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sábado, 12 de dezembro de 2009

UM PAÍS SEM MEMÓRIA E SEM RUMO A 2016 - V E R G O N H A !







Cultura




Leitora mostra falta de conservação do Museu Nacional, no Rio




Publicada em 11/12/2009 às 14h17m






Texto e fotos da leitora Marcia Ananias

RIO - Na manhã do último sábado, fui caminhar na Quinta da Boa Vista e, logo na entrada, nos deparamos com a imensa fachada estilo neoclássico do Museu Nacional.






O local, que já foi residência oficial da família real portuguesa e atualmente abriga o maior acervo de história natural da América Latina, está agora pintado nas cores originais.

À frente, um grande jardim feito pelo botânico francês François Glaziou.






Até aí tudo bem, se não fossem as "ruínas" das escadarias que dão acesso ao jardim: corrimão quebrado, balaústres jogados e muitos faltando, pintura descascando, vasos com plantas secas e sujeira no chão.




A parte de trás do museu permanece ainda com a pintura antiga e descascando.






O trabalho de restauração durou dois anos e recuperou algumas características originais da época de Dom João VI, como a cor da fachada.






As obras custaram mais de R$ 1 milhão.




Este valor ainda é pouco para o que temos de história, ainda se falta muito a fazer.






A Copa do Mundo e as Olimpíadas vêm aí.






É deste jeito que vamos recepcionar os nossos turistas, principalmente os estrangeiros que têm o hábito de visitar museus e parques?





















sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

CONVITE DO CÍRCULO MONÁRQUICO DOM PEDRO II


O CÍRCULO MONÁRQUICO DOM PEDRO II

DE NITERÓI

tem a satisfação e a honra de convidar seus Sócios e Amigos para a

Assembléia Geral que fará realizar, no dia 19 de dezembro de 2009

(Sábado), às 16:00 horas, em sua Sede provisória à

Alameda Paris, 136 (*) - S. Francisco, Niterói, RJ,

com a seguinte Pauta:

- Eleição da nova Diretoria para o período Dezembro de 2009 - Dezembro de 2011;

- Comemoração do 18º. ano de sua fundação em 02.12.1991 - "Jubileu de Turquesa";

- Confraternização social.

RSVP - Tel. 2610-0099 / Email
monarchia@fons-honorum.com

Prof. Francisco Tomasco de Albuquerque
Conselheiro-Presidente

- o -
P.S.- (*) A Alameda Paris começa na Estrada Fróes, em frente ao nº. 538, após o Rio Yacht Club.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A GLÓRIA DO ERMITÃO


08/12/2009 - 12:03 Enviado por: Paulo Pacini


As diversas igrejas barrocas do Rio de Janeiro são um testemunho vivo de uma época na qual a devoção religiosa ocupava lugar de destaque na existência das pessoas, talvez por ser um dos poucos canais legítimos através do qual sentimentos e paixões coletivas podiam ser extravasados.
Dentre os templos mais antigos, há um cuja origem foi retratada até mesmo de forma romanceada, destacando-se dos demais.
Em seu livro "O Ermitão da Glória", José de Alencar nos introduz ao universo do século XVII carioca, onde a pirataria era uma das ocupações mais freqüentes, seja por parte de ingleses, holandeses ou franceses que, após terem sido expulsos da Guanabara, ainda tinham uma base de operações em Cabo Frio, dedicada ao contrabando de pau-brasil. Além disso, até mesmo os colonos portugueses aderiram ao corso, atacando e saqueando navios estrangeiros.
O protagonista do romance, Aires de Lucena, ao atacar um navio francês, acaba por assassinar os pais de uma menina, a qual ele salva e encarrega um amigo de criar.
A filha adotiva, Maria da Glória, cresce, e Aires desenvolve uma paixão carnal e psicológicamente quase incestuosa pela moça, colocando-se contra uma interdição divina.
O frustrado herói sublima então seus impulsos, construindo uma ermida dedicada à N. Sª da Glória, a qual originou o templo atual.



Igreja da Glória do Outeiro, verdadeiro ícone carioca, em 1920


A realidade, por outro lado, embora não sendo tão floreada, tem aspectos históricos interessantes.


Tudo começa em meados do século XVII, quando Antônio Caminha chega no Rio de Portugal. Sujeito estranho, andava vestido de frade e gostava de realizar suas adorações religiosas em lugares ermos.


Não podia ser chamado de eremita, pois, na verdade, tinha família e filhos.


Por outro lado, era escultor excepcional, e entalhou uma imagem de N.Sª da Glória de grande tamanho, colocando-a em 1671 numa ermida de taipa no alto do morro que havia no começo da praia do Flamengo, antiga uruçumirim, local da batalha final com os franceses, em 1567.


O arremedo de templo teve uma freqüência crescente, tornando-se cada vez mais popular, o que fez com que o Dr. Cláudio Gurgel do Amaral, proprietário das terras, as doasse em 1699 para a irmandade responsável pelo culto.


Isso feito, o velho Caminha iniciou a construção de uma igreja de verdade, de pedra e cal, obra que só seria concluída em 1739, e que chegou até nossos dias.No século XIX, a igreja de N.Sª da Glória do Outeiro se tornou a favorita da família real, depois da chegada da côrte portuguesa, tradição iniciada por D. João VI e que continuou durante o Império.


Várias cerimônias de gala foram realizadas neste templo, e, em 1849, D. Pedro II concede o título de Imperial à irmandade, ainda presente atualmente.


Com bela arquitetura e localização excepcional, esta igreja se tornou um dos ícones da cidade do Rio ao longo dos séculos, tanto como referência visual em inúmeros livros e obras de arte quanto como lugar de culto, cujo passado se confunde com lendas e mistérios do tempo dos primeiros povoadores da terra carioca.

MAJOR ELZA - BRAVO ZULÚ E MUITAS SAUDADES!







publicado em 09/12/2009 às 09h29:




Conheça os serviços prestados pela mulher mais condecorada do país




Major Elza morreu aos 88 anos no Rio de Janeiro




Do R7, no Rio




Nascida no Rio de Janeiro em 21 de outubro de 1921, Elza Cansanção Medeiros, a major Elza era militar, enfermeira, jornalista e escultora. De acordo com informações do Comando Militar do Leste, ela entrou no Exército Brasileiro como praça em 25 de abril de 1944. Foi promovida ao posto de major em 12 de maio de 1976.




Confira também









Apresentou-se para o serviço ativo do Exército Brasileiro em 18 de abril de 1943, sendo a primeira voluntária do Brasil para a Segunda Guerra Mundial. Na Itália, participou do Teatro de Operações com o destacamento precursor de saúde um dia antes da chegada das tropas.




Durante a campanha, foi designada como enfermeira-chefe, na cidade de Livorno, local onde atuou o maior contingente de enfermeiras brasileiras em hospitais norte-americanos. Em sua folha de alterações da Itália, constam elogios não só pela atuação como enfermeira, mas também como intérprete, uma vez que falava fluentemente cinco idiomas.




Em 1942, foi a primeira voluntária para o serviço de doadores de sangue da Cruz Vermelha Brasileira. Entre os anos de 1943 e 1944, iniciou o Curso de Voluntárias Socorristas, na sucursal da instituição, reorganizando a Cruz Vermelha Brasileira em Pernambuco.




Já em Alagoas, em 1943, prestou socorro voluntário às vítimas do torpedeamento do navio Itapagé. Participou também da Guerra da Coreia como voluntária.




