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domingo, 25 de março de 2012

PORCELANA VISTA ALEGRE: "A ALMA DO RIO"



Tem boteco e canga nas louças em que a portuguesa Vista Alegre festeja o Rio

Isabela Caban - O Globo

RIO - Em outubro passado, a designer Beatriz Lamanna recebeu um pedido que lhe roubou algumas noites de sono. Uma das marcas mais tradicionais de porcelana do mundo, a portuguesa Vista Alegre (quem nunca viu suas peças trancadas no armário da família ou em listas de casamento?), encomendou à moça uma coleção de louças com desenhos do Rio de Janeiro. Nos últimos dois anos, o trabalho de Beatriz tem sido captar a essência de belas cidades mundo afora para colorir pratos, xícaras, bules e afins para a marca, fundada em 1824. A fornada "A alma do Rio" acaba de ficar pronta.
Até então, a designer gráfica havia assinado quatro outras coleções para a linha, sempre batizada de "A alma de...", com paisagens europeias. As eleitas foram Lisboa, Porto, Ilha da Madeira e Madri. A tarefa foi cumprida a partir de muita pesquisa de imagens e lembranças de viagens. Mas o Rio...
— Sou a paulistana mais carioca que conheço, moro aqui há 20 anos. Fiquei nervosa porque me senti por um momento uma embaixadora da cidade. Precisava escolher as imagens do Rio que o mundo todo veria, que representariam a cidade — diz Beatriz, que tem 31 anos.
O primeiro passo foi sair em campo com a máquina fotográfica na mão. Seu roteiro incluiu Ipanema, Copacabana, Urca e Lapa. Feitas as escolhas, Beatriz desenhou as paisagens a lápis no papel vegetal. A etapa seguinte foi escanear e enviar para a Vista Alegre, para a primeira aprovação. Só então ela partiu para a $, feita em aquarela digital (um programa de computador que imita o tom da aquarela). A designer lembra que brigou para incluir um boteco nessa coleção.
— Eles estranharam, e eu tive que convencê-los de que o boteco é muito carioca sim. Foram várias trocas de email até que achei uma referência no "Guia Michelin", informando que o boteco chegou aqui em 1808 graças aos portugueses. Pronto, consegui — conta, rindo.
A coleção tem 15 peças. Estão lá os detalhes da arquitetura art déco espalhados pela cidade, além da Praia de Ipanema, o Morro Dois Irmãos, a vista da Urca, o Cristo Redentor e as "ondas" do calçadão. Os Arcos da Lapa estampam uma travessa, enquanto uma casa de sucos colore o açucareiro. Tudo salpicado de referências cariocas, como um pacote de Biscoito Globo, um chinelo de Havaianas, cangas e barris de chope.
Foi durante um curso de design têxtil na Espanha que Beatriz acabou descoberta pelos portugueses. Depois de trabalhar em empresas como a Tátil, no Rio, e a Dezign com Z, em São Paulo, ela partiu, em 2008, para estudar um ano no Instituto Europeu de Design, em Madri. Numa das aulas, patrocinada pela Vista Alegre, foram dadas louças brancas para os alunos criarem o que quisessem nelas. Beatriz tinha acabado de voltar de um fim de semana em Lisboa e resolveu desenhar as casas típicas da cidade num bule. A empresa se encantou pelo traço e assim nasceu a linha.
Desde que voltou ao Brasil, em 2009, 90% do tempo como free lancer tem sido dedicado à marca portuguesa. Tudo é feito num quarto de cerca de 20 metros quadrados, na casa dos pais dela, em São Conrado.
— Às vezes ainda soa surreal desenhar para a Vista Alegre. É uma referência, lembro desde pequena, aqui em casa tem. Hoje, minha mãe é doida para usar as minhas louças, mas não deixo. Está tudo bem guardado — brinca a designer, que faz planos de morar sozinha este ano.
Com uma fábrica em Aveiro, na região central de Portugal, a Vista Alegre é um marco da cultura do país no mundo. Suas louças são cultuadas por colecionadores e usadas por presidentes (inclusive no Brasil), embaixadores (em todos os continentes) e membros da realeza (no Palácio de Buckingham, em Londres, tem).
Segundo a empresa, as coleções de Beatriz Lamanna estão atualmente entre as mais vendidas da marca. Na Europa, as peças dessa linha costumam custar a partir de 20 euros. Por aqui, a primeira da série a chegar será a do Rio, prevista para desembarcar em maio.


