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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nascimento de D. Pedro II (1825)




02 Dez - Nascimento de D. Pedro II (1825).





No palácio da Boa Vista, cidade do Rio de Janeiro, nasce o príncipe imperial do Brasil, Pedro de Alcântara, depois imperador com o nome de D. Pedro II.



(Texto retirado do livro Efemérides Brasileiras,


do Barão do Rio Branco,


editado pelo Ministério das Relações Exteriores,


acervo do Centro de Documentação do Exército)

MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS SERÁ RESTAURADO



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

01 Dez - Coroação de D. Pedro I (1822).




ECOS DE UMA GRANDE FESTA


30/11/2009 - 17:34 Enviado por: Paulo Pacini

A conquista de um novo território é um dos atos mais simbólicos do homem.
Inúmeras narrativas históricas e mitológicas descrevem o momento de fundação com grande solenidade, não raro com significação religiosa.
Em uma cidade, a história dos bairros de certo modo recapitula esse começo, quando, de modo específico no tempo e espaço, diferentes indivíduos enfrentam o desafio de criar um lugar para melhor viver onde anteriormente nada havia.
A anexação de novas áreas geralmente ocorre de forma paulatina, mas há exceções, onde são rapidamente criados novos espaços pelo homem, alterando a face e a dinâmica de uma cidade.


A Exposição Nacional, primeiro momento do bairro da Urca


Após as reformas do governo Rodrigues Alves, que proporcionaram o controle da febre amarela e do cólera, pensou-se em realizar uma grande exposição nacional, para mostrar ao mundo não sómente a nova capital, mas os produtos e mercadorias dos diversos estados e indústrias, onde, em seus pavilhões, as diversas nações pudessem contemplá-los.


Foi escolhido o ano de 1908, marcando o centenário da "abertura dos portos ao comércio com as nações amigas", decretada por D. João VI.


O local do certame foi um dos mais belos: um trecho que ia da Praia Vermelha até o antigo Hospício, hoje campus da UFRJ (na atual Av. Pasteur).


Em 11 de agosto de 1908, já durante o governo Affonso Penna, é inaugurado o evento.


Vários prédios compunham um magnífico conjunto, causando profundo impacto no público e imprensa.


A exposição exibiu um quadro extremamente favorável, onde o espírito do progresso, presente em toda parte, fazia sonhar com um futuro de possibilidades ilimitadas.


No embalo da festa e celebração, surge a idéia de se estender o aterro parcial, realizado entre a Av. Pasteur e o Morro da Urca, para criar um novo bairro, mas tal só aconteceria mais de dez anos depois.


Aproveitando um caminho originalmente aberto pelo comerciante Domingos Pinto no século XIX, ligando a Praia da Saudade à Fortaleza de São João, nunca concluído, a empresa Sociedade Anônima Empresa da Urca elaborou um plano de aterro, posto em execução a partir de 1921, sendo as primeiras ruas abertas no ano seguinte.




O público maravilhado de 1908 contempla uma fascinante exposição




A próxima década se tornaria a mais célebre em sua história, quando o Hotel Balneário foi transformado no Cassino da Urca, em cujo palco desfilaram os maiores nomes da música popular da época, como Carmen Miranda, Emilinha Borba e Marlene.




Tudo terminaria no governo Dutra, em 46, quando o jogo foi abolido e os cassinos fechados.




O prédio abandonado, contudo, voltaria à ativa em 1950, agora abrigando a TV Tupi, que marcaria o local pelos próximos 30 anos.




Apesar de ser um dos bairros mais novos do Rio, a Urca foi também o ponto de partida da colonização portuguesa da cidade, quando, em 1565, Estácio de Sá instalou sua vila, antes de vencer os franceses, dois anos depois.




A esse extrato mais antigo adicionou-se a obra do homem, que, conjugada com a beleza natural transformou este local em um dos mais pitorescos a agradáveis de nossa cidade.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

DIREITA, PORÉM CURVA


Rua Primeiro de Março, ex-Direita, no início do século XX





27/11/2009 - 18:51 Enviado por: Paulo Pacini


Diz o bom senso, corroborado pela geometria, que a menor distância entre dois pontos é uma reta, o que faz sentido em nosso pequeno mundo euclidiano.