Na Associação de Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, foi sócia fundadora nº 21, prestando serviços à Associação Nacional dos Ex-Combatentes do Brasil, tendo sido conselheira por várias gestões, além de ser uma das fundadoras da Associação de Amigos da Polícia do Exército, do Rio de Janeiro.




Como artista plástica, esculpiu os bustos de grandes personalidades, sendo estes doados à praças públicas e entidades. Já como escritora, a major Elza publicou seis livros históricos, como: Nas Barbas do Tedesco; E Foi Assim Que a Cobra Fumou; Dicionário de Alagoanês; Eu Estava Lá; Esquerda...Direita, acertem o passo; Novo Dicionário de Alagoanês.




Em 2004, integrou a coletânea - Causos, Crônicas e Outras, e Mulher Alicerce de Uma Pátria Forte.




Ao longo dos anos, a major Elza proferiu palestras para a juventude brasileira sobre a atuação do Brasil na II Guerra Mundial em escolas civis e militares, além de clubes de serviço como Lions e Rotary.




Após sua participação na II Guerra Mundial, vários outros feitos foram realizados em prol da memória nacional e estrangeira como criações de campanhas meritórias como Dê Uma Flor para os Heróis Brasileiros (remessa de flores para o Cemitério Brasileiro de Pistóia), Campanha do Tostão (para a aquisição de flores para Pistóia), Dê Uma Gota de Teu Sangue para Aqueles que o Derramaram por Ti (campanha de doadores de sangue, lançada no Rio de Janeiro e em Caxias do Sul) e Dê um Tijolo para a Última Morada do Veterano da FEB (campanha para a construção do Mausoléu do Cemitério do Cajú).

domingo, 6 de dezembro de 2009

SOLAR DEL REI - EM RUÍNAS . . .


Dias de plebeu


Solar Del Rei, em Paquetá, está interditado e espera reforma para não desabar


Publicada em 05/12/2009 às 18h58m


Jaqueline Costa

O GLOBO




RIO - Depois de ter sido a mais suntuosa propriedade de Paquetá e de ter hospedado por diversas vezes Dom João VI , o Solar Del Rei, em Paquetá, vive tristes dias.


Logo na entrada, uma placa adverte sobre a interdição e o risco de desabamento.


O imóvel, que abriga a única biblioteca da ilha, foi fechado pela prefeitura em 27 de outubro, após anos de abandono. A construção está caindo aos pedaços.


Em decorrência dos problemas no telhado, infiltrações e rachaduras se espalham por toda parte, o forro do teto está empenado e ameaça cair, e estão podres as esquadrias de madeira.


O muro da propriedade também corre o risco de ruir. Nas salas que abrigam duas carruagens do século XIX, a água escorre pelas paredes internas nos dias de chuva.


Para garantir a restauração do imóvel histórico, o Ministério Público Federal está movendo uma ação civil pública contra a Fundação Anita Mantuano de Artes do Rio (Funarj), proprietária do solar.


Mas a instituição informa que, como o imóvel está cedido para o município do Rio por prazo indeterminado desde 1976, cabe à prefeitura fazer a manutenção dele.


O município reconhece a responsabilidade e informa que está prevista uma obra emergencial, que inclui parte da cobertura, esquadrias e o muro.


Mas ainda não há data para começar, já que os R$ 667 mil orçados ainda não foram liberados. Segundo Paulo Vidal, coordenador da Subsecretaria municipal de Patrimônio Cultural, está prevista uma restauração completa, financiada pelo BNDES.


- A reforma emergencial deve durar seis meses e visa a dar segurança ao solar, ao acervo e às pessoas que lá trabalham.


Em seguida, assim que os trâmites do financiamento estiverem resolvidos, começará uma reforma completa, incluindo a parte de paisagismo, que custará cerca de R$ 1.900 - explica Paulo.


Em 21 de outubro, o Iphan realizou uma vistoria no local e constatou que o principal ponto de deterioração é o telhado.


Foi feito um novo ofício à prefeitura para que obras emergenciais sejam iniciadas logo.


Segundo o laudo, o imóvel está em franco estado de degradação interna e externa.


A visita anterior da instituição ao solar ocorreu em 2006, quando já haviam sido feitas recomendações para cessar o processo de ruína.

sábado, 5 de dezembro de 2009

FALECIMENTO DE D. PEDRO II - 1891


D__Pedro_II__Paris,_1891__Pierre_Petit_

05 Dez - Falecimento de D. Pedro II (1891).




Falece em Paris o Sr D. Pedro II,





ex-Imperador do Brasil.

(Texto retirado do livro Efemérides Brasileiras, do Barão do Rio Branco, editado pelo Ministério das Relações Exteriores - acervo do Centro de Documentação do Exército)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

CRIAÇÃO DA ACADEMIA REAL MILITAR - 1810


04 Dez - Criação da Academia Real Militar por Carta Régia de D. João VI, origem da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) (1810).

Carta Régia do príncipe-regente D. João (João VI), criando no Rio de Janeiro a Academia Militar, depois Escola Militar.


As aulas foram abertas no dia 23 de abril do ano seguinte.

(Texto retirado do livro Efemérides Brasileiras, do Barão do Rio Branco, editado pelo Ministério das Relações Exteriores - acervo do Centro de Documentação do Exército)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

QUEM FOI REI . . . BY ANCELMO GÓIS


Tempo de D. João VI



O Comitê Olímpico Português resolveu comemorar seu centenário com um livro recém-lançado.



Nele, consta que as Olimpíadas de 2016 serão no Rio, “ex-capital do Império português”.



Ah, bom!

Nascimento de D. Pedro II (1825)




02 Dez - Nascimento de D. Pedro II (1825).





No palácio da Boa Vista, cidade do Rio de Janeiro, nasce o príncipe imperial do Brasil, Pedro de Alcântara, depois imperador com o nome de D. Pedro II.



(Texto retirado do livro Efemérides Brasileiras,


do Barão do Rio Branco,


editado pelo Ministério das Relações Exteriores,


acervo do Centro de Documentação do Exército)

MUSEU IMPERIAL DE PETRÓPOLIS SERÁ RESTAURADO



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

01 Dez - Coroação de D. Pedro I (1822).




ECOS DE UMA GRANDE FESTA


30/11/2009 - 17:34 Enviado por: Paulo Pacini

A conquista de um novo território é um dos atos mais simbólicos do homem.
Inúmeras narrativas históricas e mitológicas descrevem o momento de fundação com grande solenidade, não raro com significação religiosa.
Em uma cidade, a história dos bairros de certo modo recapitula esse começo, quando, de modo específico no tempo e espaço, diferentes indivíduos enfrentam o desafio de criar um lugar para melhor viver onde anteriormente nada havia.
A anexação de novas áreas geralmente ocorre de forma paulatina, mas há exceções, onde são rapidamente criados novos espaços pelo homem, alterando a face e a dinâmica de uma cidade.


A Exposição Nacional, primeiro momento do bairro da Urca


Após as reformas do governo Rodrigues Alves, que proporcionaram o controle da febre amarela e do cólera, pensou-se em realizar uma grande exposição nacional, para mostrar ao mundo não sómente a nova capital, mas os produtos e mercadorias dos diversos estados e indústrias, onde, em seus pavilhões, as diversas nações pudessem contemplá-los.


Foi escolhido o ano de 1908, marcando o centenário da "abertura dos portos ao comércio com as nações amigas", decretada por D. João VI.


O local do certame foi um dos mais belos: um trecho que ia da Praia Vermelha até o antigo Hospício, hoje campus da UFRJ (na atual Av. Pasteur).