sábado, 24 de março de 2012

O VALONGO NO MORRO DA CONCEIÇÃO


Enviado por Ancelmo Gois -
22.3.2012
12h59m

Gois de papel

As fotos de hoje

O CAMINHO DO VALONGO, no Morro da Conceição, no Rio, que abrigava um mercado de escravos no século XVIII, vai virar mirante, com vista até para o Redentor. As obras da prefeitura acabam ainda este mês. Antes cheio de lixo e mato, o local agora tem rede de drenagem, pavimentação, mureta e rampas. Os novos bancos de concreto foram revestidos com granito. Nos próximos dias, o mirante vai receber iluminação. Vamos torcer, vamos cobrar

sexta-feira, 23 de março de 2012

CARLO CAIADO E MILITARES CONTRA A VENDA DO HISTÓRICO QG DA PMERJ




PMs fazem lobby para vereadores do Rio tombarem quartel no Centro

Por: Bruno Villa em 22/03/12 14:52

 
Oficiais da PM estão na Câmara do Rio, na tarde desta quinta-feira (22). 

Eles querem convencer os vereadores a aprovarem o projeto de Carlo Caiado (DEM) que tomba o Quartel General da PM, no Centro.

O tombamento impede a venda do imóvel à Petrobras. 

O governo está negociando o quartel com a estatal por R$ 400 milhões.

O projeto 1.877/2008 não será votado na sessão de hoje. 

Ele deverá ser apreciado na semana que vem.

quarta-feira, 21 de março de 2012

AVENIDA GOMES FREIRE



Avenida Gomes Freire

Escrito por Paulo Pacini   
Qua, 21 de Março de 2012 12:09
É prática comum, tanto aqui quanto noutras cidades, homenagear personagens do passado atribuindo seu nome a ruas e outros logradouros, como praças, largos, etc. Isso muitas vezes ocorre de forma arbitrária, eliminando a expressão popular baseada em longa tradição local, cortando os vínculos com a história e mutilando assim a memória coletiva. Em alguns momentos, contudo, a lembrança é mais que justa, sobretudo quando até então não se havia recompensado um grande vulto. Foi o caso da rua e posterior avenida Gomes Freire.

 
gomes_freire

Avenida Gomes Freire nos anos 30, vista da Visconde do rio Branco




Talvez o mais importante dos governadores do período colonial, Gomes Freire de Andrade iniciou seu mandato em 1733, tendo realizado inúmeras obras em favor da cidade de sua adoção. É mais conhecido por ter construído os Arcos da Carioca, em substituição aos antigos, que se encontravam em estado precário, mas também efetuou a reconstrução de todo aqueduto, desde sua captação na serra do Corcovado. O Paço dos Governadores, posteriormente Imperial, também é iniciativa sua, auxiliado pela perícia de seu engenheiro, o Brigadeiro Alpoim. Iniciou as obras da nova Sé, que deram origem a Escola Politécnica, prédio onde funciona o Ifics da UFRJ, no Largo de São Francisco, além de trabalhos em fortalezas, abertura de ruas e muito mais. Gomes Freire faleceu em 1763 e foi enterrado no Convento de Santa Teresa, mais uma obra que também havia tornado possível, merecendo por esta razão a gratidão das religiosas reclusas.
 
 O ilustre personagem, contudo, não havia até 1917 recebido a justa homenagem pelos seus trinta anos de serviços em favor do Rio de Janeiro, prestados aliás em uma época assaz difícil. A nova via foi aberta entre a rua do Riachuelo e a Visconde de Rio Branco, em uma área originalmente ocupada por diversas valas, e que foi lentamente drenada. O grande quadrilátero formado pelas ruas do Riachuelo, Inválidos, Lavradio e Visconde do Rio Branco começou a ser conquistado pelo vice-rei Marquês do Lavradio em 1771, abrindo a rua que até hoje leva seu nome. A dos Inválidos foi aberta pelo Conde de Resende 20 anos depois, sendo assim chamada após a construção do asilo dos Inválidos em 1794, para soldados desvalidos ou enfermos. O nome original da rua era São Lourenço, e o asilo ficava em uma chácara onde está hoje um prédio monstruoso que tantos problemas causou aos imóveis da região.
 