Entretanto, os nomes de logradouros consagrados pela tradição popular obedecem muitas vezes a uma lógica não lá muito rigorosa, em que dois e dois nem sempre são quatro.


Foi assim que se batizou uma das mais antigas e célebres ruas do Rio de Janeiro, a Rua Direita, atual Primeiro de Março.Conhecida inicialmente como Caminho de Manuel de Brito, nome do sesmeiro do lugar, era uma via curva acompanhando o litoral por uma estreita faixa de terra, terminando no Morro de Manuel de Brito.


Na retaguarda do velho caminho, um enorme terreno alagado, ainda por drenar nas décadas seguintes.


Em 1589, chegam ao Rio os primeiros frades beneditinos, Pedro Ferraz e João Porcalho, para fundar uma casa para sua Ordem.


Recebem os religiosos uma doação de terras do mesmo Manoel de Brito, incluindo o morro que logo seria chamado de São Bento.


Na outra extremidade da rua estava uma pequena ermida dedicada a N. Sª do Ó, que, a partir de 1590, se transformaria no Convento do Carmo, o maior prédio a dominar a nascente Praça XV.


Assim, o caminho passou a ser chamado de Rua Direita do Carmo para São Bento, originando o nome que durou por séculos, Rua Direita.


Na verdade, a rua constituía uma continuação da rua da Misericórdia, ligação com o Morro do Castelo e o núcleo original de povoamento.Com o tempo, principalmente a partir do século XIX, se tornou ponto de concentração dos comerciantes de grande porte, os chamados "de grosso", que eram os intermediários entre os fazendeiros que produziam o café e o mercado, comprando sua produção em troca de escravos e outros bens, além de dinheiro, e auferindo um grande lucro em cima do plantador, que dependia totalmente deste tipo de negociante para transformar o café em riqueza palpável.


Foi numa dessas casas comerciais que, em 1823, aos 9 anos de idade, o futuro Barão de Mauá iniciou sua incrível trajetória.


Neste mesmo século, instalou-se na rua Direita a confeitaria do francês Carceller, cuja fama estendeu seu nome ao local, chamado de "Boulevard Carceller".


Foi aí que, em 1834, os cariocas extasiados conheceram pela primeira vez o sorvete.


Por muito tempo este trecho da rua Direita ficaria conhecido pela sua excelência gastronômica.


Em março de 1870, chegava finalmente a notícia que terminara a Guerra do Paraguai, e D. Pedro II e D. Teresa Cristina, que estavam no Paço, saíram para confraternizar junto com o povo em gáudio o fim do longo conflito.


A partir de então se decidiu mudar o nome para rua Primeiro de Março, comemorando a vitória brasileira em terras paraguaias.


Como logradouro que abriga uma grande quantidade de templos e prédios de importância histórica, deve ser priorizada a conservação do casario ainda restante, e principalmente evitar a construção de prédios que desfigurem o belo conjunto secular que conseguiu chegar, não sem ameaças, até nossos conturbados dias.

domingo, 22 de novembro de 2009

IMPERADOR D. PEDRO II, UM LÍDER VISIONÁRIO


D. Pedro II ''desbravou'' Oriente Médio


Desde aquela visita, Brasil recebeu imigrantes, estreitou ligação com países da região e atuou até nos conflitos


Gustavo Chacra

Com o desembarque do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o Brasil terá recebido este ano alguns dos principais atores nos conflitos no Oriente Médio, como os presidentes israelense, Shimon Peres, e palestino, Mahmoud Abbas. Jornais de Tel-Aviv a Washington, passando por Beirute e Dubai, dizem que os brasileiros começam a ganhar estatura em uma das regiões mais conflituosas do planeta. O que poucos dizem é que esta relação começou há mais de um século.


Em 1876, o imperador d. Pedro II viajou por dois anos pelo mundo e incluiu no roteiro algumas áreas árabes que integravam o Império Otomano, visitando cidades como Beirute, Sidon, Baalbeck, Tiro, Damasco, Jerusalém, Haifa e Jafa. Não era viagem oficial, como a que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizaria mais de um século depois. O monarca pretendia apenas ver como eram os lugares descritos em tantos livros lidos desde a sua infância.