Em 11 de agosto de 1908, já durante o governo Affonso Penna, é inaugurado o evento.


Vários prédios compunham um magnífico conjunto, causando profundo impacto no público e imprensa.


A exposição exibiu um quadro extremamente favorável, onde o espírito do progresso, presente em toda parte, fazia sonhar com um futuro de possibilidades ilimitadas.


No embalo da festa e celebração, surge a idéia de se estender o aterro parcial, realizado entre a Av. Pasteur e o Morro da Urca, para criar um novo bairro, mas tal só aconteceria mais de dez anos depois.


Aproveitando um caminho originalmente aberto pelo comerciante Domingos Pinto no século XIX, ligando a Praia da Saudade à Fortaleza de São João, nunca concluído, a empresa Sociedade Anônima Empresa da Urca elaborou um plano de aterro, posto em execução a partir de 1921, sendo as primeiras ruas abertas no ano seguinte.




O público maravilhado de 1908 contempla uma fascinante exposição




A próxima década se tornaria a mais célebre em sua história, quando o Hotel Balneário foi transformado no Cassino da Urca, em cujo palco desfilaram os maiores nomes da música popular da época, como Carmen Miranda, Emilinha Borba e Marlene.




Tudo terminaria no governo Dutra, em 46, quando o jogo foi abolido e os cassinos fechados.




O prédio abandonado, contudo, voltaria à ativa em 1950, agora abrigando a TV Tupi, que marcaria o local pelos próximos 30 anos.




Apesar de ser um dos bairros mais novos do Rio, a Urca foi também o ponto de partida da colonização portuguesa da cidade, quando, em 1565, Estácio de Sá instalou sua vila, antes de vencer os franceses, dois anos depois.




A esse extrato mais antigo adicionou-se a obra do homem, que, conjugada com a beleza natural transformou este local em um dos mais pitorescos a agradáveis de nossa cidade.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

DIREITA, PORÉM CURVA


Rua Primeiro de Março, ex-Direita, no início do século XX





27/11/2009 - 18:51 Enviado por: Paulo Pacini


Diz o bom senso, corroborado pela geometria, que a menor distância entre dois pontos é uma reta, o que faz sentido em nosso pequeno mundo euclidiano.


Entretanto, os nomes de logradouros consagrados pela tradição popular obedecem muitas vezes a uma lógica não lá muito rigorosa, em que dois e dois nem sempre são quatro.


Foi assim que se batizou uma das mais antigas e célebres ruas do Rio de Janeiro, a Rua Direita, atual Primeiro de Março.Conhecida inicialmente como Caminho de Manuel de Brito, nome do sesmeiro do lugar, era uma via curva acompanhando o litoral por uma estreita faixa de terra, terminando no Morro de Manuel de Brito.


Na retaguarda do velho caminho, um enorme terreno alagado, ainda por drenar nas décadas seguintes.


Em 1589, chegam ao Rio os primeiros frades beneditinos, Pedro Ferraz e João Porcalho, para fundar uma casa para sua Ordem.


Recebem os religiosos uma doação de terras do mesmo Manoel de Brito, incluindo o morro que logo seria chamado de São Bento.


Na outra extremidade da rua estava uma pequena ermida dedicada a N. Sª do Ó, que, a partir de 1590, se transformaria no Convento do Carmo, o maior prédio a dominar a nascente Praça XV.


Assim, o caminho passou a ser chamado de Rua Direita do Carmo para São Bento, originando o nome que durou por séculos, Rua Direita.


Na verdade, a rua constituía uma continuação da rua da Misericórdia, ligação com o Morro do Castelo e o núcleo original de povoamento.Com o tempo, principalmente a partir do século XIX, se tornou ponto de concentração dos comerciantes de grande porte, os chamados "de grosso", que eram os intermediários entre os fazendeiros que produziam o café e o mercado, comprando sua produção em troca de escravos e outros bens, além de dinheiro, e auferindo um grande lucro em cima do plantador, que dependia totalmente deste tipo de negociante para transformar o café em riqueza palpável.


Foi numa dessas casas comerciais que, em 1823, aos 9 anos de idade, o futuro Barão de Mauá iniciou sua incrível trajetória.


Neste mesmo século, instalou-se na rua Direita a confeitaria do francês Carceller, cuja fama estendeu seu nome ao local, chamado de "Boulevard Carceller".


Foi aí que, em 1834, os cariocas extasiados conheceram pela primeira vez o sorvete.


Por muito tempo este trecho da rua Direita ficaria conhecido pela sua excelência gastronômica.


Em março de 1870, chegava finalmente a notícia que terminara a Guerra do Paraguai, e D. Pedro II e D. Teresa Cristina, que estavam no Paço, saíram para confraternizar junto com o povo em gáudio o fim do longo conflito.


A partir de então se decidiu mudar o nome para rua Primeiro de Março, comemorando a vitória brasileira em terras paraguaias.


Como logradouro que abriga uma grande quantidade de templos e prédios de importância histórica, deve ser priorizada a conservação do casario ainda restante, e principalmente evitar a construção de prédios que desfigurem o belo conjunto secular que conseguiu chegar, não sem ameaças, até nossos conturbados dias.

domingo, 22 de novembro de 2009

IMPERADOR D. PEDRO II, UM LÍDER VISIONÁRIO


D. Pedro II ''desbravou'' Oriente Médio


Desde aquela visita, Brasil recebeu imigrantes, estreitou ligação com países da região e atuou até nos conflitos


Gustavo Chacra

Com o desembarque do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o Brasil terá recebido este ano alguns dos principais atores nos conflitos no Oriente Médio, como os presidentes israelense, Shimon Peres, e palestino, Mahmoud Abbas. Jornais de Tel-Aviv a Washington, passando por Beirute e Dubai, dizem que os brasileiros começam a ganhar estatura em uma das regiões mais conflituosas do planeta. O que poucos dizem é que esta relação começou há mais de um século.


Em 1876, o imperador d. Pedro II viajou por dois anos pelo mundo e incluiu no roteiro algumas áreas árabes que integravam o Império Otomano, visitando cidades como Beirute, Sidon, Baalbeck, Tiro, Damasco, Jerusalém, Haifa e Jafa. Não era viagem oficial, como a que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizaria mais de um século depois. O monarca pretendia apenas ver como eram os lugares descritos em tantos livros lidos desde a sua infância.


Logo se intensificou o fluxo imigratório do que hoje é o Líbano e a Síria para a América. Nas décadas seguintes, os imigrantes seriam o principal elo dos brasileiros com o Oriente Médio. Os descendentes dos que deixaram os portos árabes no Mediterrâneo somam 7 milhões hoje, incluindo políticos como os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e os ex-governadores Esperidião Amin (SC), Almir Gabriel (PA) e Anthony Garotinho (RJ).


O Brasil começou a ganhar destaque no Oriente Médio em 1947. O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas que criou o Estado de Israel e um que seria o palestino, mas não saiu do papel. Em algumas cidades israelenses, Aranha é homenageado com o nome de ruas e praças.



PRESENÇA FÍSICA


A partir de 1956, o Brasil teria presença física na região. Integrava as forças de paz da ONU estacionadas na fronteira entre Israel e o Egito depois da Guerra de Suez. A maior parte dos militares brasileiros ficava na Faixa de Gaza. O campo de refugiados Brasil, próximo a Rafah, é uma homenagem ao local onde os brasileiros ficavam aquartelados. Ao todo, até 1967, 4 mil soldados brasileiros passaram pelo território.


Quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias, mais uma vez envolvendo Israel e os países árabes, 430 militares brasileiros estavam em Gaza. Todos os outros estrangeiros conseguiram sair, mas os brasileiros foram pegos na troca de tiros. Alguns deles quase foram mortos pelos israelenses, confundidos com os egípcios. Nos 11 anos em que estiveram na região, os brasileiros fizeram amizade com judeus de kibutz e também jogavam futebol com os árabes.


Quando começou a guerra, deputados brasileiros ficaram preocupados com o fechamento do Golfo de Aqaba por parte do líder egípcio Gamal Abdel Nasser e enviaram uma carta ao Conselho de Segurança da ONU pedindo o respeito ao direito internacional de navegação.


Carlos Lacerda visitou a Embaixada de Israel no Rio, onde membros da comunidade judaica faziam fila para se oferecerem como voluntários. "Nasser era o agressor. Os árabes precisam reconhecer Israel. O Brasil deveria ficar contra os ditadores do mundo árabe", afirmou o ex-governador da Guanabara em reportagem do Estado.


Em editorial depois da guerra, o Estado expressou sua opinião na época, ao dizer que, de um lado, estava "um povo com um nível desenvolvimento econômico, técnico e moral extraordinário" e, do outro, "países árabes que vivem no obscurantismo". "Foi uma vitória da pequena nação israelense." O jornal defendeu a existência de um Estado palestino.


Yael Dayan, filha do ministro da Defesa de Israel na época, Moshe Dayan, visitou o Brasil pouco depois da Guerra dos Seis Dias para buscar apoio na ONU. Segundo relatos da imprensa na época, ela foi recebida por crianças pedindo autógrafos. Fora do Brasil, poucos se importavam com o que se dizia em São Paulo, Rio ou na recém construída Brasília.


Bem diferente de agora, com os jornais americanos planejando ampla cobertura para a viagem do líder iraniano ao Brasil e os israelenses dando manchetes para a visita de Peres e Abbas.

DATAS HISTÓRICAS

1876
D. Pedro II visita cidades como Beirute, Sidon e Jerusalém

1947
Oswaldo Aranha preside sessão da ONU que criou Estado de Israel

1956
Brasil integra forças de paz da ONU na fronteira de Israel e Egito

1967
Até essa data, 4 mil soldados do Brasil haviam passado pela região

sábado, 21 de novembro de 2009

O FEIJÃO NOSSO DE CADA DIA . . .


Pesquisador conta como a feijoada surgiu na mesa de famílias cariocas


Jornal do Brasil


RIO - A feijoada não surgiu nas senzalas, como invenção dos escravos, que juntariam sobras de carnes não aproveitadas pelos “senhores” para preparar um prato mais encorpada. Tampouco começou a ser preparada por famílias de poucas posses que requentariam sobras de refeições anteriores para reforçar a alimentação. Ela foi criada para servir como comida para as elites do século 19, especialmente nas famílias cariocas mais ricas. Esta é a tese de um estudo feito pelo pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Almir Chaiban El-Kareh sobre o prato que melhor simboliza a culinária nacional.


– Minha teoria é que a feijoada, como a conhecemos, surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Os ricos comiam refeições com feijão incrementado com diversas carnes e miúdos. Os pobres comiam feijão ralo, com pequenos pedaços de carne-seca ou toicinho – afirma Almir.


Almir baseou sua pesquisa em relatos de viajantes estrangeiros que visitaram o Brasil, em especial o Rio de Janeiro, ao longo do século 19. Um destes viajantes foi o pintor francês Jean-Baptiste Debret.


– Segundo Debret, os escravos comiam a mesma comida que os patrões. Alguns chegavam a comer juntos no mesmo recinto. Os patrões sentados à mesa e os escravos em esteiras no chão. Isso reforço minha tese de que os escravos não preparavam a própria comida – comenta o pesquisador.
Mas antes de cair no gosto das famílias ricas e se tornar o ingrediente principal da feijoadas, o feijão encontrava muita resistência entre as famílias mais ricas do Rio de Janeiro. Pouco depois da transferência da família real e de sua Corte para o Brasil, em 1808, os feijões ainda eram classificados como “comida de pobre”.


Debret


Almir diz que esta informação foi tirada dos relatos de Debret. Segundo o pintor francês, que chegou ao Brasil em 1816, as famílias ricas tinham como prato mais tradicional o cozido português, acompanhado de galinha, arroz e farinha de mandioca.


– O feijão ainda não aparecia na mesa das elites naquele momento – diz Almir, acrescentado que seu consumo era velado. – Debret escreveu que, na época, os pequenos comerciantes comiam feijão com um pedaço de carne-seca e farinha, regado com muita pimenta, mas escondidos de todos, no fundo das lojas.


No entanto, segundo o pesquisador, já por volta de 1830, todos os viajantes que escreveram relatos sobre o Brasil, atestaram que ricos e pobres comiam feijão, carne seca e toicinho todos os dias. Essa aceitação gradual do consumo de feijão pelas elites acabou por sobressair à incorporação dos hábitos europeus e transformou o cozido português numa segunda opção .


O interessante é que a invenção da feijoada e sua incorporação aos hábitos alimentares da população se deu em paralelo à permanência da família real portuguesa no Brasil, nas primeiras duas décadas do século 19.


A etiqueta à mesa foi uma das influências da estada da família real no Rio de Janeiro. As poucos, a sociedade carioca assimilou a etiqueta e as boas maneiras europeias, usando talheres. Porém, só mudou a forma de comer e não o conteúdo – a própria comida. No caso, a feijoada, que foi ganhando cada vez mais espaço na mesa do carioca e do brasileiro.


– A alimentação é o ponto de maiores resistências à mudança porque é um hábitos adquirido na infância. A elite mudou de roupa, copiando a moda francesa, mas não mudou de gosto alimentar. Essa foi a vitória da feijoada.


Da Redação, com Agência Faperj


Como permanecer acordado no pós-banquete


Marcelo Gigliotti


Comer uma feijoada e sair ileso, bem disposto e, sobretudo, pronto para qualquer atividade, é uma verdadeira arte. Se houver exagero, o pós-feijoada pode fazer com que a gravidade exerça uma força quase que sobrenatural sobre as pálpebras, levando a um estado de sono irreversível – embora delicioso.


– Para não capotar após a feijoada, a gente recomenda uma certa moderação. Nossa receita é optar por três pedaços de carne, como lombinho, carne seca e costela e um de linguiça. E o ideal é evitar os pedaços mais gordurosos – diz Leonardo Rangel, diretor da Academia da Cachaça, onde são servidas pelo menos 300 feijoadas entre a sexta-feira e o domingo.


Uma cachaça envelhecida com limão, além de abrir o apetite, ajuda na digestão, segundo Ana Beatriz Rezende, nutricionista da Academia da Cachaça. O limão na cachacinha, por conter vitamina C, facilita o trabalho do estômago e cia e ajuda a absorção do ferro. Assim como a laranja.


– A gente recomenda que a pessoa coma meia laranja junto com a feijoada. Além da couve, que também ajuda o organismo a processar a comida, por causa das fibras vegetais – diz Leonardo.


Seguindo – conseguindo seguir – estas orientações, a feijoada certamente dará uma sensação de saciedade e prazer inigualáveis.


Mas, por precaução, é bom deixar aquela poltrona confortável ou até mesmo o sofá da sala desocupado, para pelo menos uma rápida cochilada.


22:02 - 20/11/2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ALERJ E A MONARQUIA BRASILEIRA







video


Comissão da ALERJ considera fundamental retomar a história do Rio

Dia 17/11


Palestra promovida pela Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro abordou a Proclamação da República na visão da Monarquia.