 
Mapa de 1796 feito pelo engenheiro Correia Rangel mostrando as diversas valas na região
onde foi aberta a Avenida Gomes Freire




A Avenida Gomes Freire cruzava a Avenida Mem de Sá, aberta durante gestão de Pereira Passos na prefeitura, e seu encontro logo foi chamado de Praça dos Governadores, em lembrança aos ilustres personagens. O local foi posteriormente rebatizado de Praça João Pessoa, iniciativa política totalmente estranha à história local. Seria oportuno e mais que justo que voltasse a ser chamado pelo seu nome original, resgatando à memória coletiva, ainda que de forma modesta, um pouco de sua própria história.

domingo, 18 de março de 2012

O RIO INESGOTÁVEL DE HISTÓRIA ! . . .


Canhões são encontrados durante obras na Zona Portuária


Descoberta intriga historiadores e abre nova linha de pesquisa sobre o passado da cidade

Publicado:

Adler Homero examina os canhões desenterrados: “Essa descoberta abriu uma linha de pesquisa para quem estuda a urbanização do Rio”
Foto: Jorge William / O Globo
Adler Homero examina os canhões desenterrados: “Essa descoberta abriu uma linha de pesquisa para quem estuda a urbanização do Rio” Jorge William / O Globo
RIO - Quatro canhões de ferro fundido, que teriam permanecidos três séculos enterrados na Zona Portuária, foram encontrados por arqueólogos e operários da Secretaria municipal de Obras em fevereiro e este mês na Rua Sacadura Cabral, na altura do Largo de São Francisco da Prainha, durante obras da prefeitura na região. A descoberta, que remete ao tempo em que o bairro da Saúde tinha uma praia, intrigou historiadores e estudiosos da área de patrimônio. Qual seria a origem dessas peças de artilharia, já que não há referência em documentos e livros à presença de qualquer forte naquele lugar no começo do século XVII?
Segundo especialistas, na área só havia registro da existência da Bateria da Prainha (construída após a invasão francesa, em 1711), situada onde hoje está o Edifício A Noite, na Praça Mauá. Local onde, em janeiro, foi descoberto um outro canhão. Com isso, a cidade reencontrou cinco relíquias.
Assim que os dois primeiros canhões foram achados durante obras de revitalização da Zona Portuária, em 13 de fevereiro, a arqueóloga Tânia Andrade Lima, que acompanha as escavações, ficou surpresa, pois só esperava encontrar por ali peças do século XIX, relacionadas à vida cotidiana e às áreas de trabalho nos trapiches, além de objetos ligados a escravos. Para tentar esclarecer a presença dos canhões, ela pediu ajuda a um especialista em fortificações e armas, o historiador e pesquisador do Iphan Adler Homero Fonseca de Castro. Onze dias depois, outro canhão foi encontrado numa área bem próxima. E, no dia 8 deste mês, um quarto exemplar foi desenterrado.
Numa primeira análise, Adler identificou as peças como canhões de estilo inglês, de um período entre os séculos XVI e XVII. Uma das hipóteses que ele investiga é a da existência de uma bateria na região, já que havia quatro canhões juntos:
— Ainda preciso fazer nova análise para determinar a datação correta. Mas essa descoberta abriu uma linha de pesquisa para quem estuda a urbanização do Rio, pois, pelos registros históricos, naquela região não havia nada no começo do século XVII. A cidade surgiu entre o Morro do Castelo e o de São Bento. Aquela região está fora da cidade antiga. Se havia ca$ões ali, e até uma bateria, é sinal de que havia algo que merecia ser protegido. Ou armazéns ou um local de desembarque.
Para o pesquisador, os canhões podem ter sido jogados ao mar depois de desativados. A tese do descarte é compartilhada por Tânia. Ela conta que os canhões foram localizados abaixo dos trapiches do século XIX e que eles estavam com a boca voltada para o continente, o que indica que não foram achados na posição de uso.
— Naquela época, o mar era a grande lixeira da cidade — diz Tânia, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da UFRJ.
O subsecretário de Patrimônio Cultural, Washington Fajardo, acredita que os canhões podem ter sido usados numa artilharia secundária de defesa da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição:
— A descoberta confirma o que mostram mapas e documentos históricos: havia baterias na Prainha. O Morro da Conceição era então encimado pela Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição. Mas havia no sopé do morro baterias militares.
O historiador Nireu Cavalcanti diz que, até que se determine com exatidão de que período são os canhões, muitas poderão ser as hipóteses:
— Se forem do século XVIII, podem, por exemplo, ter sido de algum navio que soçobrou na região. Muitos navios usavam $ões para se defender.
Há, ainda, a possibilidade de os canhões serem de uma data e a bateria de outra, já que, como se tratava de armamento caro, era comum as peças serem reutilizadas. Ou seja: podem ser canhões do século XVII que foram usados numa fortificação construída no século XVIII.
Sobre a origem do canhão encontrado na Praça Mauá, nas escavações das obras do Porto Maravilha, a hipótese mais provável, segundo um relatório da arqueóloga Erika Marion Robrahn-González, é que seja do século XVIII, "por causa do comprimento de dois metros, já que os canhões do século XIX são mais curtos". De acordo com a arqueóloga, a peça pode ter sido usada na Bateria Prainha da Marinha, localizada no entorno da Praça Mauá e que dava apoio de fogo ao Morro da Conceição.
Para a superintendente do Iphan no Rio, Cristina Lodi, essas e outras descobertas arqueológicas na Zona Portuária têm o efeito positivo de divulgar a riqueza histórica da cidade:
— Esses achados estão evidenciando um passado da cidade que era desconhecido. Estava tudo embaixo da terra adormecido, para que pudéssemos tornar visível e transformar em conhecimento esse pedaço da história da cidade. Esse passado faz com que a gente entenda aonde estamos chegando — analisa.

