou senhra "mcvxa" tirou a tonelada de concreto? Conheces a Rua Coelho e Castro?



Ô povinho para gostar de "recramar"!




Trismegisto

10/03/2011 - 09h 01m



Restaurem a Quinta da Boa Vista, o Museu de História natural é uma piada! O Zoo é ridículo!! O entorno encontra-se degradado e sujo!! demagogia pura!!



Trismegisto

10/03/2011 - 09h 00m



Mais uma obra de maquiagem sem nenhuma utilidade prática, é Paes!


Xangô_Jr

10/03/2011 - 08h 38m



Parabéns para a Secretaria do Patrimônio!




coiotenando

10/03/2011 - 08h 35m



Enquanto isso ali ao lado na quinta da boa vista o palacio esta caindo!!!



Hipocrisia!!




tolima

10/03/2011 - 07h 40m



Parabens por essa importante descoberta,e esse patrimônio fantástico.



Foi no cais do valongo que se teve o maior tráfico de escravos africanos das Américas,ali desembarcaram milhares de navios negreiros.



E ali que tudo começou,é o berço da africanidade do Brasil.




Caesars

10/03/2011 - 07h 27m



Belo projeto que pode trazer à tona um pouco da história da cidade. Contudo é preciso que o conjunto seja permanentemente vigiado e cuidado para que não se transforme rapidamente em mais uma latrina pública para moradores de rua e outros apertados em suas "necessidades". Sinto muita falta de atenção aos monumentos e equipamentos públicos em parques e jardins. Vide os chafarizes desligados, sujos e o abandono do mergulhão da Praça XV. Não sou derrotista mas a experiência no momento pesa negativa.



mcvxa

10/03/2011 - 07h 02m



mais uma tonelada de concreto desnecessária no centro da cidade... será que não dá pra projetar algo pelo menos bonito ou mais leve?



quarta-feira, 9 de março de 2011

Santo Antônio dos Pobres

Santo Antônio dos Pobres

08/03/2011 - 17:35
Enviado por: Paulo Pacini
JB


Como toda cidade antiga, o Rio de Janeiro foi palco de inúmeros acontecimentos, dos quais sua configuração urbana é de certo modo testemunha, ainda que silenciosa e indireta.

A área de destaque da história carioca sempre foi a região central, a qual, irradiando-se do Morro do Castelo, ganhou inicialmente a várzea próxima à Praça XV e interiorizou-se rumo a uma área então indefinida, chamada de Campo da Cidade.

A expansão ocorrida durante o século XIX incrementou a urbanização em trechos relativamente periféricos, sendo drenadas as últimas áreas alagadas e desmembradas as grandes chácaras em terrenos menores, onde se ergueram imóveis residenciais ou comerciais, trazendo gente para regiões pouco povoadas.



Foi em um local deste tipo que, em 1807, iniciou-se a construção da Igreja de Santo Antônio dos Pobres, por iniciativa de Antônio José de Souza Oliveira, que comprou um terreno na esquina da Rua dos Inválidos com Senado, e doou-o à Venerável Irmandade de Santo Antônio dos Pobres.

Em 1811, há 200 anos, portanto, era inaugurado o templo de linhas modestas, mas prestigiado pela nobreza da época, a qual incluía D. João VI e sua esposa Carlota Joaquina.

De 1828 a 1832 nela residiram os Capuchinhos italianos, retirando-se após vários desentendimentos.

Em 1854, é elevada a matriz da recém-criada paróquia de Santo Antônio, tendo sido iniciada uma restauração geral do templo, que se encontrava em más condições.







Antiga igreja de Santo Antônio dos Pobres, dois séculos sob a ameaça das novas e monstruosas construções



A deterioração posterior do prédio em mais de um século tornou necessária sua reconstrução, iniciada em 1940.

Seis anos depois, os trabalhos eram concluídos, legando à cidade o prédio atual, com diferenças estéticas em relação ao antigo templo, mas com mesmo valor histórico.

Esta velha igreja, completando dois séculos no presente ano, enfrentou últimamente problemas provávelmente causados pela construção de um prédio monstruoso no terreno ao lado, originalmente formado por desapropriações ocorridas durante o governo Moreira Franco em 1988 para as obras de construção da Linha 2 do metrô, que deveria passar pela Av. Henrique Valadares rumo à Estação Carioca, onde seria feita a transferência para a Linha 1.

Nada disso: em vez de transporte, mais um espigão.



A construção de um prédio de tais proporções em uma área até o presente relativamente conservada, com seu comércio tradicional em casas e sobrados, certamente irá inaugurar um ciclo de especulação imobiliária no local, da qual não se deve esperar boa coisa.

A tradicional igreja de Santo Antônio dos Pobres certamente resistirá a essa próxima maré, mas o destino dos prédios à sua volta é mais incerto, podendo ceder lugar a novas, antiestéticas e desumanas construções ou então se transformar em mais um terreno baldio convertido em estacionamento.

Resta orar ao santo, na esperança que sua força possa proteger e conservar este trecho pouco conhecido da cidade, pelo menos por mais algum tempo.