A Comissão considera fundamental para o turismo do estado retomar a memória histórica do Rio de Janeiro

TEATRO SÃO PEDRO



O belo teatro São Pedro, onde brilhou João Caetano no século XIX



Teatro São Pedro
18/11/2009 - 10:19


Enviado por:
Paulo Pacini

O teatro brasileiro do século XIX foi marcado por aquele que talvez tenha sido seu personagem mais importante, pelo menos históricamente, o ator e empresário João Caetano.


Suas mais célebres e consagradoras apresentações aconteceram no palco do mais famoso teatro da época, o São Pedro, na Praça Tiradentes, antigo Largo do Rocio da cidade.


O nascimento desta casa de espetáculos é devido a Fernando José de Almeida, o Fernandinho, barbeiro e cabeleireiro de D. João VI, que, como hábil puxa-saco, acabava conseguindo todo tipo de favores.


Assim recebeu um terreno no canto da praça, na esquina com a rua do Sacramento (Av. Passos), e com o patrocínio real, a construção terminaria em 1813, três anos após seu início.


Obra impressionante para os padrões da época, pois só a platéia tinha capacidade para 1020 espectadores, além de acabamento primoroso. Recebeu o nome de Real Teatro São João, em deferência ao rei português.


Além dos espetáculos, foi cenário de um importante acontecimento político quando, em 1821, o príncipe D. Pedro comunicava de sua varanda a aceitação, por parte de D. João VI, da Carta Constitucional, pressionado pela ameaça de sedição das tropas portuguesas presentes na cidade.


Em 1823, acontecia o primeiro dos incêndios, ao qual o povo atribuiu uma maldição oriunda do fato de que, na sua construção, foram aproveitadas pedras originalmente destinadas à construção da nova Sé, obra iniciada e abandonada. Fernandinho agiu rápidamente e, com um empréstimo do Banco do Brasil, logo o reconstruiu.


A reinauguração ocorreu em 1828, quando o nome foi mudado para D. Pedro de Alcântara, homenageando o imperador brasileiro.


O não pagamento do empréstimo fez com que o teatro mudasse de mãos, e, em 1839, após novas reformas, reabriu como São Pedro de Alcântara, sendo em 1843 arrendado a João Caetano, já então o mais consagrado ator brasileiro. Em 1851, grande infortúnio se abate sobre a casa, com mais um incêndio a destruindo.


João Caetano assume a responsabilidade e o reconstrói, voltando à ativa no ano seguinte, mas, em 1856, ocorre outro incêndio, desta vez com destruição completa, só restando as paredes externas. Mais uma vez renasce, e, no ano seguinte volta como Teatro São Pedro.


A reforma foi excelente, com camarotes amplos, decoração bem cuidada e uma acústica excepcional.Em 1923, o São Pedro recebe o nome de João Caetano, justa homenagem àquele que mais brilhou em seus palcos e que tanto lutou pela sua existência, quando a tragédia na vida real aconteceu.


Em 1928, contudo, a trajetória mais que centenária da casa é interrompida quando, com o pretexto de reformas, o prefeito Prado Júnior demole o venerável prédio e constrói o atual, que, apesar de ser uma importante casa de espetáculos, não se compara ao original, tanto em termos históricos como estéticos.


Após sobreviver a três incêndios destruidores, nada pôde contra aqueles para os quais o legado do passado é um obstáculo incômodo, a ser arrasado sempre que possível.

sábado, 14 de novembro de 2009

OREMOS PELA REDENTORA DO BRASIL



14 Nov – Falecimento da Princesa Isabel – 1921

Em novembro de 1889, acontece o último ato.




A República é proclamada e a família real deve partir para o exílio.



- É com o coração partido de dor que me afasto de meus amigos, de todos os brasileiros e do país que tanto amei e amo, para cuja felicidade esforcei-me por contribuir e pela qual continuarei a fazer os mais ardentes votos




– Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889




– Isabel, Condessa d’Eu.



Despedia-se a Redentora.




A família iria para Paris, onde logo depois, em 1891, morreria D. Pedro.




Mais tarde, se instalariam no Castelo d’Eu, ao norte da França, todo decorado com móveis e objetos brasileiros.




Apenas em 1920 seria abolido o banimento da família imperial.




Isabel “desejava ardentemente rever a Pátria e reviver algumas semanas de doces e longínquas lembranças (...) de Petrópolis, de minha casa, do meu jardim, de minhas amigas...”.




Mas não voltaria, pois era impossível esquecer a rudeza do passado.




Morreria a 14 de novembro de 1921.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CONFRARIA DO GAROTO SAÚDA A MONARQUIA BRASILEIRA


O Deputado Estadual

João Pedro Figueira

a Chanceler do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro

Leda Machado

no Movimento de desagravo a Princesa Isabel

no dia 13 às 13 h. na Rua 13 de maio

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

LARGO DE SANTA RITA


11/11/2009 - 09:54 Enviado por: Paulo Pacini

Ao contemplarmos antigas obras arquitetônicas de nosso patrimônio histórico tendemos, de modo inconsciente, a lhes atribuir uma origem nebulosa, em um passado remoto, e como sendo criação de importantes figuras do poder.
Nada poderia estar mais distante da realidade, pois na era colonial o estado investia quase únicamente no que facilitasse a extração e exportação das riquezas para a metrópole.
Restava aos cidadãos todo o resto, e grande parte do que foi legado desta época reflete o esforço de alguns indivíduos que, por motivos diversos, transferiram parte do que possuíam para o conjunto da comunidade.
Assim ocorreu quando Manuel Nascentes Pinto, fidalgo vindo de Portugal no início do século XVIII, comprou uma chácara aos pés do Morro da Conceição, a qual incluía a área da Vala, conduzindo as águas da lagoa que havia no Largo da Carioca até a Prainha (Praça Mauá).
Acontece que o fidalgo e sua esposa, D. Antônia, eram devotos de Santa Rita de Cássia, e, tendo trazido um quadro desta, a entronizavam no dia de sua festa em 22 de maio, abrindo a casa para a veneração pública.
A grande afluência fez com que Manuel Nascentes encomendasse uma imagem da santa e construísse uma igreja às próprias expensas e em seus terrenos, inaugurada em 1721.

Igreja e chafariz no Largo de Santa Rita,

em gravura de Thomas Ewbank (1846)


O novo templo, firmemente estabelecido como local de culto, tornou-se o centro desta região urbana nascente, conquistada ao terreno alagadiço.


A área frontal ficou conhecida como Largo de Santa Rita, sendo a igreja elevada à condição de matriz em 1751, quando foi criada sua paróquia.


O terreno do largo foi utilizado como cemitério dos "pretos novos" por muito tempo. Estes eram em sua maioria escravos recém-chegados da África, falecidos nos depósitos do Valongo.


O Marquês do Lavradio (1769-79) proibiu esta atividade, coibindo o abuso de alguns senhores, que chegaram ao cúmulo de sepultar escravos em covas abertas na via pública.


Décadas após, levantou-se um cruzeiro no local, lembrando os mortos, e, em 1839, inaugurou-se um chafariz, substituído em 1884 por outro de ferro fundido.


A pequena e bela igreja de Santa Rita continua a dominar o pequeno largo, mesmo após as grandes reformas de 1905, na gestão de Pereira Passos.


O simpático local, com três séculos de história e um dos mais agradáveis no Centro, é visita obrigatória a todos que desejem conhecer melhor e ao vivo o passado desta Cidade Maravilhosa.