Logo se intensificou o fluxo imigratório do que hoje é o Líbano e a Síria para a América. Nas décadas seguintes, os imigrantes seriam o principal elo dos brasileiros com o Oriente Médio. Os descendentes dos que deixaram os portos árabes no Mediterrâneo somam 7 milhões hoje, incluindo políticos como os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e os ex-governadores Esperidião Amin (SC), Almir Gabriel (PA) e Anthony Garotinho (RJ).


O Brasil começou a ganhar destaque no Oriente Médio em 1947. O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas que criou o Estado de Israel e um que seria o palestino, mas não saiu do papel. Em algumas cidades israelenses, Aranha é homenageado com o nome de ruas e praças.



PRESENÇA FÍSICA


A partir de 1956, o Brasil teria presença física na região. Integrava as forças de paz da ONU estacionadas na fronteira entre Israel e o Egito depois da Guerra de Suez. A maior parte dos militares brasileiros ficava na Faixa de Gaza. O campo de refugiados Brasil, próximo a Rafah, é uma homenagem ao local onde os brasileiros ficavam aquartelados. Ao todo, até 1967, 4 mil soldados brasileiros passaram pelo território.


Quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias, mais uma vez envolvendo Israel e os países árabes, 430 militares brasileiros estavam em Gaza. Todos os outros estrangeiros conseguiram sair, mas os brasileiros foram pegos na troca de tiros. Alguns deles quase foram mortos pelos israelenses, confundidos com os egípcios. Nos 11 anos em que estiveram na região, os brasileiros fizeram amizade com judeus de kibutz e também jogavam futebol com os árabes.


Quando começou a guerra, deputados brasileiros ficaram preocupados com o fechamento do Golfo de Aqaba por parte do líder egípcio Gamal Abdel Nasser e enviaram uma carta ao Conselho de Segurança da ONU pedindo o respeito ao direito internacional de navegação.


Carlos Lacerda visitou a Embaixada de Israel no Rio, onde membros da comunidade judaica faziam fila para se oferecerem como voluntários. "Nasser era o agressor. Os árabes precisam reconhecer Israel. O Brasil deveria ficar contra os ditadores do mundo árabe", afirmou o ex-governador da Guanabara em reportagem do Estado.


Em editorial depois da guerra, o Estado expressou sua opinião na época, ao dizer que, de um lado, estava "um povo com um nível desenvolvimento econômico, técnico e moral extraordinário" e, do outro, "países árabes que vivem no obscurantismo". "Foi uma vitória da pequena nação israelense." O jornal defendeu a existência de um Estado palestino.


Yael Dayan, filha do ministro da Defesa de Israel na época, Moshe Dayan, visitou o Brasil pouco depois da Guerra dos Seis Dias para buscar apoio na ONU. Segundo relatos da imprensa na época, ela foi recebida por crianças pedindo autógrafos. Fora do Brasil, poucos se importavam com o que se dizia em São Paulo, Rio ou na recém construída Brasília.


Bem diferente de agora, com os jornais americanos planejando ampla cobertura para a viagem do líder iraniano ao Brasil e os israelenses dando manchetes para a visita de Peres e Abbas.

DATAS HISTÓRICAS

1876
D. Pedro II visita cidades como Beirute, Sidon e Jerusalém

1947
Oswaldo Aranha preside sessão da ONU que criou Estado de Israel

1956
Brasil integra forças de paz da ONU na fronteira de Israel e Egito

1967
Até essa data, 4 mil soldados do Brasil haviam passado pela região

sábado, 21 de novembro de 2009

O FEIJÃO NOSSO DE CADA DIA . . .


Pesquisador conta como a feijoada surgiu na mesa de famílias cariocas


Jornal do Brasil


RIO - A feijoada não surgiu nas senzalas, como invenção dos escravos, que juntariam sobras de carnes não aproveitadas pelos “senhores” para preparar um prato mais encorpada. Tampouco começou a ser preparada por famílias de poucas posses que requentariam sobras de refeições anteriores para reforçar a alimentação. Ela foi criada para servir como comida para as elites do século 19, especialmente nas famílias cariocas mais ricas. Esta é a tese de um estudo feito pelo pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Almir Chaiban El-Kareh sobre o prato que melhor simboliza a culinária nacional.


– Minha teoria é que a feijoada, como a conhecemos, surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Os ricos comiam refeições com feijão incrementado com diversas carnes e miúdos. Os pobres comiam feijão ralo, com pequenos pedaços de carne-seca ou toicinho – afirma Almir.


