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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Garagem Poula


Enviado por Ancelmo Gois -
8.11.2012
|
12h50m
A foto de hoje

No tempo das carruagens



Este prédio histórico, deteriorado, exemplar da arquitetura eclética de inspiração clássica e art nouveau, na esquina das ruas Gomes Freire e do Senado, no Centro velho do Rio, será, em breve, totalmente recuperado (veja na reprodução do projeto aqui acima como vai ficar). 

Trata-se da Garagem Poula, construída em 1910 para abrigar carruagens e uma hospedaria. 

Quem vai tocar a obra é a construtora WTorre, que finaliza, ali perto, o Centro Empresarial Senado, a ser usado pela Petrobras. 

A empresa assumiu com a prefeitura o compromisso de revitalizar parte do patrimônio arquitetônico da região, como o Solar do Marquês de Lavradio, o prédio do finado Dops e a Garagem Poula


A Garagem de Santo Antônio


Quarta, 07 Novembro 2012 09:30

A Garagem de Santo Antônio

Escrito por

A introdução da tração elétrica nos bondes do Rio de Janeiro, em 1892, significou um tremendo salto de qualidade na história do transporte carioca. Agora, as viagens poderiam ser feitas com mais rapidez, e, além disso, ia desaparecendo do ar o cheiro de estrume com a aposentadoria dos animais de tração, que teriam seu merecido descanso.
A primeira empresa usar a eletricidade foi a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, o que era esperado, pois dispunha de mais recursos. Mas a segunda companhia a adotar a nova tecnologia, a Companhia Ferro-Carril Carioca, foi até certo ponto uma surpresa, pois tinha linhas exclusivamente no bairro de Santa Teresa, e era bem menor que outras, como a de São Cristóvão ou Vila Isabel. A inauguração do novo sistema ocorreu em 1º de setembro de 1896, e, além dos bondes elétricos, os passageiros foram brindados com uma grande atração extra.
garagem_fcc

Bondes de Santa Teresa na garagem do Morro de Santo Antônio,nos
últimos tempos da da Cia. Ferro-Carril Carioca, começo dos anos 60.
Até essa época, o acesso a Santa Teresa era feito principalmente de duas maneiras: pela rua Monte Alegre, rota usual das diligências, e pelo Plano Inclinado, a partir de 1877, cujo embarque ficava na rua do Riachuelo junto à Ladeira do Castro, levando os passageiros até próximo ao Largo do Guimarães. Ao lá chegar, embarcava-se em bondes de tração animal para ir a Paula Matos ou em direção ao França e Silvestre. A tração elétrica, contudo, abriu uma nova e excitante possibilidade: uma vez que o velho aqueduto da Carioca (os arcos) encontrava-se desativado, pois a maior parte da água então consumida provinha do Rio d'Ouro, porque não utilizá-lo para acessar o morro de Santa Teresa?
Obtidas as devidas autorizações, tal foi feito, e é aliás pelo fato de que esses bondes passam pelos arcos que possuem a incomum bitola de 1,10m, largura máxima possível dadas as limitações da antiga construção. A estação de partida foi instalada no Largo da Carioca, inicialmente entre o prédio da Imprensa Nacional e o chafariz da Carioca, que se localizava próximo à saída Santo Antônio do metrô. Os bondes a seguir iam subindo uma ladeira pelo morro de Santo Antônio para alcançar os arcos, cuja travessia arrepiou os pelos da nuca dos primeiros passageiros.
Próximo à linha no morro de Santo Antônio foi instalada a garagem da Cia. Ferro-Carril Carioca. Com bastante espaço para abrigar os muitos veículos, bem mais que atualmente, pois além das unidades motorizadas haviam reboques, a velha garagem prestou serviços até a destruição final do morro, aproximadamente em 1965. Ela pode ser vista em trechos do filme de Marcel Camus Orfeu Negro, de 1959, onde o personagem principal é funcionário da empresa de bondes. Na verdade, a película mistura cenas da garagem da Ferro-Carril Carioca com bondes da Jardim Botânico (Light) na Cinelândia.
bonde_carioca