CÍRCULO MONÁRQUICO IMPERATRIZ D. LEOPOLDINA


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A IMPRENSA NACIONAL


04/11/2009 - 04:08 Enviado por: Paulo Pacini
JB

Em 1856, um modesto rapaz finalmente conseguia seu primeiro emprego, de auxiliar de tipógrafo, em uma instituição que, apesar existir há poucas décadas, tinha destacada importância.
O recém-empregado era ninguém menos que Machado de Assis, iniciando a vida profissional nas oficinas da Impressão Régia, antecessora da atual Imprensa Nacional.
A história deste órgão inicia com a fuga de D. João e a côrte portuguesa para o Brasil, em 1808, que fez uma encomenda de material tipográfico na Inglaterra ter o endereço de entrega mudado de Lisboa para o Rio de Janeiro.
Antes desses acontecimentos, a Coroa portuguesa impediu qualquer tentativa de estabelecimento de uma imprensa em terras brasileiras, como quando o governador Gomes Freire instalou uma tipografia, destruída a seguir por ordens reais.
O belo prédio no Largo da Carioca, destruído durante o Estado Novo

A primeira sede da Impressão Régia localizou-se no pavimento térreo da casa do Conde da Barca, na rua do Passeio 44, transferindo-se a seguir para rua dos Barbonos (Evaristo da Veiga).


Em 1831 estava na Academia de Artes, na av. Passos (demolida), depois na câmara dos deputados, na Misericórdia, para finalmente chegar em 1860 à rua da Guarda Velha (Treze de Maio), no atual Largo da Carioca.


Depois da peregrinação por vários endereços alheios, uma sede própria, enfim.O prédio, contudo, era bastante precário, e, em 1874, o Visconde do Rio Branco, Ministro da Fazenda, ordenou a construção de novas instalações no mesmo local.


Em 1877 era inaugurado o edifício em estilo gótico, projeto de Paula Freitas, tornando-se o mais recente adorno do antigo Largo da Carioca. Situado próximo ao Chafariz (Largo da Carioca nº1), e antes do Teatro Lírico, mais próximo à atual Almirante Barroso, e em frente ao Liceu de Artes e Ofícios, do outro lado da rua, o majestoso prédio foi durante muitas décadas uma referência no Largo.


Um violento incêndio em 1911 fez com que parte do equipamento se dispersasse em outras repartições, mas a sede continuou no mesmo local até os anos 1940, quando foi demolida pelos geniais reformadores urbanos de então, que transformaram o Largo da Carioca em um grande terreno baldio, usado como estacionamento por décadas.


A Imprensa Nacional continuou suas atividades na av. Rodrigues Alves, transferindo-se a seguir para Brasília, em 1960. Mas o belo prédio no Largo da Carioca, que ainda poderia existir, deixou uma marca indelével na história visual do Rio antigo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

RUA DA IMPERATRIZ


30/10/2009 - 08:12
Enviado por: Paulo Pacini


JB



A expansão da cidade do Rio de Janeiro teve, como uma de suas maiores limitações, as condições do terreno, em sua maior parte alagado, com obstáculos a impedir o escoamento das águas rumo ao mar. Séculos de drenagem acabaram por conferir à trama urbana as características que conhecemos, com seus espaços e ruas.






No final do século XVII, uma pequena área fora do Centro começava a ser ocupada, junto à beira-mar. Recebeu o nome de Valongo, provavelmente crismado por portugueses oriundos do Porto, aos quais aquelas paragens lembravam trechos de sua terra natal. A enseada, uma continuação da linha costeira a partir da Prainha (Praça Mauá), não era de fácil acesso, com sómente duas opções, descendo a partir do Morro da Conceição ou então por uma via que costeava o mesmo morro em meio aos pântanos, que recebeu o nome de Caminho do Valongo. A transformação em rua só viria em 1760, quando parte de sua extensão tornou-se mais praticável.


Durante o vice-reinado do Marquês de Lavradio (1769-79) o local teve grande crescimento, com a transferência do mercado de escravos do Centro da cidade para os armazéns do Valongo, recebendo os desembarcados oriundos da África. Comandado principalmente por ciganos, esta atividade prosperou por muitas décadas, até que o fim do tráfico negreiro, em meados do século XIX, cedeu lugar aos armazéns de exportação e importação.











Mulas e carretas na reformada Rua da Imperatriz de 1906





Em 1843, um acontecimento marcante iria mudar pela primeira vez o nome do antigo caminho, quando, em 3 de setembro, chegava a Imperatriz D. Teresa Cristina, casada por procuração em 30 de maio com D. Pedro II. Para receber condignamente a esposa do monarca, foi feita por Grandjean de Montigny uma reforma completa no cais e no largo, que doravante passaram a ser chamados de Cais e Largo da Imperatriz. A antiga rua do Valongo virou a Rua da Imperatriz, trajeto do cortejo real, lembrando o inesquecível dia de festa na cidade. Em 1890, nova mudança, sendo rebatizada como Rua Camerino, em homenagem a Francisco Camerino, voluntário da pátria morto na guerra do Paraguai em 1866.






Com belos sobrados e a Praça dos Estivadores reurbanizada alguns anos atrás, o antigo caminho tornado rua forma um conjunto harmonioso, com belos sobrados construídos após as reformas de Pereira Passos, há cem anos. Espera-se que o esforço de conservação persista, para que esta região possa ser apreciada da mesma forma daqui a um século.





quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Criação da Biblioteca Nacional

Criação da Biblioteca Nacional por D. João VI (1810).











A Biblioteca Nacional do Brasil, considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, é também a maior biblioteca da América Latina.



O núcleo original de seu poderoso acervo calculado hoje em cerca de nove milhões de itens é a antiga livraria de D. José organizada sob a inspiração de Diogo Barbosa Machado, Abade de Santo Adrião de Sever, para substituir a Livraria Real, cuja origem remontava às coleções de livros de D. João I e de seu filho D. Duarte, e que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755.

O início do itinerário da Real Biblioteca no Brasil está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência da rainha D. Maria I, de D. João, Príncipe Regente, de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.

O acervo trazido para o Brasil, de sessenta mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março.

A 29 de outubro de 1810, decreto do Príncipe Regente determina que no lugar que serviu de catacumba aos religiosos do Carmo se erija e acomode a Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática, fazendo-se à custa da Fazenda Real toda a despesa conducente ao arranjo e manutenção do referido estabelecimento.

A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.










terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Brasil é elevado à situação de Principado

27 Out - O Brasil é elevado à situação de Principado - D. João IV (1645).











Durante o reinado de D. João IV, um de seus filhos, Teodósio, recebeu o título de "Príncipe do Brasil", sendo que a partir dessa data (1645).

Desta forma, o Brasil foi elevado à categoria de Principado e ganhamos nossa primeira bandeira particular.

Mesmo assim, não devemos ver essa bandeira como sendo a primeira bandeira de nossa nacionalidade, pois, não éramos uma nação soberana.

A Bandeira do Principado do Brasil tinha fundo branco com uma esfera armilar, encimada por um globo azul, com zona de ouro.

Sobre o globo aparecia a Cruz da Ordem de Cristo.

A esfera armilar que apareceu pela primeira vez na Bandeira Pessoal do rei D. Manuel I.

A esfera, é composta de dez círculos ou armilas.

O primeiro pavilhão elaborado especialmente para o Brasil.

D João IV conferiu a seu filho Teodósio o título de "Príncipe do Brasil", distinção transferida aos demais herdeiros presuntivos da Coroa Lusa.