quinta-feira, 15 de março de 2012

COCHEIRAS IMPERIAIS, INUNDADAS PELA ÁGUA POTÁVEL DA CEDAE . . . FALTA OU DESPERDIÇA !


Vazamento de água tratada inunda há um mês cocheiras históricas em São Cristóvão


Em 27 dias, o desperdício chega à conta de 4,5 milhões de litros

Publicado:

Uma cratera com cerca de dez metros de profundidade cria um piscinão no Centro Hípico do Exército, por onde passa, há 27 dias, um rio de água tratada da Cedae
Foto: Marcelo Piu / O Globo
Uma cratera com cerca de dez metros de profundidade cria um piscinão no Centro Hípico do Exército, por onde passa, há 27 dias, um rio de água tratada da Cedae Marcelo Piu / O Globo
RIO - As cocheiras imperiais, que fizeram parte da Quinta da Boa Vista no passado, agora têm sua permanência em São Cristóvão duplamente ameaçada. Além da possibilidade de despejo pela prefeitura, que pretende construir um estacionamento onde hoje fica o Centro Hípico do Exército, um vazamento da Cedae alagou parte do terreno e já começa a abalar a estrutura das cavalariças. O problema na tubulação, que abastece a Zona Norte, o Centro e um trecho da Zona Sul e passa por baixo do Centro Hípico, se arrasta desde 17 de fevereiro, a sexta-feira anterior ao carnaval, quando a água começou a minar e a se espalhar por todo o espaço.
Considerando que o problema vem provocando o despejo de dois litros por segundo, como afirma a Cedae, em 27 dias o desperdício chega à surpreendente conta de 4,5 milhões de litros de água tratada. O volume daria para encher quase duas piscinas olímpicas. A mesma quantidade também seria suficiente para o consumo de cerca de cinco mil famílias (de quatro pessoas) num dia, levando-se em conta que uma pessoa consome diariamente, em média, 200 litros de água.
No dia 19 de fevereiro, domingo de carnaval, equipes da Cedae estiveram no local e, com o apoio de máquinas, abriram buracos para verificar a origem do vazamento e para ajudar no escoamento da água. A companhia não voltou mais ao Centro Hípico, na Rua Bartolomeu de Gusmão, e o resultado é um terreno de cerca de 400 metros quadrados todo revirado, com uma grande cratera de oito a dez metros de profundidade e dois metros de largura cheia de água, parte jogada no meio da rua por um canal improvisado. Esta área era usada pelos militares como campo de futebol e de obstáculos para os cavalos.