Bonde de Santa Teresa chegando no Largo da Carioca, com a estação ainda
localizada no edifício da Ordem Terceira da Penitência, na esquina
da rua da Carioca. Ao fundo, o Tabuleiro da Baiana.
Com o desaparecimento do morro de Santo Antônio, a garagem dos bondes de Santa Teresa passou a funcionar nas instalações da estação do antigo plano inclinado, no final da rua Carlos Brandt, e lá continua até hoje. O trecho da rua que vai do Largo do Guimarães até a garagem também foi utilizado em outro filme, este de Carlos Hugo Christensen, Crônica da Cidade Amada, de 1964, no episódio A Morena e o Louro, onde os bondes ainda estão pintados de verde, côr da Cia. Ferro-Carril Carioca.
O desmonte do morro de certo modo marcou o início da decadência do sistema de bondes do bairro, acelerado pela entrada funesta da CTC (Companhia de Transporte Coletivo – empresa estadual) na administração do sistema. As chuvas de 66 e 67 destruíram grande parte das linhas, e nessa época foram introduzidos os ônibus no bairro pela infeliz CTC, enormes monoblocos Mercedes que acabaram causando a retirada dos reboques de circulação, pois se encontrassem um bonde com reboque em algumas das muitas curvas fechadas, não seria possível passar.
garagem_ctc

Garagem do morro de Santo Antônio, com os bondes já com as cores da CTC,
em 1965: o início de uma longa decadência.
Quase 50 anos depois, está tudo abandonado, sendo feitas muitas promessas para a recuperação, mas que até o momento não se concretizaram. A longo do tempo, uma série de atitudes infelizes fizeram com que a situação dos bondes só fizesse piorar, incluindo a substituição ilegal do mecanismo de tração original, tombado pelo patrimônio histórico, por um sistema inadequado que acabou causando acidentes com mortes. Isso se somou aos trilhos em péssimo estado, substituídos em 1978-79 por uma verdadeira gambiarra feita por dois trilhos de trem de cada lado, ao invés dos trilhos de fenda utilizados pelos bondes, que, além de serem inadequados, fizeram com que a pista em torno dos trilhos ficasse totalmente irregular, pois o perfil baixo dos trilhos de trem faz com que o pavimento afunde, e os dormentes acabam formando as famosas "costelas de vaca". Some-se a isso o roubo da fiação aérea entre o Corpo de Bombeiros e o Silvestre, dentre as muitas tragédias, para se ter uma idéia do desprezo e descaso de várias administrações sucessivas de prefeitos, governadores, etc, que usam sem hesitar a imagem do bonde em suas propagandas quando lhes interessa, mas que logo a seguir ignoram completamente sua existência.
Melhor destino merecia aquele que é o único sistema de bondes com bancos em platéia sobrevivente do mundo, e um dos símbolos mais conhecidos desta cidade.



RUA SENADOR DANTAS


terça-feira, 30 de outubro de 2012

ESTÁTUA DO VISCONDE DE MAUÁ ABRIGADA NA ACRJ










A ESTATUA DO VISCONDE DE MAUÁ NA GUARDA DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
DO RIO DE JANEIRO.

Na quarta-feira dia 24 de outubro ultimo foi instalada a centenária estatua do Visconde de Mauá na portaria do Edifício da Associação Comercial do Rio de Janeiro, a pedido do Presidente Antenor Barros Leal e do Vice-presidente Dr. Francisco Horta.
Após um ano de abandono e desrespeito da administração da Prefeitura do Rio de Janeiro com a centenária estatua do pioneiro da industria nacional retirada da Praça Mauá para as obras remodelação do centro da cidade, ficou a histórica peça de bronze abandonada num lixão nos fundos da Fabrica de Asfalto desativada da Prefeitura do Rio de Janeiro. Jogada no chão e danificada ficou desde dezembro de 2011,  até que um movimento dos descendentes de Mauá,
da Associação Comercial do Rio de Janeiro, da Marinha do Brasil e dos Ferroviários brasileiros obrigaram ao Prefeito Eduardo Paes a entregar a estatua em custódia da Associação Comercial até 2015 quando as obras na Praça Mauá terminam.