A Esfera Armilar é muito mais antiga que o Astrolábio (precursor do sextante ), teve sua invenção atribuída a ANAXIMANDRO DE MILETO (611-547 .C.).












sábado, 24 de outubro de 2009

Eufrásia Teixeira Leite



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.




Eufrásia Teixeira Leite (Vassouras, 1850 — Rio de Janeiro, 1930) foi uma investidora financeira e benemérita brasileira. Deixou em testamento uma fortuna que poderia comprar 1.850 quilos de ouro em preços da época, cuja maior parte foi legada para instituições assistenciais e educacionais da cidade de Vassouras.



Busto de Eufrásia Teixeira Leite nos jardins do Colégio Sul-fluminense de Aplicação




Família e Educação


Era filha caçula do dr. Joaquim José Teixeira Leite e Ana Esméria Correia e Castro, neta paterna do barão de Itambé, neta materna do barão de Campo Belo, sobrinha do barão de Vassouras e sobrinha-neta do barão de Aiuruoca. Tinha uma única irmã, Francisca Bernardina Teixeira Leite(1845-1899) e um irmão que morreu na infância.

Seu pai foi fazendeiro durante a época de riqueza do café na região de Vassouras. A família de seu avô paterno já era muito rica quando mudou-se de Conceição da Barra de Minas para Vassouras. Seu pai e seu tio barão de Vassouras se estabeleceram como capitalistas, fundando, no Rio de Janeiro, a empresa "Casa Teixeira Leite & Sobrinhos" que emprestava dinheiro a juros e realizava intermediações financeiras com os prósperos fazendeiros de café. Por outro lado, a família de sua mãe, era composta somente por ricos plantadores de café.[1]

Recebeu uma educação aristocrática na escola de moças de madame Grivet que existia na localidade de Comércio, hoje Sebastião Lacerda, Vassouras. Além do ensino básico, aprendeu boas maneiras, a falar fluentemente o francês e a tocar piano.[2]






 Partida para a Europa


Eufrásia e sua irmã, herdaram, em 1872, com a morte de seus pais, a fortuna de 767:937$876 réis (767 contos, novecentos e trinta e sete mil, oitocentos e setenta e seis réis), o que equivalia na época à dotação pessoal do imperador D. Pedro II ou a 5% das exportaçoes brasileiras. Logo depois, em 1873, morreu sua avó, a baronesa de Campo Belo, e as irmãs receberam mais 106:848$886 (cento e seis contos, oitocentos e quarenta e oito mil e oitocentos e oitenta e seis réis) que lhes cabia como parte da herança, na forma de títulos, débito bancário e escravos, que logo foram vendidos.[3]

Na época, a região de Vassouras entrava em decadência devido ao esgotamento do solo e envelhecimento dos escravos, mas os bens das irmãs não eram fazendas de café; possuíam apólices de títulos da Dívida Pública do Empréstimo Nacional de 1868, ações do Banco do Brasil, depósitos bancários, títulos de crédito de pessoas, apenas 12 escravos, uma casa no Rio de Janeiro e uma grande propriedade urbana em Vassouras, atualmente conhecida como Casa da Hera ou Chácara da Hera, onde residiam com seus pais.[2]

Jovens e solteiras, as irmãs venderam ações, títulos e a casa do Rio de Janeiro, cobraram créditos, alforriaram os escravos, fecharam a casa da chácara com dois empregados incumbidos de sua conservação, e partiram, em 1873, para residir em Paris.



 Romance com Joaquim Nabuco




Eufrásia Teixeira Leite aos 30 anos de idade

Eufrásia, além de inteligente e hábil com negócios, foi uma mulher muito bela como mostram diversos quadros e retratos.





Quando viajou para a Europa, conheceu no navio o diplomata Joaquim Nabuco e iniciou um namoro com este. As cartas amorosas que recebeu de Joaquim Nabuco foram, diz a tradição, por expressas instruções dela, encerradas em seu caixão mortuário. No entanto, as cartas e bilhetes que enviou a Joaquim Nabuco estão guardadas no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, em Recife. Algumas sugerem que algo muito íntimo, além dos padrões da época, ocorreu entre os dois.[4]

A maior parte do namoro ocorreu na Europa, onde Eufrásia tinha interesses financeiros e mundanos. Joaquim Nabuco, porém, tinha ambições políticas no Brasil, de modo que não conseguiram concretizar o relacionamento. O romance durou de 1873 até 1887, quando Eufrásia remeteu a última carta para Joaquim Nabuco, dois anos antes deste se casar com outra.






 Vida na Europa


Eufrásia tinha o espírito empresarial da família e investiu sua fortuna e a da irmã em vários países europeus, comprando ações de empresas que produziam as novas tecnologias da segunda Revolução Industrial e participando da internacionalização de capitais que ocorria na época. Consta ter sido a primeira mulher a entrar no recinto da Bolsa de Valores de Paris.

Instalou-se em Paris, residindo depois de 1884 com a irmã em um hôtel particulier de cinco andares, na rue Bassano 40, 8º arrondissement, próximo ao Arco do Triunfo, endereço sofisticado até os dias atuais.[2] As irmãs viviam uma vida recatadas, mas participavam da vida social parisiense. Eufrásia integrou o círculo das amizades mais próximas da Princesa Isabel, quando esta estava já no exílio na França.

Sua irmã, Francisca Bernardina, tinha uma séria deformação na bacia e morreu em 1899, em Paris, sem ter casado. Assim, Eufrásia herdou também a fortuna da irmã.[4]

Entre 1874 e 1928 veio somente duas vezes ao Brasil.[2] Viajou pelo mundo. Viu a Primeira Guerra Mundial na Europa e lamentou os danos causados aos prédios.






Retorno e Morte no Brasil






Eufrásia Teixeira Leite


Foto do obituário dos jornais no dia seguinte de sua morte

Retornou definitivamente para o Brasil em 1928 e a passou temporadas na Casa da Hera em Vassouras. Mantinha-se quase como reclusa, tanto que até comprou, em 1924 a chácara Dr. Calvet, ao lado da chácara da Hera,[3] apenas para manter longe os vizinhos.

Viveu seus últimos anos no Rio de Janeiro em um apartamento em Copacabana, cercada de empregados fiéis, excêntrica e solitária. Queria retornar para Paris, mas tinha problemas renais que a impediram de viajar.

Sem "descendentes nem ascendentes", seu primeiro testamento legava toda sua fortuna para o Instituto das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, instituição católica com sede em Roma, na Itália, mas que geria diversos estabelecimentos de instrução no Brasil.[3] Um segundo testamento, feito as vésperas de sua morte, legou praticamente toda sua fortuna para obras de caridade a serem realizadas por instituições da cidade de Vassouras.

Foi enterrada no Rio de Janeiro, mas, posteriormente, os seus ossos foram exumados e enterrados no mausoléu de seu avô, o primeiro barão de Itambé, em Vassouras. O local não tem lápide indicativa de onde estão seus ossos.






 O Testamento


Disputas Judiciais


No dia da sua morte, um primo distante de Eufrásia, Antônio José Fernandes Júnior, praticamente furtou o original do seu testamento da cabeceira da sua cama a fim de evitar que ele fosse extraviado pelos outros parentes.