Almir baseou sua pesquisa em relatos de viajantes estrangeiros que visitaram o Brasil, em especial o Rio de Janeiro, ao longo do século 19. Um destes viajantes foi o pintor francês Jean-Baptiste Debret.


– Segundo Debret, os escravos comiam a mesma comida que os patrões. Alguns chegavam a comer juntos no mesmo recinto. Os patrões sentados à mesa e os escravos em esteiras no chão. Isso reforço minha tese de que os escravos não preparavam a própria comida – comenta o pesquisador.
Mas antes de cair no gosto das famílias ricas e se tornar o ingrediente principal da feijoadas, o feijão encontrava muita resistência entre as famílias mais ricas do Rio de Janeiro. Pouco depois da transferência da família real e de sua Corte para o Brasil, em 1808, os feijões ainda eram classificados como “comida de pobre”.


Debret


Almir diz que esta informação foi tirada dos relatos de Debret. Segundo o pintor francês, que chegou ao Brasil em 1816, as famílias ricas tinham como prato mais tradicional o cozido português, acompanhado de galinha, arroz e farinha de mandioca.


– O feijão ainda não aparecia na mesa das elites naquele momento – diz Almir, acrescentado que seu consumo era velado. – Debret escreveu que, na época, os pequenos comerciantes comiam feijão com um pedaço de carne-seca e farinha, regado com muita pimenta, mas escondidos de todos, no fundo das lojas.


No entanto, segundo o pesquisador, já por volta de 1830, todos os viajantes que escreveram relatos sobre o Brasil, atestaram que ricos e pobres comiam feijão, carne seca e toicinho todos os dias. Essa aceitação gradual do consumo de feijão pelas elites acabou por sobressair à incorporação dos hábitos europeus e transformou o cozido português numa segunda opção .


O interessante é que a invenção da feijoada e sua incorporação aos hábitos alimentares da população se deu em paralelo à permanência da família real portuguesa no Brasil, nas primeiras duas décadas do século 19.


A etiqueta à mesa foi uma das influências da estada da família real no Rio de Janeiro. As poucos, a sociedade carioca assimilou a etiqueta e as boas maneiras europeias, usando talheres. Porém, só mudou a forma de comer e não o conteúdo – a própria comida. No caso, a feijoada, que foi ganhando cada vez mais espaço na mesa do carioca e do brasileiro.


– A alimentação é o ponto de maiores resistências à mudança porque é um hábitos adquirido na infância. A elite mudou de roupa, copiando a moda francesa, mas não mudou de gosto alimentar. Essa foi a vitória da feijoada.


Da Redação, com Agência Faperj


Como permanecer acordado no pós-banquete


Marcelo Gigliotti


Comer uma feijoada e sair ileso, bem disposto e, sobretudo, pronto para qualquer atividade, é uma verdadeira arte. Se houver exagero, o pós-feijoada pode fazer com que a gravidade exerça uma força quase que sobrenatural sobre as pálpebras, levando a um estado de sono irreversível – embora delicioso.


– Para não capotar após a feijoada, a gente recomenda uma certa moderação. Nossa receita é optar por três pedaços de carne, como lombinho, carne seca e costela e um de linguiça. E o ideal é evitar os pedaços mais gordurosos – diz Leonardo Rangel, diretor da Academia da Cachaça, onde são servidas pelo menos 300 feijoadas entre a sexta-feira e o domingo.


Uma cachaça envelhecida com limão, além de abrir o apetite, ajuda na digestão, segundo Ana Beatriz Rezende, nutricionista da Academia da Cachaça. O limão na cachacinha, por conter vitamina C, facilita o trabalho do estômago e cia e ajuda a absorção do ferro. Assim como a laranja.


– A gente recomenda que a pessoa coma meia laranja junto com a feijoada. Além da couve, que também ajuda o organismo a processar a comida, por causa das fibras vegetais – diz Leonardo.


Seguindo – conseguindo seguir – estas orientações, a feijoada certamente dará uma sensação de saciedade e prazer inigualáveis.


Mas, por precaução, é bom deixar aquela poltrona confortável ou até mesmo o sofá da sala desocupado, para pelo menos uma rápida cochilada.


22:02 - 20/11/2009