Encomendada ao grande escultor Rodolfo Bernadelli pelo filho do Visconde de Mauá, Comendador Henrique Ireneo de Souza em 1900 na cidade de Paris, nada cobrou o artista pelo trabalho da obra pagando a família de Mauá apenas a fundição da peça de bronze com folhas de ouro pela renomada fundição francesa Val d´Osner, sendo inaugurada solenemente na Praça Mauá em13 de maio de 1910 para indicar alí o marco zero do inicio da ferrovia no Brasil, pois dalí, em 30 de abril de 1854, saiu a barca a vapor com os passageiros que embarcaram na histórica Estação Barão de Mauá, no atual Município de Magé, tomando o comboio do trem que seguiu para a Imperial cidade de Petrópolis, com o Imperador D. Pedro II e sua Imperial família.
A coluna e o pedestal foram doados Pelo Clube de Engenharia do Rio de Janeiro por subscrição popular.
Na inauguração presentes dois filhos de Mauá, o Comendador Henrique Ireneo de Souza e a Baronesa de Ibira-Mirim, do genro Comendador Antonio Alves de Souza Guerreiro e da neta Hermínia de Souza Franklin Sampaio, além do representante do Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca, Dr. Lauro Müller, do Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro Barão de Ibirocay, do Presidente do Clube de Engenharia Conde Paulo de Frontin, do Presidente do  Real Gabinete Português de Leitura Conde Dias Garcia, do General Mendes de Moraes, do Dr. Candido Gaffreé, do Ministro Dr. Francisco Sá, do Embaixador Conselheiro Camello Lampreia e do Consul Visconde de Salgado ambos representando o Rei D. Manuel II de Portugal.
Agradecemos a todos o apoio pela vitória da memória do grande Visconde de Mauá que vai comemorar seus 200 anos de nascimento em 27 de dezembro de 2013.

Nas fotos os descendentes do Visconde de Mauá o tetraneto Eduardo André Chaves Nedehf Marquês de Viana e a trineta Francisca Chaves Nedehf Marquesa de Viana, a tetraneta Angela Maria Paes de Carvalho Multtedo representando seu irmão Dr. Jorge Paes de Carvalho também tetraneto, o Oficial da Marinha do Brasil Marcelo Roberto Ferreira - Chanceler do Diretório Monárquico do Brasil, o Jornalista Osiris de Paula Soares representando o Prefeito Oswaldo Dias do Município de Mauá SP, o Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro Dr. Antenor Barros Leal, o Vice-presidente do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro Comendador Antonio da Silva Peña Loulé representando o Presidente Dr. Antonio Gomes da Costa, o Presidente da Academia dos Cavaleiros de Cristóvão Colombo Comendador Pedro Ernesto Calvano Colombo, Sr. Ricardo Telles Vieira, e D. Idalina Gonçalves representantes da colonia portuguesa e açoriana do Rio de Janeiro, Dr. Paulo Fernando Arco Verde de Albuquerque Maranhão do Instituto  Histórico do Rio Grande do Norte, além de representantes da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.


    

domingo, 28 de outubro de 2012

O VELHO MERCADO


Quarta, 24 Outubro 2012 11:47

O Velho Mercado

Escrito por

Durante milhares de anos, e ainda hoje em muitos países do mundo, o mercado continua sendo o centro da vida da maioria das cidades, onde se obtém todo tipo de gênero, desde alimentos até utensílios domésticos, roupa, e tudo o mais. Em vários centros africanos, as feiras ao ar livre em sua grande agitação transformam-se no turbilhão das trocas sociais, pelo menos para a maioria, como genuíno motor da economia, distante da tradicional corrupção das elites desse continente.
 