Cedae aguarda temperatura baixar

O presidente da Cedae, Wagner Victer, garante que o vazamento está sendo monitorado pela empresa, mas não dá uma data para o conserto da tubulação, uma subadutora com um metro de diâmetro (no trecho do centro hípico) por onde passam 1.800 litros por segundo. O desperdício, explica a companhia, é provocado por uma pequena fissura na rede ligada à adutora responsável por levar água a cerca de um milhão de pessoas no Rio.
— O vazamento é ínfimo, representa menos de 1% da água que passa ali, mas parece muito grande porque fica confinado no local. Estamos esperando a temperatura cair para fazer a intervenção. Porque você tem que cortar a água de parte da Zona Norte, do Centro e da Zona Sul e de toda a Grande Tijuca. Para não ter impacto, o melhor é esperar — afirma o presidente da Cedae, explicando que a queda de temperatura é acompanhada por uma diminuição no consumo.
O trabalho de reparo, segundo Victer, levará menos de oito horas. Ele diz que se realizado num dia de tempo ameno, o impacto será menor, sendo possível transferir água de outros locais para abastecer as regiões atendidas pela adutora.
A trégua no calor, condição para que o conserto seja feito, ainda pode demorar. Ontem, por exemplo, a cidade teve uma das dez tardes mais quentes do ano, registrando 38,5 graus em Santa Cruz, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nas ruas, alguns termômetros digitais chegaram a marcar 43 graus, valor que não é oficial. O Instituto Climatempo prevê para hoje máxima de 39 graus.
O cenário desolador também se repete nas cocheiras: das 50 baias existentes, pelo menos quatro já foram interditadas, sendo que uma começou a afundar. A vala aberta pelas máquinas da Cedae também pressiona o muro da maior cocheira do Centro Hípico, conjunto que completou cem anos em 2011 e abriga 43 cavalos. Para piorar, a água que jorra do solo das cavalariças já forma um rio. O mesmo acontece na pista de equitação, onde a água corre 24 horas por dia, obrigando o Exército a inutilizar parte da área.
Apesar da dimensão tomada pelo vazamento, que faz brotar água por toda parte, militares responsáveis pelo Centro Hípico se viram mergulhados na burocracia da Cedae. De acordo com a veterinária e tenente da reserva Ana Stela Fonseca, que trabalha no local, foram feitas várias reclamações, que geraram pelo menos sete protocolos. Até ontem, 26 dias depois, nenhuma nova providência havia sido tomada pela companhia. Além de prejudicar as instalações históricas, militares temem que a água empoçada se transforme num foco de mosquito da dengue.
— Na sexta de carnaval, todo o Centro Hípico ficou debaixo d´água, com água até a canela. A Cedae veio aqui e abriu uns buracos, mas os cavalos não podem mais usar o terreno (o de 400 metros quadrados, ao lado da sede do Centro Hípico) nem ficar nas baias interditadas — conta Ana Stela, revelando que os militares fizeram um mutirão para limpar a rede pluvial, que pode não suportar a vazão caso chova mais forte na cidade.
A Secretaria municipal de Obras afirma que ainda não há um projeto pronto para o estacionamento, cuja ideia poderá sair do papel para a Copa de 2014 ou para as Olimpíadas de 2016. Também estão previstas instalações de apoio ao Maracanã na mesma área. A prefeitura estuda o melhor modelo para obter a propriedade — se por meio de desapropriação, compra ou doação. O Comando Militar do Leste (CML) informou, em nota, que o endereço faz parte dos imóveis que estão nas negociações da 1 Região Militar com a prefeitura e governo do estado para integrar as ampliações do complexo do Maracanã.