Foram nomeados quatro inventariantes para o espólio de Eufrásia, porém um logo morreu e outro pediu para que se retirasse seu nome. Restaram apenas os irmãos Antônio José Fernandes Júnior, que inventariou os bens do Brasil, e Raul Fernandes que inventariou os bens do exterior.[3]

O testamento foi contestado judicialmente pelas primas Umbelina Teixeira Leite dos Santos Silva, baronesa de São Geraldo, Cristina Teixeira Leite d´Escragnolle Taunay, viscondessa de Taunay, e Francisca Teixeira Leite Brhuns. A elas juntaram-se outros primos do lado paterno de Eufrásia, representados por advogados que também eram da família Teixeira Leite. Os advogados destes herdeiros deserdados alegaram a insanidade de Eufrásia devido a "uma moléstia crônica [de rins (sic)], de natureza gravíssima, que se veio processando com lentidão, aniquilando a paciente não só fisicamente como também mentalmente".[4] Entretanto, as cartas que Eufrásia escreveu pessoalmente nos meses antes de morrer provam que ela se mantinha, aos 80 anos, completamente lúcida e ainda gerindo seus negócios.

Os herdeiros da família Teixeira Leite foram judicialmente derrotados pelos inventariantes, os irmãos Antonio José e Raul Fernandes, que eram advogados, em um confronto que durou seis anos.

Em agosto de 1937, quando os herdeiros deserdados da família Teixeira Leite tentaram reabrir o processo judicial de impugnação do testamento, a população de Vassouras revoltou-se, fechou o comércio, cercou o fórum durante as audiências e ameaçou os advogados. A polícia foi chamada pelo juiz, mas o delegado disse que os policiais tinham saído da cidade.[4] Os advogados fugiram pelos fundos do fórum e os incidentes pararam, felizmente, aí..[3] Um decreto presidencial, feito em plena ditadura de Getúlio Vargas, regulou que em todos casos somente podiam herdar os parentes colaterais até segundo grau, o que então calou parte dos herdeiros deserdados.

Apesar disto, os primos do lado materno, os Correa e Castro, conseguiram obter uma parte da herança alegando o testamento de D. Ana Esméria, a mãe de Eufrásia, feito em 1872. Segundo este, se Eufrásia e a irmã morressem solteiras e sem filhos, uma parte dos bens de D. Ana Esméria anexados à herança das filhas deveria passar para algumas de suas sobrinhas. Com isto, a Justiça decidiu pela distribuição de valores da herança de Eufrásia para os inúmeros herdeiros descendentes destas primas Correa e Castro.[3]

Durante mais de vinte anos, os irmãos Antônio José e Raul Fernandes atuaram como testamenteiros. O documento resultante abrange 30 volumes de manuscritos que estão depositados no Centro de Documentação Histórica de Vassouras.[4]






Inventário da Herança


A fortuna que Eufrásia tinha herdado dos pais, da avó e da irmã, tinha crescido muito com seus investimentos, apesar da grande depressão de 1929 e das perdas de com empresas russas confiscadas pela revolução comunista de 1917. Era tão grande que o testado de óbito de Eufrásia registra que exercia a profissão de "milionária".[2]

O espólio tinha um valor estimado em 37 milhões de réis, o que poderia comprar 1.850 quilos de ouro na época. A maior parte eram ações de 297 empresas em dez países diferentes, além de títulos de dívidas de governos. Partes menores eram a casa em Paris (que na época valia 2 milhões de francos, e atualmente valeria mais de 10 milhões de euros)e um loteamento de 49 terrenos na atual rua Pompeu Loureiro em plena época de crescimento imobiliário de Copacabana.[4] O menos valioso dos bens imóveis legados foi provavelmente a Casa da Hera, com seus móveis, decoração e utensílios domésticos, avaliada em 96:700$000 (noventa e seis contos e setecentos mil réis), cuja área tinha sido aumentada com a compra da chácara Dr. Calvet, avaliada em 44:050$000 (quarenta e quatro contos e cinquenta mil réis).

Paris - Mansão Eufrásia

40,Rue de Bassano 75008 Paris, France, antiga residência de Eufrásia Teixeira Leite em Paris proxima ao Champs Elisè. 




Herdeiros


Os principais herdeiros de Eufrásia foram a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras, o Instituto das Missionárias do Sagrado Coração e o Colégio Salesiano de Santa Rosa de Niterói.[2] Os dois últimos deveriam fundar dois colégios para meninas e meninos pobres, cada um mantendo cinqüenta órfãs e órfãos, e outros estudantes pagantes. O Colégio Salesiano de Santa Rosa de Niterói recusou a incumbência e sua parte, conforme o testamento, foi passada para a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras.

Valores menores foram legados para a Fundação Osvaldo Cruz, o agente de Eufrásia em Paris, alguns primos, empregados domésticos, além de dinheiro em espécie para os pobres de Vassouras e para os mendigos que moravam na rua em que residiu em Paris..[2]

As cartas que enviava para seus empregados mostram que eram bastante autoritária e detalhista nos seus pedidos, entretanto pagava a todos muito bem. Todos seus empregados receberam boas doações em vida ou legados no seu testamento. Para um ex-escravo, doou em vida uma casa no Rio de Janeiro. A filha deste escravo, Cecília Bonfim, que também foi sua empregada, afilhada e herdeira, repetiu o seu gesto e deixou um testamento legando seu bens aos pobres de Vassouras.[4]






Resultados da Herança



Chácara da Hera,
antiga residência de Eufrásia Teixeira Leite em Vassouras


Nos terrenos deixados por Eufrásia em Vassouras foram construídos o Instituto Feminino para moças pobres, o colégio Regina Coeli para moças, o SENAI, o atual Fórum, delegacia, e muitos outros prédios. O Hospital Eufrásia Teixeira Leite foi construído com os recursos que legou.

O testamento de Eufrásia tem várias exigências que prejudicaram o atingimento dos seus objetivos devido a fatos imprevisíveis no futuro. Todos os bens foram legados sob cláusulas de inalienabilidade e da insubrogabilidade que deviam protegê-los. Os valores obtidos com as vendas das ações foram aplicados em apólices do Tesouro Nacional, cujos juros deveriam financiar as instituições criadas como o Instituto Feminino e o hospital. Entretanto, a hiperinflação brasileira destruiu o valor original das apólices do Tesouro Nacional. Como resultado, a Santa Casa de Misericórdia de Vassouras e o Hospital Eufrásia Teixeira Leite passam hoje por séria crise financeira.

Uma das cláusulas do testamento de Eufrásia pedia "conservar a Chácara da Hera com tudo que nela existisse no mesmo estado de conservação, não podendo ocupar ou permitir que fosse ocupada por outros".[3] Assim, a residência construída por seus pais em Vassouras é hoje o Museu Casa da Hera, considerado o melhor exemplo preservado de habitação urbana de famílias ricas do vale do Paraíba do Sul no século XIX.


Referências


↑ STEIN, Stanley J.; Vassouras: Um Município Brasileiro do Café, 1850-1910. Rio de Janeiro, editora Nova Fronteira, 1990.


↑ 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 FALCI, Miridan Britto Knox; MELO, Hildete Pereira. Riqueza e emancipação: Eufrásia Teixeira Leite, uma análise de gênero.


↑ 3,0 3,1 3,2 3,3 3,4 3,5 3,6 MELO, Hildete Pereira de; FALCI, Miridan Britto Knox. Eufrásia Teixeira Leite: O Destino de uma Herança


↑ 4,0 4,1 4,2 4,3 4,4 4,5 4,6 CORRÊA, Marcos Sá. Os Órfãos de Eufrásia. Revista Piauí, abril de 2008


Ver também


O Wikimedia Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Eufrásia Teixeira Leite - Museu Casa da Hera


Vassouras