Esse acontecimento, o mercado, que pode ser diário, semanal ou com outra freqüência, também esteve presente por séculos no Rio de Janeiro, práticamente desde sua fundação, e mais particularmente a partir do momento em que a cidade começou a se expandir na várzea que ia desde o Castelo até São Bento, no início do século XVII.

 
velho_mercado

O velho mercado de Grandjean de Montigny na Praça XV no início do século passado.
No centro estão os pavilhões metálicos junto à rampa onde os barcos descarregavam.
O chafariz  à esquerda foi colocado no lugar do Monroe, na Cinelândia, também destruído.


Já em 1636, a Câmara havia delimitado uma área onde os pescadores poderiam vender suas mercadorias, entre a Praça XV e a atual Rua da Alfândega, no trecho chamado de Praia do Peixe. A região tornou-se o centro comercial, com a presença de vendedores com todo tipo de hortaliças, vindas por mar de vários pontos do litoral da baía de Guanabara. As pobres e sujas barracas continuaram abastecendo a cidade por quase dois séculos, com a única mudança ocorrendo durante o governo do vice-rei D. Luís de Vasconcellos, que aproveitou a reforma feita no Largo do Paço (Praça XV), com calçamento e mudança do chafariz, para melhorar a situação das barracas de venda de peixe, dando alguma organização ao caos reinante.
 
Para a época colonial, tal situação era completamente satisfatória, mas após a chegada da Côrte, em 1808, tornou-se cada vez mais incômoda. Após a Independência, e já no segundo Império, tornou-se intolerável. A presença dessa confusão e imundície no centro da capital era incompatível com as aspirações de progresso e auto-estima da sociedade da época. Algo precisava ser feito.
 
Em 1834, a Câmara resolve construir um novo mercado, e entrega o projeto aos cuidados de Grandjean de Montigny, arquiteto francês que veio ao Brasil na Missão Artística Francesa de 1816. A planta feita pelo mestre mostrava um edifício quadrangular de dois andares com quatro entradas, uma delas pelo Largo do Paço. O projeto original incluía dois andares, mas no estágio inicial foi feito sómente o térreo, a parte superior foi adiada. O piso do mercado era de lajes de pedra, e em seu centro havia um belo chafariz, formado por uma bacia circular e tendo uma parte central de onde a água saía pela boca de quatro golfinhos, se projetando a partir daí uma pirâmide encimada por um ouriço de bronze.

 
chafariz_mercado

O belo chafariz do mercado, em desenho do século XIX. Desapareceu junto com
o prédio.


Os dois trechos que davam para o Largo do Paço foram concluídos em 1835, e o restante em 1841. Em 1869, a Câmara decidiu arrendar o mercado a um particular, e dentre as obrigações deste constavam a construção de um segundo pavimento sobre os já existentes e mais dois pavilhões de metal entre o mercado e o mar, onde os barcos descarregavam os gêneros. Esses pavilhões sofreram incêndios duas vezes, em 1876 e 1899.
 
No final do século XIX, a Prefeitura optou por novo mercado na Praia D. Manuel, cuja inauguração aconteceu em 1907, causando, quatro anos depois, a demolição do mercado de Grandjean de Montigny. Hoje, todos dois mercados foram destruídos, sendo que nenhum deles conseguiu completar sequer 100 anos de existência. Duas obras históricamente importantes que poderiam ter sido conservadas e transformadas em centros comerciais e culturais modernos, ainda que conservando sua aparência original, tal como aconteceu em várias cidades européias, onde a valorização do patrimônio e do ambiente urbano é uma constante.

MICROSOFT E A CEG - OBRIGADO!


ONDE É A PRAÇA DA república ?